O pianista e compositor sul-africano Abdullah Ibrahim, uma das figuras mais influentes da história do jazz africano e mundial, morreu aos 91 anos na Alemanha, vítima de uma doença.
A informação foi avançada pela família em comunicado. Abdullah Ibrahim "faleceu serenamente, rodeado pela família, na Alemanha, na sequência de uma doença.", pode ler-se na nota citada pela Lusa.
Mais de sete décadas dedicadas à música
Nascido em 1934 na Cidade do Cabo com o nome Adolph Johannes Brand, Abdullah Ibrahim começou a tocar piano ainda em criança e tornou-se uma das principais referências do jazz sul-africano.
Ibrahim ajudou a expandir a linguagem do jazz ao ligar diretamente o género desenvolvido em Nova Iorque às suas raízes em África.
A música como forma de resistência
A carreira de Abdullah Ibrahim ficou profundamente ligada à oposição ao regime do apartheid. Depois de deixar a África do Sul, encontrou reconhecimento internacional na Europa e nos Estados Unidos, contando com o apoio do lendário músico Duke Ellington, que ajudou a impulsionar a sua carreira além-fronteiras.
Em 1968 converteu-se ao Islão e adotou o nome Abdullah Ibrahim, passando a desenvolver uma linguagem musical que combinava jazz, espiritualidade e sonoridades africanas.
A sua composição mais conhecida, Mannenberg, tornou-se um símbolo da resistência ao apartheid e uma das peças mais emblemáticas da música sul-africana do século XX..