O filme que mostra a Palestina sob mandato britânico
O filme “Palestina 36”, nomeado para o Óscar de Melhor Filme Internacional, é o novo drama histórico da realizadora palestiniana Annemarie Jacir.
A história decorre após a Primeira Guerra Mundial e a queda do Império Otomano, quando a Sociedade das Nações atribuiu à Grã‑Bretanha o mandato para administrar a Palestina. Esse mandato reconhecia a imigração judaica, mas também a necessidade de proteger os direitos da população local.
O enredo acompanha o jovem Yusuf entre 1936 e 1937, numa Palestina sob Mandato Britânico, num tempo em que aldeias por todo o território começam a revoltar‑se contra o domínio colonial.
Dividido entre a sua aldeia e Jerusalém, o protagonista procura um futuro num país onde é crescente o número de judeus europeus sionistas que fogem do antissemitismo e do fascismo na Europa. Ao mesmo tempo, a população palestiniana organiza-se na maior revolta contra a administração britânica.
O filme retrata o quotidiano de uma família e de uma comunidade no início da revolta, cruzando intimidade, humor, medo e escolhas políticas. A realização combina cenas de ficção com imagens de arquivo da época, reforçando a sensação de proximidade histórica.
Antestreia e ambiente emotivo
Antes da projeção, a presidente da Amnistia Internacional em Portugal, fez um breve discurso.
Cláudia Pedra lembrou que “há décadas o povo palestiniano tem vindo a resistir e tem sido martirizado por violações de direitos humanos”, sublinhando que, mesmo após um cessar-fogo, continuam a morrer pessoas e a registarem‑se violações na Cisjordânia.
Para a dirigente, “compreender as origens históricas de tudo isso é extremamente importante, portanto, Palestina 36 vai permitir-nos perceber muito melhor e como isso influencia o que acontece hoje em dia”.
Cláudia Pedra concluiu com um apelo à ação cívica, lembrando que “todos podemos ser ativistas de direitos humanos”, seja na linha da frente ou “em casa, ao computador, a assinar petições”, terminando sob fortes aplausos.
Mensagem exclusiva da realizadora Annemarie Jacir
Logo depois, foi exibida uma mensagem exclusiva da realizadora Annemarie Jacir, gravada em vídeo para o público português. A cineasta afirmou estar “muito feliz” com a estreia de “Palestina 36” no grande ecrã em Portugal e recordou que o filme decorre num “momento importante e crítico” da história palestiniana: a primeira grande revolta contra o colonialismo britânico.
Referiu que a produção levou anos a concretizar‑se, atravessando “muitas dificuldades”, e insistiu na importância de contar esta história. Sublinhou ainda que o filme foi feito “com muita convicção e muito amor”, deixando uma saudação e acrescentando que espera encontrar‑se pessoalmente, noutra altura, com o público português. Despediu-se dizendo “Palestina livre” e “obrigado” em português.
Entrevista exclusiva à Presidente da Amnistia Internacional em Portugal
Após a projeção, Cláudia Pedra, explicou ao SOL, a importância da participação da Amnistia Internacional nesta antestreia. Revelou que o convite surgiu através da produção do filme, precisamente porque a organização aborda “recorrentemente as violações de direitos humanos que estão a acontecer na Palestina”.
Para a presidente, é “ sempre interessante vir explicar às pessoas que a situação que se passa em Gaza e na Cisjordânia e na Palestina em geral”.
Questionada sobre a mensagem que o filme pode transmitir aos espetadores, Cláudia Pedra destacou o papel do cinema na compreensão de contextos complexos “acho que é sempre interessante que os portugueses tenham em atenção as situações históricas que aconteceram e que compreendem que muitos destes conflitos que estão a acontecer têm uma origem histórica”.
Cinema, realização e música
Sublinhou ainda a importância da música e das outras componentes artísticas na construção do filme: “Todo o filme é composto de vários segmentos de arte, desde a fotografia até a música, a maneira como foi construído o argumento. Tudo isso é poderoso e mostra muito bem o que é que aconteceu e dá mais força”.
Sobre o trabalho da equipa, da realização e o elenco, Cláudia Pedra considerou que o filme “tem muitas qualidades técnicas” e “é um filme que tenta demonstrar uma situação histórica, usa inclusive alguns segmentos de imagens reais que aconteceram em 1936. E, portanto, todo o filme está construído de forma a tentar apresentar um ponto de vista de uma situação complexa”.