sexta-feira, 13 mar. 2026

Super Bowl. A grande provocação de Bad Bunny

Durante o intervalo do Super Bowl LX, Bad Bunny fez história ao levar ao palco a cultura porto-riquenha, deixando claras críticas sociais e políticas. Desde então que a internet tem vibrado com o espetáculo. Já Donald Trump não achou piada à atuação e já veio a público criticá-la.

Na madrugada de segunda-feira, os Seattle Seahawks sagraram-se campeões do Super Bowl LX, a decisão do campeonato da National Football League (NFL), ao vencerem os New England Patriots por 29-13 no Levi’s Stadium, na cidade de Santa Clara, na Califórnia. No entanto, o protagonista da festa foi o cantor porto-riquenho Bad Bunny, que atuou no intervalo do jogo e levou o público à loucura, celebrando a multiculturalidade dos EUA, numa altura em que a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla inglesa) tem sido duramente criticada. Segundo levantamento da NBC, o espetáculo – que teve a duração de aproximadamente 13 minutos e foi feito inteiramente em espanhol –, atingiu a audiência de 135 milhões de pessoas em todo o mundo, batendo recordes como a apresentação mais vista da história deste evento.

Vestido com um conjunto branco – criação da Zara em parceria com os dois stylists do cantor porto-riquenho, Storm Pablo e Marvin Douglas Linares –, o artista de 31 anos abriu o concerto com Tití Me Preguntó enquanto caminhava por cenas cuidadosamente elaboradas da vida porto-riquenha — agricultores com chapéus tradicionais, jogadores de dominó e pugilistas. Numa das cenas mais comentadas nas redes sociais, o cantor reproduziu o seu discurso de agradecimento nos Grammys, no qual denunciou o serviço de imigração dos EUA (ICE) e falou contra o racismo.  «A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor», lia-se também num grande cartaz.

Bad Bunny também fez uma homenagem a si próprio, quando entregou o Grammy, que venceu há uma semana, a um menino que estava sentado entre os pais a ver televisão num cenário criado para o espetáculo. Nas redes sociais, alguns espetadores especularam se o rapaz seria uma alusão a Liam Ramos, a criança de cinco anos detida pelo ICE junto com o pai, Adrian Conejo Arias, quando ia a sair da escola. Porém, a estrela confirmou que se tratava de uma representação dele mesmo em pequeno: «O meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio. Se estou aqui, é porque nunca deixei de acreditar em mim mesmo, então vocês também precisam acreditar em vocês mesmos».

Durante a atuação, foi ainda celebrado um casamento real em palco. De acordo com a ABC News, os noivos tinham inicialmente convidado Bad Bunny para o seu casamento e este acabou por inverter o pedido, convidando o casal a celebrar a união durante o seu espetáculo no intervalo do Super Bowl. Após a troca de votos e um beijo – a pequena cerimónia foi conduzida em espanhol –, entrou em cena Lady Gaga, que interpretou uma versão de inspiração salsa da música Die With a Smile. Além da cantora norte-americana, outro dos nomes convidados por Bad Bunny para o espetáculo foi Ricky Martin, também ele natural de Porto Rico, que interpretou um excerto de Lo que le pasó a Hawaii, uma das músicas mais políticas do último álbum de Bad Bunny.

No encerramento, vários figurantes hastearam bandeiras de todos os países das Américas, enquanto o artista pronunciava os seus nomes, transmitindo uma mensagem de inclusão, esperança e resistência. «Deus abençoe a América», gritou em inglês.

As redes sociais inundaram-se de partilhas e comentários positivos, mas quem não aprovou o espetáculo e a mensagem transmitida pelo artista foi Donald Trump. Numa publicação na plataforma Truth Social, o Presidente dos EUA mostrou-se irritado, classificando a atuação como «absolutamente terrível» e «uma das piores de todos os tempos». Trump escreveu que o espetáculo «não faz sentido», representa «uma afronta à grandeza da América», e não reflete os padrões norte-americanos de «sucesso, criatividade ou excelência». «Ninguém entende uma palavra do que este tipo está a dizer, e a dança é repugnante, especialmente para crianças que estão a assistir nos Estados Unidos e em todo o mundo», defendeu, acusando ainda aos meios de comunicação social de elogiarem o espetáculo por estarem «desligados da realidade».

Horas depois da atuação no intervalo do Super Bowl, Bad Bunny apagou todas as publicações da sua conta de Instagram, deixando a página em branco.  Recorde-se que a «limpeza» do feed é uma estratégia comum entre os artistas quando estão prestes a iniciar uma nova era musical, como anunciar um álbum ou tournée.