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A 46.ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto vai exibir cerca de 100 filmes, dos quais 31 em antestreia, provenientes de 29 países dos cinco continentes, entre 27 de fevereiro e 8 de março, no Cinema Batalha. Para os organizadores, esta forte presença internacional é um “sinal de reconhecimento” do festival, que se assume como um verdadeiro “ato de resiliência”.
Os diretores do Fantasporto, Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira, destacaram o prestígio internacional do evento, lamentando, contudo, o “quase abandono e ausência” de apoios por parte das entidades públicas nacionais.
“Recebemos cerca de 800 curtas-metragens e 300 longas-metragens para seleção, vindas de países dos cinco continentes, da Mongólia à Austrália, da África do Sul à América Latina”, revelou Beatriz Pacheco Pereira. “São filmes recentes, de autores consagrados e novos talentos. A nossa coroa de glória é termos 31 antestreias nesta edição”, acrescentou.
Apesar do reconhecimento internacional, Mário Dorminsky sublinhou o impacto dos cortes financeiros: “Conseguimos isto tudo mesmo depois de um corte brutal no financiamento. Temos um orçamento muito mais baixo do que no passado, o que também limita o futuro”.
Por isso, reforçou Beatriz Pacheco Pereira, citada pela agência Lusa, o Fantasporto é hoje mais do que um festival: “É um ato de resiliência no Porto”.
Cinema contemporâneo e marcas da atualidade
A programação de 2026 reflete fortemente a realidade contemporânea, com filmes que abordam temas como a inteligência artificial, incluindo obras totalmente criadas por IA, e a emigração. “São olhares modernos, com mensagens reais”, destacou a diretora.
Entre os destaques internacionais está o regresso em força do cinema espanhol, latino-americano e asiático, bem como uma retrospetiva dedicada ao cinema norueguês, em parceria com o Norwegian Film Institute e o Film Forbundet, integrada no projeto Belt and Road Alliance, do qual o Fantasporto é membro fundador.
Na retrospetiva norueguesa serão exibidos títulos como “Don't Call Me Mama” (Nina Knag), “My Uncle Jens” (Brwa Vahabpour), “Armand” (Halfdan Ullmann Tondel), “Loveable (Ekskling)” (Lilja Ingolfsdottir), “Thelma” (Joachim Trier), “Kitchen Stories” (Bent Hamer) e “What Will People Say” (Iram Haq).
Do cinema espanhol destacam-se, entre outros, “Luger” (Bruno Martín), “Bajo Tus Pies” (Cristian Bernard), “Gaua” (Paul Urkijo Alijo), “El Susurro” (Gustavo Hernández Ibáñez), “No Dejes los Niños Solos” (Emilio Portes) e “Vacío” (Javier Cano Larumbe).
Do Oriente, o foco recai sobretudo sobre a China e o Japão, com destaque para o realizador japonês Eiji Uchida, que apresentará no Porto o seu mais recente filme, “Eternals”.
Cinema português em competição
No cinema nacional, concorrem ao Prémio de Cinema Português – Melhor Filme 2026 as longas-metragens “Paramnésia”, de Tiago “Ramon” Santos, e “Cativos”, de Luís Alves, esta última também integrada na Semana dos Realizadores.
A secção portuguesa inclui ainda várias curtas-metragens, como “Estou Aqui” (Ana Rita Martins), “Manhã, na Montanha” (Luís Miranda), “Falling Forward, Slightly” (Vasco Viana), “Dentro de Mim” (Daniela Pereira Marques) e “Corça” (Maria Lima), entre outras.
Abertura, encerramento e atividades paralelas
O festival abre com a estreia de “Bakudan”, do japonês Akira Naguai, e encerra com “After Us, The Flood”, do finlandês Arto Halonen.
A Semana dos Realizadores inclui filmes como “Wild Nights, Tamed Beasts” (Wang Tong), “Lopsided” (Tara Illlenberger), “Papa Buka” (Biju Damodaran) e “Don't Call Me Mama” (Nina Knag), entre obras da Ásia, África e Europa.
As escolas de cinema portuguesas voltam a marcar presença com produções de estudantes de várias instituições de ensino superior.
Destaque ainda para o Fantasporto Summit, que em 2026 inclui várias talks sobre o estado atual do cinema, complementadas por apresentações de livros de autores como Artur Manso, Danyel Guerra, José Carlos Pereira e Francisco Duarte.