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A pintura a óleo sobre tela "Copo branco belleza dos objectos", de Amadeo de Souza-Cardoso, foi vendida por 476.340 euros num leilão de arte moderna e contemporânea realizado na quarta-feira, em Lisboa, anunciou a leiloeira Veritas Art Auctioneers.
A obra, datada de 1915-1916, entrou em leilão com uma base de licitação de 375 mil euros e acabou por ser adquirida por um colecionador privado português, após uma disputa entre vários licitantes.
Segundo a leiloeira, o valor de martelo fixou-se nos 390 mil euros, aos quais se somaram as comissões da Veritas, elevando o montante final da venda para 476.340 euros.
"A concorrência entre os licitantes fez o valor subir de forma consistente acima da estimativa", adiantou.
Obra pertence ao período final de Amadeo
Com dimensões de 50 por 40 centímetros, "Copo branco belleza dos objectos" integra a fase final da produção artística de Amadeo de Souza-Cardoso, um período marcado pela experimentação formal e pela influência das vanguardas europeias e do cubismo.
A pintura foi apresentada pelo próprio artista nas emblemáticas exposições realizadas no Porto e em Lisboa, em 1916, consideradas momentos decisivos para a afirmação da arte moderna em Portugal.
De acordo com a Veritas, a obra permaneceu durante uma parte significativa da sua história na esfera familiar do pintor, conservando uma proveniência considerada rara no mercado de arte nacional.
Mais de um século de história expositiva
Registada no Catálogo Raisonné de Amadeo de Souza-Cardoso, publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a pintura possui um percurso expositivo que atravessa mais de cem anos.
Além das históricas exposições de 1916, a obra integrou as grandes retrospetivas dedicadas ao artista no Palácio Foz, em Lisboa, e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, em 1959.
Posteriormente, voltou a ser apresentada ao público numa exposição realizada em 1985 na Galeria Jornal de Notícias, no Porto, e fez parte da mostra "Amadeo de Souza-Cardoso: Diálogo de Vanguardas", organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2006.
Mais recentemente, foi incluída na grande retrospetiva internacional dedicada ao artista no Grand Palais, em Paris, em 2016.
Já tinha ido a leilão em 2021 sem comprador
Esta não foi a primeira vez que a pintura foi colocada à venda.
Em outubro de 2021, a obra foi leiloada pela Cabral Moncada Leilões, também em Lisboa, com o mesmo valor-base de 375 mil euros e uma estimativa de venda de 562.500 euros. Na altura, porém, não encontrou comprador.
O resultado agora alcançado confirma o forte interesse do mercado por obras de Amadeo de Souza-Cardoso, considerado um dos artistas portugueses mais valorizados e reconhecidos internacionalmente.
Um dos grandes nomes da arte moderna portuguesa
Nascido em Manhufe, Amarante, em 1887, Amadeo de Souza-Cardoso é apontado como uma das figuras centrais da arte moderna portuguesa e um dos principais representantes das vanguardas europeias do início do século XX.
Após se instalar em Paris, em 1906, estabeleceu contacto com alguns dos mais influentes artistas da época, entre os quais Amedeo Modigliani, Constantin Brâncuși e Robert Delaunay.
A sua carreira foi abruptamente interrompida em 1918, quando morreu vítima da pandemia de gripe pneumónica, aos 30 anos.
Apesar da curta vida, deixou uma obra que continua a ser estudada, valorizada e exibida em museus e instituições culturais de referência em Portugal e no estrangeiro.