quinta-feira, 14 mai. 2026

Morreu Diogo Ramada Curto. Presidente e Governo destacam legado “incontornável” da cultura portuguesa

Historiador e diretor da Biblioteca Nacional faleceu aos 66 anos. Reações oficiais sublinham impacto académico, intervenção pública e contributo para o pensamento crítico em Portugal.
Morreu Diogo Ramada Curto. Presidente e Governo destacam legado “incontornável” da cultura portuguesa

O historiador Diogo Ramada Curto morreu este sábado, aos 66 anos, deixando uma marca profunda na vida académica e cultural portuguesa. A notícia motivou reações do Governo de Portugal e do Presidente da República, António José Seguro, que destacaram o seu percurso e legado intelectual.

Numa nota oficial, o chefe de Estado manifestou “tristeza e consternação” pela morte do também diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal, elogiando o seu papel na vida intelectual do país. Sublinhou ainda a “longa lista” de obras publicadas e a participação ativa no debate público, que o tornaram uma figura de referência.

António José Seguro considerou que Diogo Ramada Curto “se distinguiu na vida intelectual portuguesa”, destacando o percurso académico internacional, com passagens por instituições como o Instituto Universitário Europeu de Florença, a École des Hautes Études em Paris ou universidades como Yale, Brown, Barcelona e São Paulo.

O Presidente salientou também o caráter crítico do historiador, referindo que a sua voz se destacou por questionar leituras tradicionais da História e por abordar temas como racismo, classe social e género. Já enquanto diretor da Biblioteca Nacional, destacou a capacidade de “dinamizar” a instituição, reforçando o seu papel como espaço de estudo e debate.

Também o Governo expressou “profundo pesar” pela morte do historiador, sublinhando que exerceu funções com “dedicação, competência e sentido de serviço público” desde que assumiu a direção da Biblioteca Nacional, em 2024.

No mesmo comunicado, o executivo destaca que, enquanto investigador e ensaísta, deixou “um contributo marcante para o estudo da história de Portugal e para o debate público sobre a cultura e a identidade do País”, considerando a sua obra “um legado incontornável para a nossa memória coletiva”.

Professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde se formou e lecionou, Diogo Ramada Curto dedicou grande parte da sua carreira ao estudo da cultura escrita, dos impérios e da história política, tendo publicado dezenas de livros e artigos.

Entre as suas obras mais reconhecidas estão títulos sobre história global, colonialismo e pensamento político, tendo sido distinguido com vários prémios literários e académicos ao longo da carreira.

A ministra da Cultura, em nome do Governo, endereçou condolências à família e amigos, numa altura em que o meio académico e cultural lamenta a perda de uma das suas figuras mais influentes.