Em janeiro de 2023, a Plaza Bulnes, junto ao Palacio de la Moneda de Santiago, foi ocupada por uma estranha presença: uma enorme almofada insuflável prateada. Ao longo de quinze dias, o interior desta estrutura temporária acolheu reuniões, debates e conferências no âmbito da XXII Bienal de Arquitetura e Urbanismo do Chile. Um dos autores da inusitada proposta, Smiljan Radić, acaba de ser distinguido com o prémio Pritzker de arquitetura. «A arquitetura existe entre formas grandes, maciças e duradouras – estruturas que permanecem sob o sol durante séculos, aguardando a nossa visita – e construções mais pequenas e frágeis – efémeras como a vida de uma mosca, muitas vezes sem um destino claro sob a luz convencional», defende o laureado. «Dentro desta tensão de tempos díspares, procuramos criar experiências impregnadas de presença emocional, incentivando as pessoas a parar e a reconsiderar um mundo que tantas vezes passa por elas com indiferença».
Nascido em Santiago em 1965, de ascendência croata, Radić estudou Arquitetura na Universidade Católica do Chile e História no Instituto Universitário de Arquitetura de Veneza. Considera as viagens uma parte essencial da sua formação.
Nos seus trabalhos, recusa a repetição de fórmulas, procurando sempre a adequação dos projetos à especificidade de cada lugar. São assim a Casa del Carbonero (Culiprán, 1997), feita de terra cozida e redonda como alguns catos do deserto; o restaurante Mestizo (Santiago, 2006), concebido como um abrigo contra os ventos fortes ali dominantes; ou o pavilhão da Serpentine Gallery (Londres, 2014), uma estrutura que faz lembrar um donut, assente em quatro enormes pedregulhos.
«Através de uma obra situada na encruzilhada entre a incerteza, a experimentação material e a memória cultural, Smiljan Radić privilegia a fragilidade em detrimento de qualquer pretensão injustificada de certeza», declarou o júri do prémio. «Os seus edifícios aparentam ser temporários, instáveis ou deliberadamente inacabados – quase à beira do desaparecimento –, mas oferecem um abrigo estruturado, otimista e silenciosamente alegre, abraçando a vulnerabilidade como condição intrínseca da experiência vivida».