quinta-feira, 14 mai. 2026

Harry Potter. Por trás da magia

A pouco mais de oito meses para a estreia da nova série da HBO de Harry Potter, a plataforma de streaming lançou um pequeno documentário sobre os bastidores da produção. ‘À Procura de Harry: A Arte Por Trás da Magia’, mostra-nos como é que tudo foi pensado e construido
Harry Potter. Por trás da magia

O mundo mágico está a preparar-se para mais um retorno a Hogwarts e, desta vez, antes mesmo de mergulharem realmente nesse imaginário, os espectadores têm um lugar na primeira fila para ver como a magia acontece e como «renasceu» esse universo.

A série Harry Potter, que tem estreia marcada para dia 25 de dezembro, foi concebida como uma adaptação em grande escala e com várias temporadas dos romances de J.K Rowling, onde cada livro terá a sua própria temporada. E, para aguçar a curiosidade dos fãs, a plataforma de streaming lançou, no dia 5 de abril, o documentário À Procura de Harry: A Arte Por Trás da Magia. Narrado por Nick Frost, que interpreta Hagrid na série, e com a participação de membros importantes do elenco, incluindo John Lithgow, Janet McTeer e Paapa Essiedu, este especial exclusivo promete um olhar privilegiado sobre a escala épica e o cuidado meticuloso por trás da nova série. Nele, assistimos a entrevistas com os membros do elenco, direção de casting, arte, cenários, figurinos e efeitos especiais. Ou seja, em vez de revisitar pontos já conhecidos da história, o documentário concentra-se nas pessoas responsáveis por dar vida a esta nova versão.

A escolha dos atores

A produção divide-se em cinco partes, cada uma delas dedicada a uma área diferente da construção da série. Na primeira – ‘Lançar um feitiço’ – conhecemos Emily Brockmann e Lucy Bevan, diretoras de casting. «Parámos de contar aos 40 mil», diz a primeira, referindo-se ao número de crianças que participaram na audição. «Mas vimos todos!», garante a colega. «Procurávamos uma criança que, à primeira vista, podia parecer vulgar, mas que acabava por ser extraordinária», adianta Emily Brockmann. A equipa queria que todas as crianças do Reino Unido pudessem participar nos castings e enviar as audições online. Depois, foram a Manchester, Escócia, Irlanda e Cardiff (País de Gales).

Começaram por procurar o Harry, o Ron e a Hermione e, segundo as mesmas, tiveram a sorte porque, depois de se conhecerem, os protagonistas tornaram-se verdadeiramente amigos. Isso era essencial para que a série funcionasse. Alastai Stout, que dá vida a Ron, foi encontrado em Manchester e «mostrou-se logo engraçado e encantador». Arabella Stanton (Hermione) foi encontrada em Londres – o seu riso foi fundamental para a escolha. As diretoras de casting queriam uma criança alegre e que mostra-se maturidade emocional. Já Dominic McLaughlin (Harry) foi encontrado em Glasgow. Emily e Lucy precisavam de uma criança de 10 anos que fosse «um bom ator». O jovem apresentou-lhes um poema que escreveu sobre o fim de semana e as duas ficaram automaticamente rendidas. Acharam-no logo muito interessante. Dominic tinha uma «confiança tranquila».

Cenários, criaturas e vestuário

Segue-se o separador ‘A medida da magia’ onde Dominic Sikking (Designer gráfico) fala dos detalhes dos cenários. Segundo Mara LePere (Designer de produção), «poder construir numa escala como esta é o sonho de qualquer designer». «Estamos a tentar capturar a alegria e a ludicidade do que significa ser uma criança mágica (...) Quando o 1º livro do Harry Potter saiu, sentíamos que era algo tão original… Acho que todos partilharam a experiência de achar aquele mundo incrível e que seria ótimo poder tocá-lo. E queremos captar esses momentos de descoberta que encontramos nos livros (...) Brincar numa caixa de areia tão grande é incrível. Mas estamos a adicionar um nível de construção de mundo para lá daquilo a que o público está familiarizado», revela enquanto vemos imagens dos cenários. «Há imensa reflexão por trás disto para não desiludirmos os fãs», garante a designer de produção.

Segundo Janet Meteer, que interpreta a professora McGonagall na série, «ao entrarmos no Salão Oval pela 1º vez, é como entrar numa catedral». «É algo tão mágico, tão grande, tão lindo!», afirma. Para si, o momento mais marcante até agora, foi quando ouviu «os alunos de 1º ano» entrarem no espaço pela primeira vez, durante as gravações. «Foi tão icónico e simbólico!», lembra.

O documentário mostra depois a importância que a natureza tem na série. Na ‘A Magia da Natureza’, Mara LePere partilha que, nas conversas Francesca Gardiner (showrunner/ roteirista) e Mark Mylod (produtor executivo/ diretor) sobre os valores centrais da série, «havia uma espécie de desejo inerente de a enraizar no naturalismo». No centro de Harry Potter, «a natureza é a raiz da magia», e isso está muito visível nos cenários. «Este projeto é tão fascinante. Há tanta sobreposição e cooperação entre os departamentos para capturar estes conceitos e temas e os pronunciarmos em vários níveis diferentes. Para cada expressão de magia, tentámos fazer uma análise crítica de como se liga ao que dizemos que a magia realmente é», explica a designer de produção.

A quarta parte do documentário – ‘Vida Artesanal’ –, coloca-nos em contacto com a robótica das criaturas. John Nolan (Creature Effects Design Supervisor), trabalhou nos filmes três e quatro da saga e volta agora com tecnologia ainda mais avançada. «Todas as criaturas que construímos, quer seja uma coruja ou um rato, criaturas ou seres humanos, começam com o mesmo processo… Uma extensa pesquisa sobre a natureza», refere. Por exemplo, observar e ver como uma coruja se pode mover, e copiar esse movimento com a ajuda da robótica. «Dentro dos robôs temos todas estas articulações, peças de metal e de plástico. O nosso trabalho é que o movimento pareça orgânico», sublinha. As penas são colocadas uma a uma na rede que cobre o robô e depois são coladas. São cerca de 36 mil penas por coruja e foram feitas cerca de 10 para a série.

Para terminar – ‘Tecer a História’ –, ficamos a conhecer a forma como foram pensadas, desenhadas e construídas as roupas do elenco. «A história passa-se em 1991 e fizemos um estudo completo do que as pessoas vestiam nessa altura (...) Não podemos viajar no tempo se não tivermos as roupas certas», afirma Molly Waddington (Costume Designer). «Queríamos que os Muggles parecessem o mais verdadeiros possível (...) Tentámos mesmo criar um verdadeiro contraste. As roupas dos Muggles preferem tons pastel, cores muito frias e tecidos sintéticos», detalha. A equipa responsável pelos adereços procurou roupas em lojas vintage e vendas de garagem e, com os tecidos, criaram as peças para os atores.

Para os feiticeiros: «O Mark e a Francesca queriam que o design incluísse muita natureza», acrescenta. E foi através de processos naturais muito imperfeitos que o conseguiram, como estampagem de folhas e pinturas à mão. Os responsáveis por este departamento fotografaram pessoas na rua, inspirando-se em looks «mais fora da caixa». Ou seja, foi tudo inspirado na realidade. E será desta forma que uma nova geração descobrirá a magia.