segunda-feira, 13 abr. 2026

Mariiana. “Estou sempre a aprender com as músicas que faço”

Começou a cantar aos três anos e, aos 11, representou Portugal na Eurovisão Júnior. Depressa percebeu que queria ser artista. Hoje, conjuga a música com a representação. ‘Complicado’ é o seu novo single. 
Mariiana. “Estou sempre a aprender com as músicas que faço”

Pode contar-nos um bocadinho da sua infância? De onde veio e de que forma cresceu?

Tive uma infância maravilhosa. Sempre vivi em Carcavelos, por isso sempre tive muita conexão com a praia. A minha infância foi muito ao ar livre, sem ecrãs. Foi mesmo muito boa. E também foi aí que descobri a música. O amor que tenho pela música. Já cantava, estava sempre a cantar, dançar, fazer teatrinhos com os meus peluches… Fui mesmo uma criança feliz. Eu era a irmã mais nova e implorei aos meus pais para ter um irmão bebé. Aconteceu em 2014. Somos três. 

Com que idade é que começou a cantar?

Lembro-me que roubava o telemóvel aos meus pais para gravar-me a cantar. Inventava músicas. Tinha três anos e, aos cinco, disse-lhes que queria ir para o coro da escola. Acho que foi aí que tudo começou. 

Então nunca foi uma menina introvertida… 

Eu era super extrovertida! (risos) Adorava ter a atenção das pessoas. 

Representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção Júnior, em 2017. Como é que nasceu essa oportunidade e o que é que lembra desse tempo? 

Eu tinha 11 anos e foi muito giro… Com essa idade poder não só representar o meu próprio país, que foi uma grande responsabilidade, mas também conhecer outras pessoas, foi maravilhoso. Conhecer outras culturas… Não parecia sequer uma competição. Estava mesmo lá para me divertir acima de tudo, e consegui!  Fiz amigos para a vida. Hoje em dia ainda mantenho contacto com alguns. Foi mesmo das melhores experiências da minha vida. 

Mas como é que surgiu essa chance? 

Através da RTP… Chamaram alguns miúdos para casting. Depois fizemos os Júniores de Portugal, no Porto, houve várias fases de casting. E, pronto, ganhei. 

E o que é que aprendeu nessa altura? 

Aprendi a nunca desistir. Estava cheia de medo. Achava que não ia conseguir. Achava que não ia ganhar, porque os outros participantes eram fortíssimos. Foi sobretudo isso: não desistir. Estava ali para me divertir e dedicar-me dessa forma àquilo que gostava. Aprendi muita coisa com o facto de ser muito nova num palco muito grande. Ganhei também mais confiança. 

Recorda algum momento que lhe tenha ficado na memória? 

Sim… O momento em que estavam a dizer os pontos. Eu tinha 11 anos, estava ali longe dos meus pais. Só os queria abraçar. Não ganhei, o meu nome não foi chamado, mas sinto que ganhei imenso e cresci muito nesses minutos. Era muito pequenina, poucos pontos foram para Portugal, mas foi essencial. Fez-me querer ser mais forte, mostrar ainda mais às pessoas. 

Aprender também a lidar com a frustração…?

A frustração é uma coisa com a qual vamos ter sempre que lidar. Na vida, em geral.  Faz parte. E se não gostarmos disto, e se não tivermos de lidar com a frustração, significa que não gostamos do que fazemos. 

Já nessa altura sabia que se queria dedicar à música e à representação? 

Eu nunca tive outra opção. Nunca tive um plano B. Muitas crianças mudam de ideias inúmeras vezes e imaginam-se em muitas profissões. Eu sempre quis ser atriz e cantora. Nunca quis pensar noutra opção.

Integrou o elenco das temporadas 3, 4 e 5 dos ‘Morangos Com Açúcar’. Essa não foi a primeira experiência na representação, pois não? 

Não! Eu já tinha feito uma novela na SIC, Amor Amor, onde interpretei a Shakirita. Tinha 13 ou 14 anos. Os Morangos com Açúcar foi diferente… Éramos todos jovens, parecíamos mesmo uma família. E foi muito giro, porque também aprendi muito. Eu era a mais nova do elenco. Tinha 17 anos. A oportunidade surgiu através de casting. Não sabia que era para essa série. A primeira fase foi só cantar. Tipo, popstar. Interpretar à frente de algumas pessoas. Achava que era para um projeto de arte, de música, mas nada especial. Não correu nada bem esse casting! (risos) Mas depois disso, disseram que eu tinha passado para a segunda fase do casting. Foi aí que percebi para o que é que estava a trabalhar. Na segunda fase já foi com guião. Passei e fiquei maluca! 

O que é que sente que essa participação lhe trouxe? 

À medida que a vida vai acontecendo, eu sinto que vou ganhando experiência, aprendo sempre qualquer coisa. Seja da parte técnica, seja da parte do guião, seja da parte da interpretação, seja a nível pessoal. 

O que é que é mais desafiante para si neste universo televisivo? 

O cansaço…  Mas é um cansaço bom. O número de cenas que temos de fazer por dia... Acaba por ser muito cansativo, mas é um cansaço que quando eu chego a casa agradeço. Fico muito satisfeita com o trabalho que fiz. 

Numa entrevista em 2024, disse que estava a pensar em seguir Marketing, mas isso acabou por não acontecer… 

É verdade! Eu era para seguir Marketing antes de surgir a oportunidade de entrar para os Morangos. Inscrevi-me, estava no IADE, quando soube que tinha sido aceite na série. Pensei: ‘Ok, é um sinal para não fazer marketing! Tenho mesmo que seguir a televisão’. Ou seja, nessa altura já estava a pensar num plano B, porque nesta área é uma preocupação. Agora que estou a crescer, sinto que isso me está a entrar cada vez mais na cabeça, mas não posso deixar que isso deixe de parte as coisas que eu mais amo, que é a representação e o canto.

E o apoio dos pais é incondicional?

É! Se eu amanhã disser que quero ser bombeira, eles vão estar ali. 

‘Folha em Branco’ e ‘Mau Bocado’ foram um grande sucesso. Estava à espera? 

Não. Não estava mesmo. Tenho recebido muito bom feedback e isso motiva-me sempre a querer continuar.

E agora já podemos ouvir o mais recente single ‘Complicado’, lançado a 27 de março... 

É uma música muito gira, meio na onda do Mau Bocado. É uma canção que fala sobre amor, sobre estarmos apaixonados, babados. Um amor de telenovela. As pessoas vão poder identificar-se com a música. 

Encontra-se nas suas próprias músicas? 

Sim! Em todas elas… Gosto sempre de mostrar versatilidade. A ‘Folha em Branco’ é uma balada, o ‘Mau Bocado’ tem mais ritmo… Estou sempre a aprender com as músicas que faço. 

Como é que se descreveria enquanto artista? 

Considero-me uma artista pop, versátil e alegre. Sinto que ainda vou melhorar muito, quero aperfeiçoar muitas coisas. Não só a nível musical, como pessoal… Quero ser ainda mais!

Como é que nasce uma música sua? 

Junto-me com o meu produtor e com o meu professor de canto. Estas músicas foram todas feitas no Writing Camp. Juntámos alguns artistas. Mas normalmente, se formos fazer só uma música, vamos para estúdio, dou as minhas ideias aos produtores e juntos vamos construindo a música aos poucos. O meu professor ajuda-me também com a letra. ‘Folha em Branco’ foi escrita por uma artista e pelo meu professor, mas eu dei sempre feedback. 

É difícil crescer como artista independente? 

É muito difícil. E acho que esta área mostra que nós não devemos mesmo desistir daquilo que queremos. Porque mais tarde ou mais cedo, vamos colher os frutos que plantamos.

Como é que se vê daqui a cinco anos? 

Em palcos, muitos palcos, se Deus quiser. Com música pop. Muito pop! Imagino-me também em projetos televisivos. A continuar a explorar esta área da representação. E ser uma pessoa feliz. Quero muito fazer o que gosto.