O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin morreu, esta sexta-feira, aos 104 anos, em Paris, avançou a sua esposa ao jornal Le Monde.
Considerado uma das figuras mais influentes do pensamento contemporâneo, Morin destacou-se sobretudo pelo desenvolvimento da teoria do “pensamento complexo”, uma abordagem que defende a interligação entre diferentes áreas do conhecimento e rejeita a fragmentação disciplinar.
Nascido em Paris em 1921, Edgar Nahoum, construiu uma carreira intelectual marcada por mais de sete décadas de produção teórica, académica e intervenção pública. Adotou o apelido "Morin" com a sua participação na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial, contra os nazis.
Conta com mais de 30 livros publicados ao longo da sua carreira, com destaque para a série monumental O Método, publicada entre 1977 e 2004, considerada uma das bases do seu pensamento filosófico.
Ao longo da sua vida, defendeu uma visão humanista e transdisciplinar do conhecimento, propondo uma “insurreição das consciências” perante os desafios sociais, políticos e ambientais do mundo contemporâneo.
Nas redes sociais multiplicam-se as homenagens ao filósofo.
"Soldado da Resistência, ativista e espírito livre, escritor e pensador do século, defensor da natureza e de todos os povos, Edgar Morin era a personificação do humanismo.", escreve Emmanuel Macron na rede social X.
A Multiversidade Mundo Real Edgar Morin, instituição internacional de ensino com sede no México dedicada ao estudo da obra de Morin também já prestou homenagem nas redes socias e afirma que "a sua obra viverá sempre em todos os esforços para reconectar o conhecimento, compreender a condição humana e pensar o mundo a partir de uma visão integrativa."
"O percurso intelectual de Edgar Morin é um método para o futuro: uma arte da paciência e uma verdadeira iniciação à arte da criatividade e da reflexão humanas, numa época moldada por máquinas e pela inteligência artificial.", escreve a UNESCO.