Novo ano, novas sardinhas vencedoras. O concurso a cargo da EGEAC está integrado nas Festas de Lisboa e nesta 16.ª edição recebeu 3.128 propostas de 66 países, entre os quais Moçambique, Dinamarca, Indonésia, Canadá, Chile e Austrália.
O património cultural, o Fado, os sabores típicos, o ‘Tomatazo’ e o bairrismo português foram as histórias contadas nas cinco sardinhas premiadas. Os autores, com idades compreendidas entre os 21 e os 72 anos, responderam à pergunta ‘Qual é a tua história?’.
Os vencedores
Proposta por Hogue, do Uruguai, a ‘Tomatazo’ mostra uma sardinha representada através do fruto mais conhecido para mostrar desagrado - já depois do tomate ter sido atirado, claro. «Um espetáculo de teatro ou até um discurso político que não agradasse ao público podia acabar com pessoas a atirar, de propósito, este fruto mole e cheio de sumo. Quando bate numa superfície dura (seja uma parede ou até uma pessoa), o tomate rebenta e espalha o seu interior colorido, cheio de sumo, polpa e sementes. Quem atirava tomates para mostrar desagrado acabava por perder a oportunidade de os aproveitar na deliciosa dieta mediterrânica», disse, referindo que este design inspira-se no ‘appétit délicieux’ deste alimento.
Já Eduardo Ferrão, do Brasil, autor do ‘Bolo de Arroz’, acena com «a convergência de dois símbolos das tradições de Lisboa: a sardinha das festas de Santo António e o bolo de arroz das pastelarias de bairro» e sublinha «a continuidade entre celebração popular e o quotidiano».
Por seu lado, Hélder Teixeira Peleja (Portugal) defende que a ‘Sardinha guitarrista’ interpreta a cidade. «(...) pretende ser uma homenagem viva aos músicos que dão ritmo ao coração de Lisboa, onde cada escama é uma nota musical vibrante, fundindo a melancolia da saudade com o brilho da alegria. Mais do que uma figura, é a personificação da alma lisboeta: um tributo à tradição que, entre o fado vadio e as águas do rio, faz da música o seu destino», esclarece.
Com ‘O Telefone das Coscuvilheiras’, Letícia Amaral de Araújo (Brasil/ Portugal) propõe, por sua vez, «uma leitura satírica e afetiva da cultura bairrista portuguesa, utilizando uma cena quotidiana - duas senhoras à janela a estender roupa - como dispositivo visual para representar o fluxo informal de informação dentro da comunidade».
Por fim, Martin Narciso (Portugal), autor do ‘Património Fragmentado’, afirma que a sua proposta «reflete a fragilidade do património cultural português através do simbolismo dos azulejos tradicionais. A sua superfície fragmentada evidencia a passagem do tempo, o desgaste e a transformação». E, acrescenta, «destaca a tensão entre preservação e degradação, sugerindo que o património necessita de ser ativamente protegido para perdurar».