segunda-feira, 17 ago. 2026

Odisseia: o clássico tornou-se um blockbuster

Quem diria que, passados 28 séculos, a epopeia de Ulisses continuaria a despertar tanto interesse junto do grande público?
Odisseia: o clássico tornou-se um blockbuster

A adaptação da Odisseia ao grande ecrã feita por Christopher Nolan (realizador de Memento, Batman, Dunkirk e Oppenheimer) já é o filme em cartaz mais visto nas salas portuguesas. Só na semana da estreia levou às salas mais de 157 mil espectadores. Quem diria que, passados 28 séculos, a epopeia de Ulisses continuaria a despertar tanto interesse junto do grande público?

As polémicas em torno da longa-metragem têm ajudado a alimentar o interesse e a espicaçar a curiosidade dos amantes de cinema. Por exemplo, Nolan optou por uma Helena de Troia – a beldade «de braços alvos» e «longas vestes» – negra, interpretada pela atriz queniana Lupita Nyong. Já a cantora Zendaya encarna a deusa grega Atena e o rapper Travis Scott faz o papel do bardo Demódoco. «Escolhi-o porque queria fazer uma referência à ideia de que esta história foi transmitida por meio da poesia oral, que é análoga ao rap», justificou Nolan à revista Time. Mas há outro motivo: o realizador procurou personalidades (até mais do que atores) com que os espectadores pudessem relacionar-se e tão populares que garantissem o sucesso de bilheteira que está, aliás, a verificar-se. Num elenco repleto de estrelas, o papel de protagonista – Ulisses ou Odisseu – foi entregue a Matt Damon.

Já foi notado que na versão de Nolan o cavalo de Troia não tem rodas; que há violência e sangue a rodos; e efeitos especiais q.b. Entre as cenas mais impactantes estão a fuga da gruta de Polifemo e o combate com os ciclopes. Mas o grande tema do filme (que tem perto de três horas) é o que se passa no palácio, onde os pretendentes montam o cerco a Penélope, enquanto Ulisses se encontra fora.

Quem já garantiu que não vai ver a adaptação do clássico ao cinema é o classicista Frederico Lourenço, tradutor da Odisseia. «Continuo irredutível na minha decisão de não ver o filme», anunciou no Facebook. Ainda assim, regista com «satisfação» e «fascínio» as reações positivas do público. Não seria surpreendente que muitos daqueles que viram a versão de Nolan no cinema elegessem a tradução de Lourenço para as suas leituras de verão.