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Uma exposição dedicada à relação entre o pintor português Júlio Pomar e o Museu do Neo-Realismo (MNR), em Vila Franca de Xira, é inaugurada terça-feira, integrando as comemorações nacionais do centenário do nascimento de uma das figuras mais influentes da arte portuguesa do século XX.
Intitulada "Júlio Pomar e o Museu do Neo-Realismo", a mostra ficará patente até 25 de outubro no espaço da livraria do museu, com entrada gratuita, e pretende evidenciar tanto a importância do artista para o movimento neorrealista como a ligação duradoura que manteve com a instituição.
Com curadoria de David Santos, a exposição destaca o percurso de Júlio Pomar enquanto uma das principais referências do neorrealismo artístico português, corrente que marcou profundamente a produção cultural e intelectual do país durante as décadas de 1940 e 1950.
Em comunicado, o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, sublinha que o pintor teve um papel determinante na afirmação desta corrente artística em Portugal e acompanhou de perto o desenvolvimento do Museu do Neo-Realismo desde os seus primeiros anos.
Ao longo de várias décadas, Júlio Pomar colaborou regularmente com o museu, participando em iniciativas culturais e sendo homenageado em diversas exposições dedicadas tanto à sua fase neorrealista como às etapas posteriores da sua produção artística.
A mostra integra-se no programa nacional que assinala os 100 anos do nascimento do artista e procura recordar não apenas a sua obra, mas também a dimensão humana e cívica de uma personalidade que utilizou a arte como instrumento de reflexão social e política.
O acervo do Museu do Neo-Realismo inclui algumas das obras mais emblemáticas da fase inicial de Júlio Pomar, entre as quais se destacam "Descanso", de 1945, e "Carro da Calçada", de 1950. A coleção foi enriquecida ao longo dos anos através de doações efetuadas pelo próprio artista, incluindo desenhos, gravuras e documentação proveniente da sua coleção pessoal.
As celebrações do centenário estão a ser coordenadas pelo Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, e envolvem diversas instituições culturais nacionais e internacionais. O programa contempla exposições, edições especiais dedicadas à obra do artista, ciclos de conversas e projetos de investigação.
Entre as iniciativas previstas destaca-se a exposição itinerante internacional "Centenário de Júlio Pomar", organizada pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua em parceria com o Atelier-Museu Júlio Pomar. A mostra percorrerá várias embaixadas portuguesas e espaços culturais no estrangeiro, promovendo a divulgação da obra do artista além-fronteiras.
Está também prevista para setembro a exposição "Pintura - Pintura: Júlio Pomar e Gabriel Abrantes", que colocará em diálogo duas gerações distintas de criadores portugueses através das suas abordagens à pintura contemporânea.
O programa inclui ainda ciclos de debates dedicados aos arquivos de arte contemporânea e à relação entre arte e inteligência artificial, refletindo sobre os desafios e transformações da criação artística no século XXI.
Nascido em 1926, Júlio Pomar afirmou-se como uma das figuras centrais da cultura portuguesa contemporânea. Entre as décadas de 1940 e 1950 tornou-se uma referência do neorrealismo, utilizando a pintura como forma de intervenção cívica e de crítica social durante o regime do Estado Novo.
Em 1963 instalou-se em Paris, onde aprofundou a sua carreira internacional, beneficiando posteriormente de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Ao longo de mais de sete décadas de atividade artística produziu uma obra vasta e diversificada, que inclui pintura, desenho, gravura, escultura, cerâmica e colagem.
Até à sua morte, em maio de 2018, aos 92 anos, manteve uma atividade criativa intensa, deixando também marcas no espaço público português, como a intervenção artística realizada na Estação Alto dos Moinhos do Metropolitano de Lisboa.
A exposição agora inaugurada em Vila Franca de Xira constitui mais uma homenagem a um dos artistas mais relevantes da história da arte portuguesa, cuja obra continua a influenciar sucessivas gerações de criadores e investigadores.