Museu Nacional de Arte Antiga reforça coleção com obras raras adquiridas em Paris

Desenho maneirista de Fernão Gomes e vista inédita da Praça do Comércio em destaque nas novas incorporações do museu
Museu Nacional de Arte Antiga reforça coleção com obras raras adquiridas em Paris

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) anunciou esta quinta-feira a aquisição de três novas obras de relevo para o seu acervo, incluindo um desenho maneirista de Fernão Gomes, uma miniatura inglesa do século XVIII e uma vista histórica da Praça do Comércio atribuída a Charles Percier.

Entre as peças adquiridas destaca-se “A Disputa dos Doutores”, datada de cerca de 1590, da autoria de Fernão Gomes, considerado um dos principais expoentes do Maneirismo em Portugal.

O desenho, executado a pena com tinta castanha, aguadas e realces a guache branco, foi adquirido em Paris e vem reforçar o conhecimento da obra gráfica do artista, conhecido pela sua expressividade e estilo sofisticado.

Outra das incorporações é a “Vista da Praça do Comércio”, assinada e datada de 1796, atribuída a Charles Percier.

Este desenho, também adquirido em leilão em Paris, é considerado de grande valor documental, ao registar uma fase avançada da construção da Praça do Comércio.

Segundo o MNAA, a obra mostra já concluído o torreão nascente, ainda sem o remate atual, enquanto o torreão poente se encontrava em fase inicial — um registo raro e relevante para o estudo do urbanismo lisboeta no contexto do Iluminismo.

Miniatura inglesa do século XVIII

O museu integra ainda na sua coleção um “Retrato de figura feminina”, uma miniatura inglesa de cerca de 1795, em aguarela e guache sobre marfim.

A peça retrata uma jovem com vestuário típico da época, incluindo um vestido inspirado no robe en chemise, e apresenta no verso uma composição funerária com grinalda de flores em cabelo, elemento característico do neoclassicismo.

O MNAA encontra-se encerrado desde setembro de 2025 para obras de requalificação financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), prevendo a reabertura no segundo semestre deste ano.

Durante este período, o museu tem promovido iniciativas fora de portas, no âmbito do projeto “O MNAA está Aqui”, levando peças do seu acervo — composto por cerca de 40 mil obras — a várias instituições em todo o país.