quarta-feira, 13 mai. 2026

“No Music for Genocide” ganha força com o apoio de mais de mil artistas. Iniciativa exige a exclusão de Israel da Eurovisão

Uma carta aberta com mais de mil artistas volta a agitar a Eurovisão, apelando ao boicote do festival e à retirada de músicas de plataformas em Israel.
“No Music for Genocide” ganha força com o apoio de mais de mil artistas. Iniciativa exige a exclusão de Israel da Eurovisão

A iniciativa já é conhecida: "No Music for Genocide", pretende fazer um boicote ao Festival da Eurovisão, sobretudo devido à participação de Israel. O início do evento está previsto para o dia 12 de maio, em Viena.

A iniciativa tem uma carta aberta desde setembro de 2025, que conta com mais de mil signatários, revelados esta terça-feira. Entre eles estão nomes como Massiva Attack, IDLES, Kneecap, Peter Gabriel e Black Country New Road: mas Portugal também conta com um número significativo de artistas. Ana Bacalhau, Jorge Palma, The Legendary Tigerman, Carlos Mendes, Cláudia Pascoal, Iolanda, Ana Cláudia, Ana Lua Caiano, Beatriz Pessoa, Celina da Piedade, Fado Bicha, Filipe Sambado, Francisca Cortesão (Minta), Janeiro, Joana Barra Vaz, Júlio Resende, Luiz Caracol, Mayra Andrade, Pepperoni Passion, Rita Onofre, Sebastião Varela (Expresso Transatlântico), Selma Uamusse, Tota ou Xico Gaiato e os grupos Linda Martini, Pop Dell’Arte e Sensible Soccers são alguns dos 339 nomes portugueses que se colocaram ao lado da "No Music for Genocide".

Além da tentativa de boicote a uma das maiores competições de música a nível mundial, estes artistas, alguns que já participaram no festival, removeram as suas músicas das plataformas de streaming de Israel, a quem acusam de genocídio.

Esta é uma iniciativa semelhante à que aconteceu na década de 1990, onde Bob Dylan, Stevie Wonder, Bono, Whitney Houston e outros tantos artistas se juntaram para acabar com o "apartheid" sul-africano. "Foi a prova de que o nosso trabalho criativo nos garante agência e poder", afirma a organização na descrição da carta aberta, acrescentando: "Quando a utilizamos em conjunto, adicionamos uma pressão unificada a um movimento crescente e interdependente, de Hollywood aos portos de Marrocos".

A organização dá ainda como exemplo a exclusão e condenação das ações de Putin contra a Ucrânia, referindo que o mesmo não terá acontecido com Israel. "Nenhuma medida desse tipo foi tomada contra Israel (ou em apoio aos palestinianos) após décadas de ocupação ilegal, apartheid e quase três anos de genocídio acelerado em Gaza", pode ler-se.

Recorde-se que foram vários os artistas, inclusive em Portugal, que se recusaram a competir no Festival da Eurovisão caso vencessem nos seus países, além de emissoras nacionais, como a espanhola, irlandesa, islandesa, eslovena e holandesa, que se recusaram a transmitir os dias de evento em Viena.

“Há momentos em que o silêncio passivo não é uma opção", afirmam os signatários, referindo-se à posição alegadamente neutra da União Europeia de Rádiodifusão, que organiza o festival, embora tenha excluído a Rússia em 2022.

O site oficial da "No Music for Genocide" explica como assinar a carta aberta, além de como bloquear o streaming das suas músicas em determinados territórios. "Esta iniciativa não tem fronteiras e está aberta a todos os artistas e emissoras que desejam boicotar. Esperamos que ela leve a esforços adicionais contra a cumplicidade da indústria musical", termina a descrição no site.

Recorde-se que, em Portugal, foram os Bandidos do Cante que venceram o Festival da Canção, tendo feito parte do grupo de artistas portugueses que recusaram fazer boicote ao evento de música, afirmando que a sua posição "sempre foi musical e não política".