terça-feira, 18 ago. 2026

Morreu um dos rostos mais marcantes do cinema espanhol. Tinha 62 anos

O ator espanhol Manolo Solo morreu esta quinta-feira, em Madrid, aos 62 anos, vítima de cancro. Vencedor de um prémio Goya, deixa uma carreira marcada por dezenas de filmes, séries e peças de teatro, além de vários projetos que ainda estavam em curso.
Morreu um dos rostos mais marcantes do cinema espanhol. Tinha 62 anos

O ator espanhol Manolo Solo morreu esta quinta-feira, em Madrid, aos 62 anos, vítima de cancro. A notícia foi confirmada pela Academia de Cinema de Espanha, que o descreveu como "um rosto fundamental do cinema espanhol".

À data da sua morte, Manolo Solo encontrava-se a filmar a série Las Vecinas e tinha acabado de estrear, na Netflix, o filme A Desconhecida.

O ator fazia também parte do elenco de Aquí, do realizador português Tiago Guedes, cuja estreia nos cinemas está prevista para dezembro.

Uma carreira marcada por dezenas de filmes

Ao longo de mais de três décadas de carreira, Manolo Solo participou em dezenas de produções para cinema, televisão e teatro. Embora tenha desempenhado muitos papéis secundários, tornou-se uma presença incontornável no cinema espanhol contemporâneo.

A Academia de Cinema de Espanha destacou que deixa um legado composto por filmes "que marcaram as últimas décadas" do cinema espanhol, referindo em particular Fechar os Olhos (2023), realizado por Víctor Erice, e A Quinta (2025), de Avelina Prat, duas obras nas quais assumiu papéis de protagonista.

Ao longo da carreira trabalhou com realizadores de referência, entre os quais Alberto Rodríguez, Guillermo del Toro, Isabel Coixet, José Luis Cuerda, Álex de la Iglesia e Alejandro Amenábar.

No teatro participou em produções como Mrs. Dalloway, Romeu e Julieta e Bodas de Sangue.

Do rock à representação

Nascido em Algeciras, em 1964, com o nome Manuel Serrano, licenciou-se em Ciências da Educação, em Sevilha, embora nunca tenha exercido a profissão de professor.

Antes de se dedicar totalmente à representação integrou várias bandas de rock, entre as quais Los Relicarios, Combo Crónico e Los Kevin Bacons, adotando o nome artístico de Manolo Solo.

Um Goya e várias distinções

Em 2017 conquistou o prémio Goya de Melhor Ator Secundário pelo filme Tarde para la ira. Voltou a ser nomeado em 2024 por Fechar os Olhos e este ano por A Quinta, filme em que contracenou com a atriz portuguesa Maria de Medeiros.

Além dos Goya, recebeu diversas distinções, entre elas o Prémio do Sindicato de Atores de Espanha, o prémio do Círculo de Escritores Cinematográficos e o prémio Luz do Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva.

A morte de Manolo Solo representa a perda de um dos intérpretes mais respeitados da sua geração, reconhecido pela versatilidade e pela presença constante em algumas das obras mais marcantes do cinema espanhol das últimas décadas.