segunda-feira, 07 set. 2026

Morre aos 70 anos Cassandra Wilson, uma das grandes vozes do jazz

A cantora norte-americana, considerada uma das vozes mais marcantes do jazz contemporâneo, morreu na sua cidade natal, Jackson, no Mississippi. A causa da morte não foi divulgada.
Morre aos 70 anos Cassandra Wilson, uma das grandes vozes do jazz

Cassandra Wilson, uma das mais reconhecidas vozes do jazz norte-americano, morreu aos 70 anos na sua cidade natal, Jackson, no estado do Mississippi. A morte aconteceu na manhã da passada terça-feira, 1 de setembro, em casa, tendo sido confirmada pelo médico legista do condado de Hinds e pelo empresário da artista, Robert Torre.

Segundo uma declaração divulgada pelo empresário à estação de rádio WBGO, a cantora morreu "tranquilamente em casa, rodeada pela família, amigos próximos e pelo seu manager."

A causa da morte não foi revelada.

Nascida a 4 de dezembro de 1955, Cassandra Wilson cresceu numa família ligada à música. O pai, Herman Fowlkes Jr., era guitarrista e baixista de jazz, enquanto a mãe era professora, e introduziu-lhe as referências da música Motown. Wilson começou a estudar piano aos seis anos e, mais tarde, aprendeu guitarra e começou a escrever as próprias canções.

A ligação ao jazz viria a marcar toda a sua carreira, mas Wilson nunca se limitou às fronteiras tradicionais do género. A sua voz grave e distintiva tornou-se a imagem de marca de uma artista que cruzava jazz, blues, folk, country e R&B.

A própria National Endowment for the Arts destacou a forma como Wilson utilizava a voz e arranjos próprios para reinventar temas conhecidos e alargar a definição do jazz. Ao longo da carreira, gravou mais de 20 trabalhos como artista principal e colaborou com nomes como Terence Blanchard, Bill Frisell, Charlie Haden, Wynton Marsalis, Angelique Kidjo e Luther Vandross.

Dois Grammys e uma das maiores distinções do jazz

Ao longo da carreira, Cassandra Wilson recebeu quatro nomeações para os Grammy Awards e venceu duas vezes na categoria de Melhor Álbum Vocal de Jazz.

O primeiro Grammy chegou em 1997, com "New Moon Daughter". Mais de uma década depois, em 2009, voltou a conquistar o prémio com "Loverly".

O reconhecimento não ficou pelos prémios da indústria discográfica. Em 2001, a revista Time chamou-lhe "America's Best Singer", numa distinção que refletia a influência que já tinha alcançado para lá do universo do jazz.

Em 2022, recebeu uma das maiores distinções da música jazz norte-americana ao ser nomeada NEA Jazz Master pelo National Endowment for the Arts. A organização descreveu o seu trabalho como uma contribuição para expandir a própria definição do género.

Na altura, Wilson falou sobre o significado daquele reconhecimento e da carreira que tinha construído. "É um sentimento maravilhoso ser reconhecida pelo trabalho de uma vida", afirmou a cantora ao National Endowment for the Arts.

A distinção juntou Wilson a uma lista restrita de artistas reconhecidos pelo seu contributo para a história e evolução do jazz nos Estados Unidos.