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Nasceu na Chamusca, mas viveu maioritariamente em Coimbra. Cresceu rodeado de uma horta, de laranjeiras… Gostava muito de brincar com os ninhos, com carrinhos de miniatura na areia… O que mais recorda dessa infância?
O que mais me recordo, efetivamente, é que eu era um humilde brincalhão. Adorava subir às árvores, adorava pássaros, adorava ninhos. Adorava ver os ninhos, brincar com eles, mas não era para os destruir, era para ver os passarinhos. Era um miúdo do campo, completamente do campo, não brincava com os meninos “finos” lá da terra.
E também havia um piano velho, não é? A dada altura aproximou-se dele e começou a tocar modinhas… Foi aí que nasceu o bichinho para a música?
Muito novo mesmo! E sim, foi aí que comecei a tocar e a cantar. Com três, quatro anos, as pessoas perguntavam aos meus pais: «Mas isto o que é? Que professora é que ele tem?». Não tinha professora nenhuma! Aprendia tudo sozinho. Cantava umas coisitas que ouvia das minhas irmãs mais velhas, e de uma costureira que costumava lá ir a casa. Cantava modinhas…
E a mãe incentivava, não é?
Quando eu era pequenino, sim! Gostava mesmo que me chamassem «Menino Prodígio». O pior foi mais tarde. (risos)
Depois começou a aprender realmente o instrumento?
Não, nunca aprendi piano. Quer dizer… Tive aulas, mas não resultou. Ia na camioneta da carreira a Santarém, naquela altura em que ainda havia galinhas e cabras em cima. Ia, tinha lições, mas depois a professora tocava, e eu tocava logo a seguir o que ela fazia. Ficava muito admirada, porque nenhum aluno dela fazia isso. Eu descobri bastante mais tarde que tinha um ouvido «quase absoluto». Não tenho ouvido absoluto, mas tenho quase. Só que depois, aos 11 anos, saí do Ribatejo e fui viver para o sítio onde agora vivo, com os meus pais. E só voltava ao Ribatejo já para ver os meus amiguitos, que hoje são o núcleo duro lá da terra e que têm todos mais de 70 ou 80 anos. Nessa altura, em que cheguei à Anadia, os meus pais puseram-me, imediatamente, num colégio de jesuítas em Santo Tirso. Foi para onde eu fui.
Já nessa altura ganhava prémios… Cantava no coro!
Sim! Todos os anos ganhava o primeiro prémio de canto-coral no colégio. Uma vez dividi o primeiro prémio com outro menino, o Gonçalo. Ganhava todos os anos o prémio. Depois era muito desportivo, jogava futebol, jogava hóquei em patins, ténis de mesa… Todos os desportos que lá havia.
Nessa altura, cantava e tocava apenas por diversão. Não é? Ainda não sabia que seria esse o seu caminho…
Não, não. Eu preparava-me para chumbar com 12 anos, no segundo ano. Nessa altura os meus pais trouxeram-me para a Anadia, onde era mais fácil ter umas cunhas, porque eu era muito bom em letras, mas era um desastre em matemáticas.
Um horror. E então trouxeram-me para a Anadia e foi aí que aconteceu uma coisa muito engraçada. Havia miúdos que também tocavam e cantavam. Particularmente o Óscar que cantava muito bem, cantava rock’n’roll e tudo. Eu tocava piano. Era mais uma brincadeira...
A formação para si é uma coisa importante? Fala-se muito de dom e talento…
A formação tem dois gumes, e tu vês isso nos Beatles. Os Beatles, a partir do momento em que começaram a aprender as regras de composição, as escalas, perderam a espontaneidade toda. Depois da Anadia segui para Coimbra, onde já apanhei músicos de formação jazzística. Particularmente um pianista que me ensinou muito. Aliás, ele não me ensinou, eu é que estive a olhar para ele, a ver como é que ele fazia. Eram músicos de outros patamares, percebes? E foi com eles que eu dei um grande salto. Porque eu era vocalista do Orfeon, um grupo de jazz, também tocava vibrafone e, às vezes, acordeão. Foi nesse momento que eu percebi que era muito distinto. Não havia muita opção, embora eu tenha sido sempre uma pessoa muito desportiva.
Aliado à paixão pela música, estava a paixão pelo desporto… Já disse que era também uma forma de fugir um bocadinho aos seus pais… Qual a importância que o desporto teve na sua vida?
Era aquilo a que chamavam a mocidade portuguesa onde nós andávamos… As falanges salazaristas que marcavam passo e faziam saudações nazis. E eu, como ia para o desporto, não apanhava essas chatices. Tinha 12 ou 13 anos e não percebia bem o que era isso. O desporto era muito mais importante… Agora, chego aos 84 anos e aguento duas horas de concertos. Nunca fumei, nunca me meti em grandes maluquices.
E era tão bom no desporto como era na música?
Não! (risos) Quando tirei o curso de Educação Física, cheguei a campeão universitário de triplo salto, mas com uma marca miserável de 13,80 metros. Fui campeão universitário de ténis de mesa, jogava bastante e era o segundo melhor do Instituto de Educação Física. Também era o segundo nas categorias de ténis. Para mim, o desporto foi fundamental. Conheci, nesse meu curso, o Ruy Mingas, que escreveu depois Os Meninos à Volta da Fogueira. Conheci também o Rendeiro, que era da equipa de patins… Fiz tantos desportos, mas nunca fui bom em nada.
Era muito bom em letras e nas composições… Destacava-se dos seus colegas. As professoras até falavam de si como exemplo.
É verdade! Quando estava no liceu, e as professoras nos mandavam fazer as redações, normalmente, para desespero dos outros, que eram melhores alunos do que eu, elas usavam-me como exemplo. «Oiçam bem o que o Tavares escreveu, a redação que ele fez! Está brilhante!. E, ainda por cima, acrescentou um poema dele!».
Tinha 13 ou 14 anos quando escreveu a sua primeira música. «A andorinha voltou ao pôr do sol/ mas não trazia saudades de ti». Já disse que foi a bossa nova que o ensinou a cantar em português…
Era mesmo assim! Isso já foi em Coimbra! E sim, completamente! A Bossa Nova é que me ensinou a cantar em português. João Gilberto, Tom Jobim, e depois, mais tarde, fui amigo da Gal Costa. Tive o prazer de conhecer a Elis Regina que atravessou o Teatro São Luís para ir ao meu camarim dar-me os parabéns pelas minhas interpretações de umas músicas que eu cantei no Festival da Canção. Não ganhei, mas ela adorou ouvir-me cantar. Foi ao meu camarim de sorriso de orelha a orelha, que era uma coisa que ela não fazia para ninguém. Nunca foi uma pessoa fácil, mas para mim foi de uma simpatia extrema. Eu é que fui uma besta… Devia tê-la convidado para jantar. Fiquei completamente sem palavras.
Voltando atrás…Já admitiu noutras entrevistas que saltava a janela do colégio para ir tocar rock com outros colegas… Na altura ninguém tocava rock na cidade…
É verdade! Eu saltava da janela e os outros estavam à minha espera. Fazíamos rock and roll. Chuck Berry, Fats Domino, Elvis Presley... Foi uma escandaleira em Coimbra quando nós começámos isso, porque aquelas mamãs e as meninas dançavam todas valsas e tangos. E, de repente, aparecem quatro malucos. Eu tinha 16 anos…
Chegou a estudar Direito, mas trocou de curso para Educação Física. Entretanto entrou para os Quarteto 1111 e abandonou os estudos. Sentiam que estavam a fazer algo pioneiro no panorama musical português? Fazer rock em português nos anos 60 era quase um ato de afirmação cultural.
Foi 10 anos depois de Coimbra. Desisti de Direito – fiz quatro anos. Não era aquilo que eu gostava. Entrei então para Educação Física e ia tirar o curso facilmente, mas depois peguei-me com um professor que estava meio com copos a examinar-me. Eu sou um bocado alérgico a pessoas com álcool. Acabei por desistir. Faltam-me duas cadeiras, mas os meus colegas consideram-me todos um deles. Estamos a programar para breve um encontro numa casa que eu tenho no Ribatejo.
Relativamente ao ato de afirmação cultural… Custasse o que custasse. Fazíamos rock interventivo, não era o rock cor-de-rosa. Por exemplo: No tempo em que o Toninho lanchava com os amigos na pastelaria de São Bento, que é um título de 1970. Deve ser o título mais comprido de sempre na música portuguesa. Faço um discurso de Salazar em rock and roll. «Reuni esta assembleia para lhes propor uma ideia/ que ainda hoje me ocorreu há pouco tempo. /Mando transformar em ursos quem se atreva a dizer ‘não’/ como simples medida de precaução». Isto é completamente interventivo. Também é um tema que continuou a tocar nos concertos. Éramos uma banda maldita. Nós fomos completamente malditos.
Viu 28 canções suas censuradas pelo antigo regime… Gostava que regressasse um pouco a esses tempos….
Se calhar porque também foi o que escrevi mais. (risos) Não é que fosse mais coerente ou mais obstinado politicamente. Eu nunca fui obstinado politicamente! Eu vi sempre Portugal de uma forma muito diferente. Eu não era como os meus amigos: Zeca, Adriano, o Vitorino, por exemplo. Eu era um bocadinho perseguido pelo Ary dos Santos. Depois, absorvi muito aquilo que a Natália Correia me quis ensinar. Ela tinha poeticamente ideias muito à frente. A Natália era mesmo uma mulher muito à frente. Estava à frente do próprio Ary. A própria poesia dela é muito mais complicada. Ela adorava-me. Provavelmente eu sou o cantor com mais temas musicados da Natália. Com poemas originais, que nem sequer estão na antologia dela. E mais, também musiquei muita coisa que ela fez de transcrição para a língua atual do cancioneiro medieval.
E já disse que o 25 de Abril foi um dos dias mais felizes da sua vida…
Sim, claro que foi!
Quais foram as maiores mudanças que sentiu no seu quotidiano e na forma de trabalhar?
Limitei-me a ficar discretamente ao pé da minha família. A minha obra falava por mim. Não precisava ir para a rua gritar. Toda a gente gritava pelo Partido Comunista. Eu acho que hoje nem Estaline seria estalinista. O Partido Comunista é uma utopia cheia de gente muito interessante, mas que segue uma ordem e uma lei que vem de cima, e não muda. Álvaro Cunhal era de todos os políticos da sua geração o mais inteligente, o mais culto, o mais sagaz, o que tinha a melhor imagem na televisão, e o único que não mudava de ideias. É uma incongruência. Eu cheguei a dizer-lhe: «O senhor é um atentado à inteligência das pessoas!». Ele perguntou-me assim com um ar muito educado: «E porquê?». Respondi: «Porque você é o homem mais culto, mais criativo, mais talentoso de todos aqueles políticos que estão ali. E você, uma pessoa assim, tem que mudar de meia em meia hora. A inquietude de uma pessoa culta é não ter ideias pré-concebidas e mudá-las, melhorá-las. Você é uma deceção».
Eu adorei o António Costa nos primeiros anos de gestão. Adorava perguntar-lhe porque é que os últimos anos foram tão desastrosos. Não foram nada ao nível dele. Sempre fui e sempre serei um homem muito politizado. Não passo cheques em branco à política de nenhum. Se eu concordo com eles, digo-lhes.
O álbum ‘10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte’ tornou-se uma obra de culto. Considera que sempre esteve à frente do seu tempo? Sabia que esse disco seria o sucesso que foi?
Sim! Eu já vinha desde 1972 a escrever o álbum que só conclui em 78. Foram seis anos! O que é interessante é que eu achei que 10 Mil Anos Depois Entre Vénus e Marte era uma obra em que eu contava uma história com princípio, meio e fim. E essa história é o que prende, mesmo a nível mundial, porque está traduzida em inglês. Acho que é o que define muito o interesse do álbum. Quando eu acabo o concerto, particularmente os mais jovens, não querem sair de lá. Adoram a história de tal maneira, que não querem sair dali. Acreditam que a história não pode acabar. «Como é que ela continua? Agora é a vida real. Acabou o mundo das ilusões».
Considera-se um artista imprevisível. Já disse em tempos que preferia ousar e não ser conhecido a fazer coisas iguais aos outros. Muitos consideram-no também irreverente. Acha que em Portugal se valoriza suficientemente a ousadia artística?
Sim, eu sou muito irreverente. Desde a primeira hora, fiquei irreverente. Não estava para obedecer a ninguém! Ainda não estou! Repara… Eu tive duas avós, elas eram adoráveis, e eu recordo-as com muita saudade, mas não seguia os conselhos que elas me davam! (risos) «Tu tens que ser politicamente correto, tens que acatar a heráldica da família de onde vens». E eu dizia: «Está bem, avó! Vou fazer isso!». Não fazia nada! (risos) Sempre fui um rebelde na minha geração, mas um rebelde por minha conta. Não era por conta de partido nenhum.
A verdade é que ninguém faz o que o José faz aos 84 anos. Continua a fazer mais de duas horas de espetáculo, sem um ecrã à frente… Continua a lançar álbuns… Sabe todas as suas letras… Há algum segredo?
Primeiro trabalhei muito as minhas canções e tive que estudar muito as palavras. Raramente me esqueço das minhas letras. E, quando esqueço, quando tenho uma branca, como eu sou poeta, improviso ali num instante. Vou apanhar as letras ou os poemas mais à frente.
Diz que nunca ficou nervoso a entrar em palco… Ir para cima de palco continua a ter a mesma magia?
Completamente. É a coisa mais incrível que há. E as pessoas são tão simpáticas comigo. Eu só estou preocupado em entrar num palco se tiver a sair de uma gripe e não tiver com a minha voz toda no sítio. Sinto-me atrapalhado.
Sente que o país o valoriza? Tem sido muito homenageado ao longo dos anos…
Muito! No ano passado fiz 40 e tal concertos grandes. Só na área metropolitana de Lisboa fiz sete ou oito concertos. Começou logo com a passagem de ano na Praça de Comércio onde cantei para 200 e tal mil pessoas. 100 mil eram paquistaneses e indianos. Aí fiquei em pânico, mas depois lembrei-me que há uma coisa que é a nossa linguagem… Comecei a cantar fado. E quando acabei o fado comecei a cantar cenas do rock mundial. Isso agarrou-os, por isso, depois cantei as minhas músicas.
É um exemplo para as novas gerações… Aliás, é um dos cantores que une várias gerações. Conseguiu tornar-se um ícone para os mais novos. Ganso, Capitão Fausto, Mariza Liz… De que forma vê aquilo que se está a fazer de novo no nosso país?
Eu deveria ser exemplo para as novas gerações, mas não sou. As novas gerações não me seguem. Tem gente muito talentosa, mas que já sabe tudo.
Sente isso?
Sinto! Eu digo-lhes que me deviam ouvir, porque eu sou o cantor mais premiado de sempre na história da música portuguesa. Sou o único que tem um Grammy Mundial por Excelência Musical. O Carlos do Carmo também tem, mas é por Carreira. Sou o único que tem um álbum nomeado entre os 10 melhores álbuns do mundo…
Mas o que é que acha do trabalho que eles estão a fazer?
Acho que há gente que tem uma capacidade poética e musical muito interessante. Tenho uma grande admiração pelo Samuel Úria e o Salvador Sobral canta brilhantemente. Há tanta gente que canta tão bem.
Há algum que mais o tenha surpreendido? Com quem gostasse de gravar?
Das novas gerações? O Salvador Sobral! Mas ele nem sempre canta as músicas que a voz dele precisa. Ele gravou um tema meu: Pigmentação. Foi escrito em 1970 e foi a primeira vez, em Portugal, que se abordou na música a ideia da xenofobia e da segregação racial. Nem Bob Dylan tinha escrito nada assim. Eu escrevi e, ainda hoje, os miúdos querem que eu cante com eles.
Também já admitiu que acredita que a tecnologia está a estragar a música… Pode aprofundar?
O Zeca Afonso não precisou de tecnologia, pois não? Muito menos de inteligência artificial… Era naturalmente inspirado. A tecnologia tornou as coisas demasiado perfeitas e os computadores eliminam as desafinações que metade dos cantores e cantoras têm. Perde-se a autenticidade, mas valia fazer um outro take e afinar um bocadinho mais do que corrigir aquilo que se topa imediatamente que é fake. Mas eu não sou contra a ideia do digital. Só prefiro gravar no analógico… Continuo a fazê-lo.
Isso quer dizer que continua a trabalhar da mesma maneira?
Exatamente. Eu continuo a gravar muitas vezes sozinho para o gravador, depois chamo o meu produtor atual que também é meu guitarrista. Para fazer a mistura final, já traz o computador dele e quantiza as coisas mais certinhas. Mas às vezes eu peço-lhe que não ponha tudo certinho.
Tem cerca de 60 mil ouvintes/mês no Spotify. Está atento aos números? Qual a sua opinião sobre a evolução da forma de partilhar e ouvir música nos últimos anos?
Eu não sabia! Isso é uma coisa boa, não é? Para a minha idade então… Eu sou mesmo uma pessoa com muita sorte. Eu acho que estas plataformas onde agora se ouve música são obrigatórias. O Spotify paga uma côdea aos autores, eu ganho noutros sítios. Na rádio, continua a haver uma ditadura. Passam apenas alguns artistas, muitos estrangeiros… Os portugueses que passam, estão quase todos associados a multinacionais. É a última coisa que eu quero. Eu sei mais música que qualquer AR que esteja numa multinacional. Mas eu só quero fazer aquilo que gosto, da forma como gosto. Sempre foi assim!
Continua a passar muito tempo em estúdio?
Neste momento estou a gravar um álbum que não sei se não será o último. Já está bastante avançado…
Vai chamar-se ‘Jovem aos 80’. É assim que se sente?
Sim, até porque eu acordo sempre bem dormido e isso é muito bom para a minha saúde.
O que é que nos pode contar sobre este novo disco?
Acho que as pessoas vão ficar: «Nós nunca tínhamos visto ninguém fazer isto no mundo inteiro». E eu vou responder: «Mas fiz eu! Sou aquariano!». (risos) Eu tenho um músico extraordinário na minha banda que é o Amadeu Magalhães. É um músico de música popular. Transmontano que toca tudo o que possas imaginar. Além disso, ele domina todas as tecnologias do computador. Em todos os meus aniversários, ele entrega-me um original. Já tenho três músicas dele que estou a gravar em estúdio. Tiro os ossos todos à inteligência artificial, coloco tudo em acústico e fica tudo verdadeiro. Depois em canto. Estou deliciado a gravar estes temas.
Fui também buscar dois temas meus antigos. Um chama-se Na rádio, é um tema pop rock, e o outro é uma música que eu achei que me tinham roubado e que se chama Magia. Houve uma banda assim, semi-pimba, do norte, que a gravou. O vocalista dessa banda morreu e agora há um tributo que faz a minha música ser destruída. (risos) Gravei essa música toda de novo para fechar o álbum.
Gostava que me falasse um bonito do novo tema ‘Poesia’. Já estava na gaveta há algum tempo?
Fui escrevendo a parte poética com o Tozé Brito, e depois concluí-a musicalmente numa cena jazzística que é uma área que eu domino muito. A minha produção parece-me certa. Chamei os músicos certos. Não quer dizer que não houvesse melhores… Mas estes são fantásticos.
Que balanço faz de sete décadas de carreira? É um homem feliz?
É um balanço muito positivo. Enquanto eu tiver saúde e as pessoas de quem gosto ao meu lado, estou bem… Mas a felicidade é uma utopia. Nunca se é feliz por inteiro. Vemos crianças que sofrem na pele horrores e mesmo assim sorriem… Coitadinhas, não sabem o que é a felicidade, mas sorriem. É uma forma inconsciente de estar na vida, mas podem ter aproximações daquilo que é a felicidade.