quarta-feira, 13 mai. 2026

Guernica abre pequena ‘guerra civil’ em Espanha

«Não tem apenas significado cultural, trata-se de um dever democrático», lia-se no pedido
Guernica abre pequena ‘guerra civil’ em Espanha

O ministro da Cultura espanhol já respondeu ao pedido do Partido Nacionalista Basco para expor a Guernica, a pintura de Picasso que representa um dos episódios mais negros da Guerra Civil, no Museu Guggenheim de Bilbau. «Os relatórios são claros e desaconselham a remoção da peça devido aos riscos envolvidos», declarou Ernest Urtasun. «A minha obrigação é preservar este património», completou o ministro.

Os nacionalistas bascos haviam solicitado a deslocação da pintura para assinalar a o 90.º aniversário do primeiro governo basco (1936) e do bombardeamento da cidade basca de Guernica no ano seguinte. «Não tem apenas significado cultural, trata-se de um dever democrático», lia-se no pedido. O presidente do Governo do País Basco, Imanol Pradales, defendeu que levar o quadro até Bilbau «seria um gesto de memória histórica e de reparação simbólica para com o povo basco» e pediu a Pedro Sánchez a «coragem política» para dar luz verde à iniciativa.

Para justificar o veredito negativo, o ministro da Cultura invocou os pareceres emitidos pelos especialistas: «Os relatórios são claros e desaconselham de forma cabal o transporte da peça [...] por causa dos riscos que acarretam as vibrações inevitáveis em qualquer transporte e que podem provocar novas fissuras, levantamentos, perda de camadas pictóricas ou até mesmo rasgões».

Sucede que os técnicos que desaconselham a viagem da pintura não são parte desinteressada do processo. Pertencem à equipa do Museu Reina Sofía, que tem indubitavelmente na Guernica a sua joia da coroa.

O episódio pintado por Picasso ocorreu a 26 de abril de 1937, quando aviões da Legião Condor da Luftwaffe (a força aérea alemã,) a pedido de Franco, bombardearam a cidade revoltosa de Guernica durante três horas consecutivas, fazendo mais de 1500 mortos. Ao saber da notícia, o pintor, que vivia em Paris, prestou homenagem às vítimas numa tela monumental em tons de branco, preto e cinzento, na qual, além das figuras desesperadas, surge um cavalo a relinchar que simboliza o povo espanhol e um touro que representa a brutalidade do regime fascista de Franco.