sexta-feira, 08 mai. 2026

Sete anos depois, Ministério Público acusa sete pessoas pela queda da atriz Maria João Robalo no teatro de Coimbra

A atriz ficou com várias sequelas após uma queda de três metros e meio em 2019.
Sete anos depois, Ministério Público acusa sete pessoas pela queda da atriz Maria João Robalo no teatro de Coimbra

O acidente remonta a 8 de julho de 2019. A atriz Maria João Robalo, atualmente com 48 anos, sofria uma queda de três metros e meio de altura no Teatro da Cerca de São Bernardo (TCSB), em Coimbra, que a deixou com lesões permanentes e a impedem de hoje continuar a trabalhar em representação. Sete anos depois, o Ministério Público acusou a então vereadora da Cultura, Carina Gomes, e outros responsáveis da Câmara de Coimbra, além de membros da direção da Escola da Noite.

“Faltam cabos de aço inox e um tubo também de inox no corrimão junto à porta principal do teatro. Esta situação, potencialmente perigosa para o público infantil, tem sido reparada pela companhia com recurso a cabos de aço normal e cerra-cabos” - era o que se podia ler num dos relatórios enviados à Câmara de Coimbra a pedir a intervenção no edifício. O primeiro aviso foi emitido pela companhia Escola da Noite em 2008. O alerta centrava-se sobretudo na "deterioração das já graves questões de limpeza e segurança no TCSB”.

O acidente que envolveu Maria João Robalo aconteceu durante uma atividade de tempos livre, em que a atriz estava a fazer o acolhimento das crianças que iam participar numa "oficina de teatro". As lesões deixaram-na com desfiguração permanente, afetação grave da capacidade de trabalho, impossibilidade de usar o corpo ou os sentidos e epilepsia focal, um distúrbio neurológico onde as crises se originam por descargas elétricas anormais numa área limitada de um hemisfério cerebral.

O Ministério Público emitiu agora uma acusação, citada pelo Correio da Manhã, onde considera que a vereadora, tal como os responsáveis do Departamento de Obras Municipais "estavam bem cientes dos problemas de segurança existentes” e, no entanto, não agiram. Face à falta de ação por parte da Câmara Municipal de Coimbra, a Escola da Noite já tinha substituído, por conta própria, algum do material original, incluindo o varandim. Neste sentido, o MP acusa o município de não se ter certificado de que "esse material tinha as mesmas características do inicial".

Por sua vez, António Barros, Pedro Rodrigues e Rui Valente, responsáveis da Escola da Noite, são acusados de terem substituído o material original danificada por outro de qualidade inferior, além de o terem feito sem planos de manutenção e inspeção.

Ao todo, são sete os arguidos que vão responder pelos crimes de infração de regras de construção, danos em instalações e perturbação de serviços, agravado pelas sequelas com que ficou a atriz.