terça-feira, 10 fev. 2026

Marchas de Alcântara e Bairro Alto representam Portugal no Ano Novo Lunar em Macau

Ao contrário de edições anteriores, não haverá grupos do Japão nas celebrações deste ano
Marchas de Alcântara e Bairro Alto representam Portugal no Ano Novo Lunar em Macau

As marchas populares de Alcântara e do Bairro Alto, vencedoras ex aequo da edição de 2025, vão representar Portugal no desfile do Ano Novo Lunar em Macau, que este ano assinala o Ano do Cavalo.

“Desta vez temos dois grupos de Portugal. Achamos que vão gostar de Macau e que as suas atuações vão trazer muita alegria aos visitantes e às comunidades”, afirmou a diretora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes.

As celebrações decorrem entre 19 de fevereiro e 8 de março e contam este ano com um orçamento de 36,8 milhões de patacas (cerca de 3,86 milhões de euros), mais 5% do que em 2024.

O programa inclui espetáculos de fogo de artifício, exibições de drones, um desfile com 17 carros alegóricos e a participação de cerca de 1.300 artistas provenientes de Macau, Hong Kong, China continental, Itália, Espanha, Filipinas, Coreia do Sul e Portugal.

“Estamos preparados para uma grande celebração do Ano Novo Chinês. Com nove dias de feriado, prevemos uma média diária entre 158 mil e 175 mil visitantes”, adiantou Helena Fernandes, citada pela agência Lusa.

Ausência de artistas japoneses em contexto de tensão diplomática

Ao contrário de edições anteriores, não haverá grupos do Japão nas celebrações deste ano. Questionada sobre o assunto, a responsável disse não ter “informação concreta”, sublinhando que Macau continua a receber uma oferta diversificada de espetáculos internacionais.

A ausência surge após o cancelamento recente de vários eventos com artistas japoneses em Macau. No final de janeiro, a empresa sul-coreana MBC cancelou um festival de música previsto para 7 e 8 de fevereiro, que incluía bandas com músicos japoneses, alegando “circunstâncias locais e condições logísticas”.

A imprensa sul-coreana apontou dificuldades na obtenção de vistos como possível motivo, numa altura de tensões diplomáticas entre Pequim e Tóquio.

O agravamento das relações bilaterais remonta a declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, em novembro, quando admitiu uma possível intervenção militar japonesa em caso de ataque chinês a Taiwan. Desde então, a China aconselhou os seus cidadãos a não viajarem para o Japão e impôs restrições comerciais, incluindo a bens de dupla utilização.

Pequim considera Taiwan parte integrante do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o seu controlo.