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A ministra da Cultura, Juventude e Desporto considerou esta segunda-feira que os estragos provocados pelas intempéries na Região Centro poderão servir de impulso para concretizar intervenções há muito adiadas em museus e monumentos.
Durante uma visita ao Museu Nacional de Conímbriga, com passagem pelo campo arqueológico e pela Oficina de Mosaicos — encerrada durante uma semana devido aos danos causados pela tempestade Tempestade Kristin — Margarida Balseiro Lopes sublinhou que, apesar do caráter trágico da intempérie, algumas das intervenções agora previstas estavam há décadas por concretizar.
“Das poucas coisas positivas que podem resultar são algumas destas intervenções que estavam há muitas décadas para serem feitas”, afirmou.
Nova Oficina de Mosaicos até ao final do ano
Um dos exemplos apontados pela governante é a reconstrução da Oficina de Mosaicos. A atual estrutura, de caráter provisório e com mais de 40 anos, apresentava deficiências significativas, incluindo a presença de amianto.
“Estamos a falar de amianto. Nós agora temos verba suficiente para ter uma nova oficina, que estará perfeitamente enquadrada na paisagem”, explicou, citada pela agência Lusa.
A nova oficina deverá ser construída alguns metros à frente da localização atual, com um investimento estimado entre 1,2 e 1,3 milhões de euros. Segundo a ministra, a entidade pública Museus e Monumentos de Portugal prevê que a obra esteja concluída até ao final do ano.
Intervenções no âmbito do PRR
A requalificação da oficina decorre em paralelo com quatro empreitadas financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), atualmente em curso ou em fase de concurso, e que deverão estar concluídas entre junho e agosto.
Três intervenções incidem sobre estruturas defensivas do sítio arqueológico — Muralha do Alto Império, Muralha do Sector F e Bico da Muralha — enquanto a quarta prevê a instalação de rede wifi no museu e no campo arqueológico.
A ministra adiantou ainda que pequenas construções utilizadas por trabalhadoras do museu, atualmente sem condições adequadas, serão igualmente requalificadas.
Projeto ambicionado há décadas
O diretor do museu, Vítor Dias, destacou que a nova Oficina de Mosaicos representará “um ganho significativo”, tanto na capacidade de intervenção no campo arqueológico como na criação de uma eventual escola de formação em conservação de mosaicos.
A estrutura atual, recordou, “já era provisória na altura” em que foi criada, há mais de quatro décadas, sendo esta uma ambição antiga da instituição.
O conjunto das intervenções agora previstas poderá, assim, transformar um episódio de destruição numa oportunidade de modernização e valorização de um dos mais importantes sítios arqueológicos romanos em Portugal.