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"Fashion is Art". Era a única regra de dress code para brilhar na escadaria do Met. Houve quem tivesse levado o tema ao literal e quem deixasse a desejar.
O regresso de Beyoncé uma década depois
Desde 2016 que não pisava a escadaria do Met, mas agora que voltou, só podia ser em grande. Beyoncé, uma das co-anfitriãs escolhidas deste ano, ao lado de Nicole Kidman e Venus Williams, regressou à Met Gala com uma capa de plumas de dezenas de metros que ocupava um lance inteiro das escadas icónicas.
O vestido, repleto de brilhantes, tinha uma "estrutura de esqueleto", criação de Oliver Rousteing, antigo diretor criativo da Balmain. Numa chegada digna de rainha, a coroa não podia faltar, também repleta de brilho e glamour.
A cantora foi acompanhada do marido, Jay Z, e da filha, Blue Ivy, num look mais simples (ele com um smoking preto, ela com um vestido branco volumoso). Embora o vestido não fosse tão impactante como o da mãe, Blue Ivy mostra que "quem sai aos seus, não degenera".
Outros regressos à Met Gala
A gala de 2026 marcou também o regresso de Cher, após 11 anos afastada dos holofotes do Met. Desfilou num look Burberry, em seda preto, completo com um corset de pelo e um casaco com cristais, criado por Daniel Lee em colaboração com Patti Wilson.
Madonna não é um regresso deste ano, mas sim do ano passado - no entanto, volta surpreender, com um look em referência ao trabalho da pintora Leonora Carrington. À primeira vista parece apenas um chapéu stilo bruxa e um véu preto (carregado por seis pessoas com olhos vendados), mas quando comparado com o quadro surrealista, os detalhes estão perfeitos. É um look assinado pela Saint Laurent, um dos patrocinadores do evento.
Os destaques
Comecemos pelo fim: Rihanna fechou o desfile de celebridades na escadaria do Met, como já é habitual e, apesar de Beyoncé ter suscitado grandes gritos e aplausos, Rihanna não ficou atrás. Ao lado do marido, A$AP Rocky, a cantora apareceu com um fato Maison Margiela, criado por Glenn Martens. A inspiração baseou-se na arquitetura medieval do norte da Bélgica, país do desginer.
Já o marido, apareceu num smoking cor de rosa claro, com detalhes pretos da Chanel, marca da qual é embaixador.
O destaque deve ir para Anna Wintour, responsável pelo evento, e para Nicole Kidman, co-anfitriã deste ano. Ambas vestidas por Matthieu Blazy, Chanel, encheram a escadaria de plumas e lantejoulas.
Anna Wintour optou por uma reinterpretação do look criado por Karl Lagerfeld para a Met Gala em 2019: desta vez é um vestido rosa, e não verde, bordado com uma "capa de plumas".
Nicole Kidman apareceu com um vestido vermelho justo ao corpo e um cabelo loiro a contrastar. Ao seu lado, trouxe a filha, Sunday Rose, numa criação de Jonathan Anderson para a Dior, em tons rosados.
O verdadeiro destaque para Portugal vai para o vestido de Emma Chamberlain. Considerado uma obra de arte, foi um dos vestidos mais marcantes dentro do tema. Foi totalmente pintado à mão, com pinceladas de cores vibrantes entre o amarelo e azul, numa clara referência a pinturas impressionistas. O detalhe? O vestido é da autoria do português Miguel Castro Freitas, designer nacional, natural de Santarém, atualmente diretor criativo da Mugler.
Quem se pensou que seria destaque (mas não foi)
Jeff Bezos, fundador da Amazon, e a sua mulher, Lauren Sánchez eram, até o desfile de celebridades começar, o centro das atenções por serem patrocinadores do evento. Os protestos e tentativa de boicotes não tardaram, principalmente após os relatos de trabalhadores da Amazon sobre as más condições de trabalho na empresa.
No entanto, chegaram à escadaria do Met e pouco entregaram: aliás, Jeff Bezos não apareceu ao lado da mulher.
Lauren Sánchez optou por um vestido discreto, azul navy, justo, com um tecido acetinado, com um detalhe de pérolas nos ombros, criação de Schiaparelli. Foi inspirado no quadro de 1884 Madam X, do italiano John Singer.
Vestidos que são esculturas (e arte)
Levar o tema ao sentido literal nem sempre é fácil: transformar moda em autênticas peças de arte é o que torna a Met Gala um evento tão prestigiado.
Comecemos por Hailey Bieber. À partida parece apenas um vestido azul vivo e dourado que lhe assenta que nem uma luva, mas é, de facto, arte. Num corset criado pela Saint Laurent, apresenta-se como uma inspiração na colaboração da marca com o escultor Claude Lalanne para a coleção outono/inverno de 1969.
E mais uma gala, mais uma oportunidade para Heidi Klum surpreender com looks excêntricos (mas sempre dentro do tema). Ela própria foi a escultura em vida: Mike Marino criou próteses em látex que reproduziram na perfeição a Dama Velada, obra em mármore de Rafaelle Monti, no corpo da atriz, modelo e apresentadora.
Num tom mais artístico, Bad Bunny surpreendeu, ao aparecer irreconhecível. Através de maquilhagem cénica, o cantor porto-riquenho apareceu na sua pele, mas daqui a 50 anos. "Envelhecer é a verdaderia arte", afirmou após o evento. Desfilou com uma bengala, para dar credibilidade ao disfarce, num look Zara.
As celebridades por que toda a gente esperava
Entre brilhos, transparências e exuberância, as caras de sempre não faltaram à gala.
Gigi Hadid levou uma criação Miu Miu ao Met, inspirada na coleção de primavera de 2011. Já a modelo Irina Shayk optou por ir com o corpo todo à mostra, apenas com uma saia preta e um top composto por... relógios.
Sam Smith não falhou na exuberância a que nos tem habituado, com um quimono longo, bordado, com mangas em pele, todo em preto, criação de Christian Cowan. Já na cabeça, levava um acessório com plumas pretas, que completa o look excêntrico.
E numa altura em que o Diabo Veste Prada 2 acabou de estrear, o elenco não falhou em ser a estrela (mas sem a "Miranda", já que Meryl Streep nunca foi a uma Met Gala). Anne Hathaway usou uma criação Michael Kors em colaboração com o artista Peter McGough, com uma pintora artística, inspirada no poema "Ode on a Grecian Urn" ao longo do tecido preto: tudo pintado à mão.
Já Emily Blunt optou pelo simples "com preto não me comprometo", com um toque de pérolas Mikimoto que custa cerca de meio milhão de dólares.
E num pequeno ensaio para o casamento aparece Georgina Rodríguez, num vestido verde claro e um véu a cobrir o rosto. O terço na mão não deixou espaço para dúvidas: era um referência a Nossa Senhora de Fátima.
As Kardashians não falharam na green carpet: Kylie Jenner utilizou um corset realista nude, que contorna o seu corpo, numa criação de Schiaparelli. Kendall Jenner vestiu-se num modelo à medida, com um sutiã à mostra, que remete para a estátua de Vénus, por Zac Posen. Kim Kardashian apresentou-se num look mais colorido, com um corset laranja vivo, criado por Allen Jones para Whitaker Malem. Por fim, a anfitriã da família, Kris Jenner utilizou um quimono bordado com lantejoulas, indo buscar o tom neutro, branco, e o tom de Kim, laranja, numa criação Dolce & Gabbana.
A celebridade por quem (não) se esperava
Era quase certo que Blake Lively não tinha sido convidada. Mas lá esteve ela, na green carpet, horas depois de fechar acordo com Justin Baldoni, evitando ir a tribunal com o ator que acusa de assédio.
A atriz, de 38 anos, compareceu com um vestido de arquivo da Atelier Versace, da coleção de primavera de 2006.
Embora a tese de que a atriz não foi convidada, mas que pagou o bilhete de centenas de milhares de euros continue a circular nas redes sociais, ainda nada foi confirmado.
A tecnologia também é arte
Hong Kong Robert Wun é o responsável pelo look da editora da Vogue Tailândia Nichapart Suphap, que optou por um vestido preto com um detalhe robótico: umas mãos que se mexiam numa tentativa de tocar no corpo da mulher.
Na mesma onda de tecnologia, Sabrina Carpenter surpreendeu com um vestido que, à partida, não parece inovador. Quando optamos por um olhar mais detalhado, percebemos que é um vestido feito com tiras de filme fotográfico, numa criação de Jonathan Anderson para a Dior.
Depois das alegações com fotos geradas por Inteligência Artificial no ano passado, Katy Perry optou por entrar na tecnologia e trazer um look de Stella McCartney, branco simples, mas com uma máscara de "astronauta", que abre e fecha, tapando totalmente o rosto da cantora. Como pormenor ainda relacionado com as imagens falsas publicadas em anos anteriores, levou um dedo a mais na luva branca: em referência às possíveis falhas de imagens geradas por Inteligência Artificial.
A Met Gala como espaço de protesto
Os protestos começaram antes da gala de segunda-feira, após se saber que o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e a mulher Lauren Sánchez seriam os patrocinadores e anfitriões do evento. Houve pedidos de boicote, protestos à porta da mansão do casal que recebeu várias celebridades no domingo antes da gala.
No entanto, também a green carpet serviu de manifestação para a atriz e produtora Sarah Paulson que, num vestido de Matières Fecales, trouxe um detalhe a cobrir os olhos que diz tudo: uma nota de um dólar. Esta será uma manifestação em como "o dinheiro pode causar cegueira".
Mais um ano, mais uma noite que é a mais aguardada da moda, onde a escadaria do Met voltou a transformar-se numa verdadeira galeria viva.