Gonçalo M. Tavares continua a somar distinções ao seu já longo e notável currículo, confirmando a cada dia que passa o veredito de António Lobo Antunes, que dele disse ser «o mais cotado» da sua geração. Na passada terça-feira, a Fundação Formentor anunciou a atribuição, por unanimidade, do Prémio Formentor de Letras ao autor português. «Por revelar as implicações inesperadas de uma humanidade assustada consigo própria, por narrar a epopeia paradoxal da desorientação contemporânea, pela ousadia com que construiu uma narrativa livre das tentações do óbvio, o júri atribui o Prémio Formentor de Literatura ao escritor português Gonçalo M. Tavares», justificou o júri.
Os elogios não ficam por aí. O comunicado sublinha também a «originalidade deslumbrante» e a «imaginação vigorosa» do autor, concluindo que Tavares contribuiu para «enriquecer a escola da grande literatura com a sua obra».
À Lusa, o escritor mostrou-se surpreendido com a distinção, notando que «os primeiros vencedores foram o Jorge Luís Borges e o Samuel Beckett, e logo aí é uma fasquia enorme, é uma fasquia altíssima». Entre os laureados mais recentes, contam-se nomes como Roberto Calasso, Javier Marías e o Nobel Laszlo Krasznahorkai – «É tanta gente extraordinária que eu fico muito quase espantado».
Mas Tavares tenta manter-se completamente imune ao ruído e à pressão do sucesso, para continuar a escrever o que quer, com total liberdade. «Tenho uma espécie de bunker temporal e espacial», disse há um ano ao Nascer do SOL. «Posso nem todos os dias escrever, mas pelo menos tenho de ter três, quatro horas de isolamento. Estar sozinho, para mim, é uma necessidade básica».
Gonçalo M. Tavares é o primeiro autor português galardoado com Formentor, prémio instituído em 1961 por destacados editores de Espanha, França, Itália, Alemanha e Estados Unidos, e que tem associado um valor de 50 mil euros.