sexta-feira, 07 ago. 2026

Luís Represas nunca quis ficar preso aos Trovante. A inquietação que fez dele um dos grandes nomes da música portuguesa

O músico, que morreu esta quarta-feira aos 69 anos, construiu uma carreira marcada pela constante procura de novos sons e colaborações. Para o investigador João Carlos Callixto, "nunca se fechou dentro de uma cápsula".
Luís Represas nunca quis ficar preso aos Trovante. A inquietação que fez dele um dos grandes nomes da música portuguesa

O músico Luís Represas, que morreu, esta quarta-feira, aos 69 anos, cruzou públicos e referências musicais e "nunca se fechou dentro de uma cápsula", disse hoje à agência Lusa o investigador e divulgador João Carlos Callixto.

Luís Represas estava a comemorar 50 anos de carreira e tinha anunciado dois concertos nos coliseus de Lisboa e do Porto para abril de 2027, onde apresentaria um alinhamento com as canções feitas a solo e com os Trovante.

“É um nome sempre muito presente junto do grande público, quer com o grupo Trovante quer a solo. É um musico que cruza públicos, cruza muitas referências e marca muita gente mais jovem”, afirmou João Carlos Callixto.

Para o investigador, Luís Represas “foi sempre buscar novos músicos, de diversos quadrantes, de África, da América, nunca se fechou dentro de uma cápsula”.

“Havia sempre uma procura irrequieta de outras escritas e outras linguagens”, disse.

Nascido em Lisboa, em 1956, Luís Represas foi um dos fundadores dos Trovante, em 1976, e o grupo permaneceu ativo até aos anos 1990, editando, por exemplo, “Baile no Bosque” (1981) e “Cais das Colinas” (1983), fortemente inspirados na música tradicional portuguesa.

Nas décadas seguintes, os músicos seguiram caminhos a solo e o grupo voltaria a reunir-se para alguns concertos esporádicos, nomeadamente em 1999, em 2006, em 2017 e em março passado, com atuações esgotadas em Lisboa e no Porto.

Luís Represas lançou-se a solo em 1993, com o álbum “Represas”, fruto de uma viagem a Cuba, onde foi gravado, e do qual fazem parte músicas como “Fora de Tempo”, “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira”. O mais recente álbum, “Miragem”, é de 2024.

Da história de Luís Represas faz parte ainda o apoio à independência de Timor-Leste. A canção "Timor", com música de João Gil e letra de João Monge, que vinha do álbum do grupo "Um destes dias" (1990), voltou a juntar os Trovante em 1999 e transformou-se num dos principais temas da luta que levou à independência timorense. A letra viria a ser traduzida para tetum, por Xanana Gusmão.

Represas foi convidado pelo então Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio para o acompanhar na visita oficial a Timor-Leste, em 2000. Em 2016, seria condecorado com a Medalha da Ordem de Timor-Leste pelo Presidente Taur Matan Ruak.

Em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito - grau de Comendador.