quarta-feira, 13 mai. 2026

Hospital de Sant’ana. Um palácio para os tuberculosos

Mandado construir por uma viúva em quem confluíram duas enormes fortunas, o Hospital Ortopédico de Sant’Ana continua a ser um modelo mais de 120 anos após a sua inauguração. Aqui, além dos tratamentos mais avançados, as crianças mais pobres tinham direito a luxos como água quente canalizada e badminton, como nos conta o funcionário que melhor conhece a história da instituição. Esta é a primeira parte da reportagem, que continuará na próxima edição.
Hospital de Sant’ana. Um palácio para os tuberculosos

A longa fachada, com os estranhos telhados achatados e as paredes onde a pedra esbranquiçada alterna com a tinta creme, é uma visão familiar a quase todos aqueles que passam na Marginal. Muitos dos que o veem através do vidro do automóvel sabem que se trata de um hospital com uma tradição centenária. Ainda assim, a extraordinária história do Hospital Ortopédico de Sant’Ana, na Parede, possui uma riqueza e dramatismo que poucos conhecem.

Para puxar o fio à meada, ninguém melhor do que Carlos Augusto Batista Anjos Teixeira. Com mais de quatro décadas ao serviço do Hospital Ortopédico de Sant’Ana, Carlos Teixeira é uma verdadeira enciclopédia viva acerca de tudo o que diga respeito à história e ao património da instituição. Além do conhecimento e da experiência, possui uma memória prodigiosa – e tem um gosto notório em partilhá-la com os visitantes.

«Uma coisa é nós lermos as fontes», comenta ao receber-nos, «outra coisa é conhecermos com as solas dos sapatos». Que é como quem diz, há uma aprendizagem que se faz através dos livros e um conhecimento íntimo que só pode obter-se diretamente no local. É isso que faremos, na sua companhia, através de uma visita guiada a este exemplar excecional de arquitetura hospitalar do dealbar do século XX.

Esplendor e tragédia entrelaçam-se de forma quase indestrinçável na origem deste hospital. A história começa ainda em finais do século XIX com Amélia e Frederico Biester, «um casal dono de uma fortuna fabulosa, que não tinha filhos».

Carlos Teixeira aponta como momento-chave a morte precoce de Cândida, irmã de Amélia, aos 28 anos, de «uma doença democrática, transversal à sociedade»: a tuberculose. Assim, quando o pai de Amélia morre em 1895, uma parte significativa da herança já tem o destino traçado: vai ser usada para a construção de um hospital para doentes tuberculosos.

Máquinas de pestilência

Até aparecer a teoria dos germes, a tuberculose «era considerada uma doença das almas sensíveis, uma ‘tara’ hereditária, a doença das paixões violentas, excessivas, daqueles que morriam de amores», continua Carlos Teixeira. Poetas, pensadores e artistas pareciam especialmente vulneráveis – o violinista Niccolò Paganini, o pianista Fréderic Chopin, o filósofo alemão Immanuel Kant, Franz Kafka e os pintores Eugène Delacroix e Paul Gauguin contam-se entre as suas vítimas. «Tinha índices de mortalidade absolutamente devastadores: a média, num século, era de 300 a 400 por 100.000 habitantes, com picos muito superiores. No período em que a Europa passava dos 150 milhões para os 300 milhões de habitantes, perto de 1 milhão de pessoas morriam – e nas zonas industrializadas».

Entretanto, começavam a ganhar força no meio médico e académico as teorias higienistas. «Um dos momentos determinantes foi o incêndio no Hôtel-Dieu de Paris, a 30 de dezembro de 1792», esclarece o nosso anfitrião. «Esse incêndio vai determinar que não podemos construir os hospitais como eram naquela altura – um hospital enorme, com capacidade para cinco mil doentes, que em alturas de epidemias chegavam a ser 9000. Tinha enfermarias com mais de 100 camas – uma delas, a enfermaria de Saint-Charles, tinha 113 camas, mas a lotação era de 600 doentes. Um tipo de cama mais larga, com 1,20m, 1,30m, levava três doentes na cabeceira e três nos pés. Enfermarias lotadas, má ventilação, pouco arejamento, pouca entrada de sol», enumera. «Como dizia um médico francês: ‘Os hospitais são verdadeiras máquinas de promover doenças, pestilência e morte’. Eram espaços de morte, não de cura».

A investigação ia acumulando cada vez mais indícios de que as doenças eram provocadas por microorganismos e que podiam transmitir-se de umas pessoas para as outras, pelo que se tornava decisivo ter espaços limpos e bem-arejados, com distanciamento entre os doentes. E os princípios da arquitetura hospitalar começaram a dar expressão a estas preocupações.

À dupla mecenas-arquiteto, que até aqui monopolizava a concepção dos edifícios hospitalares, junta-se um terceiro elemento, o médico higienista, que dá instruções precisas sobre como organizar o edifício em função do objetivo – a cura dos doentes.

O ano de 1899

«Aqui temos um casal com dinheiro, os melhores arquitetos e médicos a acompanhar os projetos». O primeiro deles foi o Dr. Sousa Martins, médico venerado pelos seus pacientes, protetor dos desfavorecidos, a quem se atribuem curas milagrosas (a sua estátua no Campo dos Mártires da Pátria continua a ser hoje objeto de culto). O combate à tuberculose foi justamente uma das suas prioridades, mas acabaria ele próprio por sucumbir à doença, optando por suicidar-se com uma injeção de morfina, em 1897.

Seguiu-se Bento Sousa, também ele um profissional com conhecimento de causa. «1899 é o ano em que acontece tudo nesta matéria: é o ano do primeiro Congresso Internacional de Tuberculose; o ano em que os médicos definem as orientações para a construção destas novas unidades hospitalares a que vão chamar sanatórios; o ano da fundação da Assistência Nacional aos Tuberculosos e da Liga contra a Tuberculose, um sob os auspícios da Rainha D. Amélia, e o outro sob a componente corporativa dos médicos; e, por fim, o ano das bases de lançamento do Serviço Nacional de Saúde que temos hoje, pelo Dr. Ricardo Jorge».

Fixe-se bem: 1899. É ainda neste ano que a Câmara de Cascais recebe o pedido de construção do projeto, autorizado quatro dias depois. «Muito parecido com o que se passa hoje», ironiza Carlos Teixeira. «Aquele edifício que está ali em cima», diz-nos, apontando para a unidade inaugurada em 2017, «levou anos a ser autorizado».

O projeto arranca, mas entretanto «morre o professor Bento de Sousa e morre a mulher dele; morre Frederico Biester, o marido de Amélia, tudo isto no espaço de dez dias». Aterrorizado com esta mortandade, que mais parece ser uma maldição, o arquiteto responsável, José António Gaspar, abandona o projeto. E ainda não era tudo. «Amélia também já estava tuberculosa e vem a morrer meses depois, em 1900».

Sucede que, antes de se despedir deste mundo, Amélia pede a uma tia, Claudina, uma viúva de 79 anos, que assegure a continuidade do projeto. «Em 1900, esta senhora tem a orientação do presidente da Câmara de Cascais, que no funeral da sobrinha lhe apresenta o futuro arquiteto deste projeto, Rosendo Carvalheira».

Carta branca aos arquitetos

Ao contrário do que acontecia noutros sanatórios, neste caso a vertente estética não foi descurada. Carvalheira vem acompanhado por uma equipa de quatro arquitetos e um conjunto de artistas plásticos «de topo».

«Este edifício vai ser esse novo paradigma, que tem um programa funcional e um programa estético, artístico, ao mesmo nível. Não vai ser um projeto barato», descreve o nosso guia. 

Não é barato nem podia ser, uma vez que «os homens contratados eram a crème de la crème nas suas áreas de conhecimento, homens que estiveram na fundação do Grupo de Leão, do Grémio Artístico e mais tarde da Sociedade Nacional de Belas Artes».

À cabeça, a liderar o projeto, surgia portanto Rosendo Carvalheira, arquiteto natural de Arcos de Valdevez, filho de um pedreiro e membro da Maçonaria.

Mas, com um prazo de três anos para concluir a obra, um homem sozinho não bastava. «Era preciso rapidez e um ímpeto muito grande». Carvalheira chamou para o coadjuvarem o talentoso Norte Júnior (autor do café A Brasileira e cinco vezes vencedor do Prémio Valmor), António do Couto, Marques da Silva (mais tarde autor da Casa de Serralves e um dos nomes mais influentes do modernismo) e Álvaro Machado.

Esta equipa de arquitetos notáveis teve carta-branca para pôr em prática as suas ideias, sem olhar a despesas – algo ainda mais excecional num período em que o país atravessava dificuldades financeiras e em que as encomendas escasseavam.

Dois bancos e muito cacau

Mas afinal de onde vinha todo este dinheiro que parecia nunca se esgotar? Já sabemos que Amélia e Frederico Biester possuíam «uma fortuna fabulosa». Vejamos agora as suas origens. Para o efeito, devemos recuar a Francisco e Fortunato Chamiço, dois irmãos de Gaia, que vão estudar para Inglaterra, no século XIX, e «vêm de lá com ideias extraordinárias», como assinala Carlos Teixeira. Comerciantes ligados ao vinho do Porto, cada um deles vai fundar um banco. «Fortunato funda uma caixa bancária que mantém durante 40 anos, até à sua morte. E passa-a a um empregado seu que tinha começado como estafeta do banco, um senhor chamado José Henriques Totta, que vai fundar o Banco Totta. Francisco, por sua vez, funda o Banco Nacional Ultramarino». Curiosamente, os dois irmãos, Fortunato e Francisco, casam-se com duas irmãs, Ana e Claudina Freitas Guimarães.

Já em Lisboa, estão ligados à navegação e cabotagem, e durante o Fontismo participam no financiamento de obras públicas, nomeadamente na expansão dos caminhos de ferro (incluindo a linha de Cascais). Ligados à Real Sociedade de Geografia, patrocinam ainda expedições em África. «E adquirem roças de cacau em São Tomé, o que lhes vai dar muito dinheiro… muito cacau», conclui o nosso guia.

Porém, nem toda esta opulência consegue protegê-los do infortúnio. Ambos acabam por morrer relativamente cedo, confluindo as duas fortunas em Claudina, que, sem descendência, se dedica de alma e coração a construir este sanatório-modelo.

Uma das novidades do Hospital de Sant’Ana é a subordinação da forma à função. «Até esta altura, todos os edifícios hospitalares, palácios dos reis e edifícios públicos, eram muito semelhantes: neoclássicos, com belíssimas e monumentais fachadas. Mas escondiam insalubridade interior. Este edifício marca este novo paradigma: a forma está subordinada à função. Se tem esta forma, é porque é a mais adequada para cumprir a função principal, que é ser uma máquina de cura».

Um verdadeiro queijo suíço

Carlos Teixeira chama a atenção para os «pavilhões estranhos» e os torreões, com zonas de exaustão do ar. «Parecem quase quiosques de Lisboa, só que têm grelhas em vez de terem os jornais pendurados e as revistas». «As grelhas funcionam como os flaps na asa de um avião, que abrem quando o avião está para aterrar. A elevação do próprio edifício também era uma novidade», continua. «A tipologia pavilhonar, que permite o isolamento das enfermarias, era definida como a melhor. Muito importante: estes edifícios hospitalares sanatoriais só devem ter um piso de enfermaria, não devem ter pisos superiores, porque eles sabiam que os ares infetos, mefíticos, são mais leves que o ar puro e, portanto, sobem e quem está por cima vai acabar por apanhar as doenças. Isso era o ideal, mas não se cumpriu na maioria das vezes, nem pouco mais ou menos, porque ocupava grandes áreas e ficava caríssimo. Este é dos raros casos em que se fez assim. E o mais interessante é que este projeto arranca em 1900 e é feito o lançamento da primeira pedra em 1901. E a lei que vai determinar em França os novos regulamentos hospitalares, que depois vão ser aplicados em Portugal, sai em França a 18 de Julho de 1903».

O Hospital de Sant’Ana não se limitava, no entanto, a cumprir os requisitos. «Para ter uma ideia, temos neste edifício janelas de abertura em eixo horizontal, mecanizadas. Cem anos depois, ainda ultrapassam os requisitos dos regulamentos de 2013 sobre como devem ser as janelas oscilobatentes para o sistema de ventilação natural».

O edifício, «completamente permeável e perspirante, torna-se um verdadeiro queijo suíço», explica o anfitrião. E, com tanta ventilação, não havia o risco de entrar frio nas enfermarias? O nosso anfitrião dá-nos uma resposta surpreendente: «O problema não era o frio, era a estagnação do ar. O frio até era bem-vindo. Provoca mais combustões interorgânicas e portanto faz com que necessitemos de calorias. Isso era bom para quem estava enfraquecido pela tuberculose. De tal forma que em determinadas zonas quentes chegavam a pôr coletes de gelo à volta das pessoas para elas arrefecerem e sentirem mais fome».

Em muitos lugares por essa Europa fora, nem eram necessários os coletes de gelo. «Em 1854, o Dr. Brehmer, alemão, vai criar nas montanhas da Silésia, em Görbersdorf, atual Polónia, um edifício neogótico, na procura destas condições de ar puro. E ele dizia o seguinte: ‘A regra do regulamento desta casa de cura’ – na altura ainda não se dizia sanatório – ’é janelas e portas abertas, dia e noite, Verão e Inverno’. Imagine, a 500 metros de altitude, na Polónia, o frio que não era. Mas eles diziam: se as pessoas têm frio, agasalham-se. Florence Nightingale, também uma higienista convicta, dizia isso: ‘As janelas dos quartos sempre abertas. E as portas sempre fechadas’».

Um edifício pensado no feminino

Há uma importante componente científica envolvida na conceção do Hospital de Sant’Ana. Mas a dimensão espiritual – patente desde logo no nome de baptismo do hospital – não foi descurada, como o demonstra a capela de inspiração neo-bizantina. O exo-nártex – uma zona de transição coberta, mas não fechada – «remete para o período paleocristão».

Carlos Teixeira mostra os tímpanos com o santo orago, Sant’Ana. «Vemos aqui Nossa Senhora a ser ensinada pela avó». E as mísulas, «em que vemos as andorinhas mães de asas abertas a proteger as crias». Acolher, proteger, cuidar: afinal é para isso que serve um hospital. «É um edifício pensado no feminino, protetor».

E os sapos em cerâmica? O que significam?

«Rosendo Carvalheira era muito amigo de Rafael Bordalo Pinheiro e trabalhou com ele na Tabacaria Mónaco, onde estão desenhados sapos jocosos, a ler jornais, a fumar charuto, a gozarem com o panorama. Rafael Bordalo Pinheiro não participou neste projeto. Estava doente. E no projeto inicial estes sapos não estavam aqui. O sanatório é inaugurado em 1904, a capela é inaugurada um ano depois, em 1905. Na minha perspetiva, foi uma homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro». Tudo bate certo, tendo em conta que o pai do Zé Povinho tinha morrido em 1905. Os sapos funcionam como gárgulas e deitam mesmo água pela boca.

No lado interior do nártex encontramos «a Nossa Senhora da Misericórdia, la Madonna del Popolo, a Senhora do Manto, que a todos protege. No fundo, é premonitório daquilo que vai acontecer: este edifício vai ser doado pela sua instituidora à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. E a Senhora do Manto aparece nas bandeiras icónicas das Misericórdias. Temos aqui a aurora e o ocaso – as crianças e os velhos – que vão ser os alvos da atenção de Claudina Chamiço. Ela vai definir que este sanatório marítimo será para 60 crianças do sexo feminino e 40 adultos, 20 homens e 20 mulheres. Sendo um sanatório privado, a senhora definiu que além do sanatório teria também uma unidade do que hoje em dia poderíamos apelidar de cuidados paliativos. Vamos agora tratar da alma», convida Carlos Teixeira.

Franqueamos a porta da capela, inaugurada a 10 de julho de 1905, dia de Santa Amélia. «Quem entra num hospital não está à espera de encontrar um trabalho deste calibre. Não é barroco, não é talha dourada, ostentação, nada disso, mas sim o retorno à época paleocristã e da construção das primeiras basílicas, no século IV depois de Cristo». Só faltam os mosaicos.

Precisão de milésimas

A planta evoca um corpo humano – o corpo de Cristo, naturalmente. «Temos aqui na abside a cabeça, o tronco no meio do transepto, criando esta cruz, e finalmente os pés virados para Oriente, como nos primeiros tempos do Cristianismo». Mais tarde, a orientação dos templos cristãos haveria de inverter-se – a cabeceira virada para o Oriente, os pés para Ocidente.

Nos detalhes decorativos há todo um programa de simbolismo religioso para decifrar e meditar – as videiras, o trigo, as garças, a pomba do Espírito Santo, o Sol, «um elemento importante de cura neste sanatório». Os vitrais mostram os santos onomásticos da família: «São Frederico e Santa Amélia, o casal que pensou o projecto. E em cima São Fortunato, São Francisco e Sant’Ana, o santo orago».

Antes de deixarmos este espaço, detemo-nos perante uma porta aparentemente comum. Mas só aparentemente, como nos explica Carlos Teixeira. «Todo este templo foi construído a partir dos números que estão presentes nesta porta: um metro de largura, dois metros de altura e a diagonal, que, naturalmente, é a raiz de cinco. O número de Phi, ou número de ouro, é isso mesmo: 1 mais ou menos raiz de cinco sobre dois. É um número interessante, que elevado ao quadrado é esse número mais um, é o quadrado dele próprio, e está presente nos girassóis, nas conchas dos nautilus, no voo dos condores, nas espirais logarítmicas, no retângulo de ouro… e tem o mesmo rácio que um cartão multibanco. Como se dizia na Antiguidade: ‘É através dos números que Deus fala com os humanos’. Eu já medi esses rácios com laser e têm uma precisão de milésimas, imaginem o rigor. E acabam por criar estes números irracionais, não compreensíveis, porque no fundo é um elemento finito representado por um número infinito. Isto remete-nos para o divino, para o corpo de Jesus. É finito e infinito, é homem mas também é Deus».

Tubagem de proporções bíblicas

Deixamos a capela, o lugar onde se trata da alma, e dirigimo-nos ao hospital propriamente dito, onde se tratam as maleitas do corpo. Encontramo-nos, concretamente, num dos corredores que ligam os pavilhões. «O que vemos aqui é já um espaço salubridade», anuncia Carlos Teixeira. «Sabia-se que o ar infecto subia e quando chegava ao teto não saía. Ficava por ali até a entropia entrar e começar a baixar a temperatura e o ar vir por aí abaixo até chegar à nossa cota. O que vamos ver aqui parece um simples corredor de um hospital. Vemos aquelas portadas rasgadas até o teto, com a luz a entrar – ao meio dia iam ver os raios, a glória de Deus a entrar aqui pelo corredor», graceja. «Das 11 até às três, o sol a entrar aqui tem dois efeitos: o efeito germicida, porque é nessas horas que os ultravioletas têm um comprimento de onda que é germicida, e ao mesmo tempo aquece o ar, e ao aquecer o ar cria um diferencial térmico e dá-nos uma zona de ar fresco. No edifício do século XXI aqui ao lado, vamos encontrar os sistemas de ventilação e controlo das atmosferas, mas modernos, com ventilação forçada, filtros HEPA e, em determinadas zonas, tubagens translúcidas com lâmpadas de ultravioleta C que têm o comprimento de onda exatamente do sol do meio-dia. Portanto, aqui é como se estivéssemos dentro de uma tubagem de ar condicionado do século XXI, mas de proporções, diria eu, bíblicas. Portanto, não é um corredor, é uma máquina de ventilação germicida. O edifício per si, sem ninguém fazer nada, já está a ajudar os processos de cura. E porquê tantas janelas? Isto era caríssimo. A grande parte dos vidros que vos vou mostrar são em cristal. A gente sabe como é caro, se construir uma vivenda, pôr muitas janelas. As pessoas começam a reduzi-las. Mas aqui o princípio é quanto mais luz entrar, mais saudável é este espaço». Como sempre, não se olhou a despesas.

(continua na próxima edição)