quinta-feira, 11 jun. 2026

‘Fidju di Tchon’ é a primeira exposição fotográfica de Marta Durán

A exposição ficará patente até agosto de 2026, no Grémio Cezimbrense, em Sesimbra

A fotógrafa e viajante Marta Durán - mais conhecida pelo projeto Boleias da Marta -  apresenta a mostra ‘Fidju di Tchon’, um trabalho construído ao longo de quase uma década de ligação à Guiné-Bissau.

Segundo o comunicado enviado à nossa redação, a exposição - que vai ser inaugurada no próximo dia 30 de maio de 2026, às 18 horas, no Grémio Cezimbrense, em Sesimbra -, é «uma viagem fotográfica que mostra a Guiné-Bissau como nunca se viu». 

«Entre idas e regressos, ‘Marta di Guiné’, como é carinhosamente chamada no país, foi-se afastando do conceito de viagem como mera passagem, para descobrir um sentimento de pertença, uma presença endémica, cada vez mais enraizada», lê-se no texto, que acrescenta que a exposição nasce «de uma relação incessante com este ‘chão’, uma terra quente, intensa, plena de contrastes, de diálogos contínuos entre a ancestralidade e a atualidade».

Através de um olhar atento às pessoas, aos ritmos e às histórias que persistem no quotidiano, surgiu ‘Fidju di Tchon’ - expressão crioula que significa «filha da terra» – uma exibição que reúne mais de 26 fotografias captadas ao longo deste percurso, «revelando um país onde passado e presente coexistem no quotidiano, de forma orgânica, em camadas de história que se cruzam e se reinventam».

«Num percurso que atravessa diferentes regiões e realidades do país, a exposição reúne imagens que documentam temas centrais da vida guineense, desde o quotidiano das comunidades costeiras de Elalab - onde a pesca e as marés continuam a ditar o ritmo da sobrevivência - até às dinâmicas de escassez de água em Tite, onde o acesso ao único poço da aldeia organiza a vida comunitária», adianta o comunicado.

«Sempre que me despeço da Guiné-Bissau, ficam as saudades, ou, como se diz em crioulo, disdjau. Há um pedaço de mim que fica nesta terra.  Há sempre lugar para mais um ‘bin na cumi bianda’, vem comer arroz. Aqui, o ‘no sta djunto’ - estamos juntos - é muito mais que uma expressão, é uma forma de estar. Guardo uma coleção de bons momentos que me fazem sentir ‘fidju di tchon’, filha da terra. E, por mais mundo que conheça, o regresso fica sempre prometido a este povo que sofre, mas nunca deixa de sorrir, à Guiné-Bissau», disse a fotógrafa citada no mesmo texto.

‘Fidju di Tchon’ oferece um retrato plural, interior e contemporâneo do país, onde cada fotografia «funciona como testemunho vivo das tensões, transformações e forças que moldam o território». Pela lente de Marta, «as imagens exploram a proximidade, a intimidade e a construção de confiança, propondo uma leitura sensível de diferentes comunidades e contextos».

A inauguração da exposição contará com uma programação complementar inteiramente dedicada à Guiné-Bissau. Às 19h00, será exibido o documentário ‘Bemba di Vida’ (45 min), sobre o arquipélago dos Bijagós, realizado e produzido pelo videógrafo João Matos e pela Marta Durán, seguido de um jantar temático guineense, às 20h00, (mediante reserva). A noite termina com um concerto de Demba Djabaté, às 21h30. A exposição ficará patente até agosto de 2026, no Grémio Cezimbrense.