terça-feira, 18 ago. 2026

Roças já são Património da Humanidade

Além das roças de São Tomé, a lista da UNESCO inclui 24 novos locais e monumentos, entre os quais o Monte Olimpo, na Grécia, as casas de Alvar Aalto na Finlândia, os teatros da Amazónia, no Brasil, mesquitas no Cazaquistão e complexos de cemitérios na Mongólia.
Roças já são Património da Humanidade

Na transição para o século XX, eram das explorações agrícolas mais avançadas do mundo, chegando a receber a maquinaria diretamente dos Estados Unidos da América. Produziam sobretudo açúcar, café e cacau, que se traduziram em fortunas colossais, como a da família Biester, que construiu o chalé homónimo em Sintra, ou a dos Constantino Dias, marqueses de Valle Flôr, cuja residência é hoje o hotel Pestana Palace, no Alto de Santo Amaro. A riqueza que afluía das enormes explorações era de tal ordem que a palavra ‘cacau’ passou a ser sinónimo de dinheiro.

Mas depois desse período áureo, com o processo de descolonização as cerca de 200 roças de São Tomé foram ocupadas por famílias sem meios ou conhecimentos para fazer a exploração, ou simplesmente deixadas ao abandono. A produção de cacau e café caiu a pique.

Agora, a história destas propriedades entra num novo capítulo, com a inscrição na lista do Património da Humanidade da UNESCO de seis roças: Monte Café, Água Izé, Diogo Vaz, São João, Sundy e Belo Monte. «Em conjunto, representam um sistema planeado de plantações coloniais dedicado principalmente à produção de café e cacau, combinando terras agrícolas, infraestruturas industriais, áreas residenciais e equipamentos sociais em projetos altamente estruturados», explica a nota da UNESCO. «Estas propriedades ilustram o funcionamento de um sistema agroindustrial colonial em grande escala, baseado na migração e nos trabalhos forçados, desde o final do século XIX até meados do século XX, para sustentar a produção global de mercadorias após a abolição da escravatura».

Além das roças de São Tomé, a lista da UNESCO inclui 24 novos locais e monumentos, entre os quais o Monte Olimpo, na Grécia, as casas de Alvar Aalto na Finlândia, os teatros da Amazónia, no Brasil, mesquitas no Cazaquistão e complexos de cemitérios na Mongólia.