quinta-feira, 14 mai. 2026

Entre "genial" e "desilusão": afinal há um motivo para Justin Bieber ter usado o Youtube durante o concerto no Coachella

Uns dizem que foi "preguiça", outros falam em "golpe de génio". Os pormenores dos concertos de Justin Bieber num dos maiores festivais do mundo.
Entre "genial" e "desilusão": afinal há um motivo para Justin Bieber ter usado o Youtube durante o concerto no Coachella

Era um dos artistas mais aguardados de um dos maiores festivais do mundo: para uns, Justin Bieber superou as expectativas; para outros, foi pouco para "cabeça de cartaz" nos dois fins de semana do festival.

O início "banal"

Justin Bieber apresentou-se em ambos os concerto como já se esperava: roupa larga, capuz na cabeça, palco sem efeitos, apenas com uma plataforma gigante onde o cantor (e os convidados) circulavam. Começou com temas dos álbuns mais recentes, Swag e Swag II, e já aí o público vibrou com o artista de 32 anos.

O regresso nostálgico

Mas a nostalgia foi crescendo a cada minuto do concerto.

Logo no início, quando cumprimentou as milhares de pessoas que o assistiam, Bieber dirigiu-se à câmara que filmava o concerto em direto para quem não estava presente, em Palm Springs, e pediu-lhes que comentassem músicas que gostariam de ouvir durante o concerto. Começou com um tema recente pedido nos comentários: "All the way", do álbum Swag II, de 2025.

Antes da viagem nostálgica, contou, no primeiro concerto, com a presença de The Kid LAROI para cantarem a música "Stay", de 2021.

Desde o início do espetáculo que Bieber tinha uma mesa no cenário, onde tinha o seu MacBook - que só mais tarde se percebeu para que serviria durante a atuação.

"Eu sinto que temos de vos levar numa pequena viagem", repetiu o cantor várias vezes, antes de levar o público a um regresso aos primeiros anos de carreira, já sentado em frente ao computador.

O cantor abriu a plataforma do Youtube e começou a pesquisar músicas antigas suas, com o público a vibrar cada vez mais. Começou com o seu maior "hit", "Baby", que marcou várias gerações aquando do começo de Justin Bieber na indústria da música. "Conheciam esta?", questionou, antes de acrescentar: "Mas quão longe no tempo vocês conseguem mesmo ir?".

Seguiram-se músicas dos seus primeiros álbuns, como "Favorite Girl", "That Should Be Me", "Beauty and a Beat", em colaboração com Nicky Minaj (e a música com que o público mais vibrou), "Never say Never", "Confident" e "All that Matters": todas lançadas entre 2009 e 2013. No segundo concerto, foi mais longe, com "One Less Lonely Girl", que contou com a presença surpresa (até para a própria) de Billie Eilish em palco, sua fã assumida desde criança.

Após este início de viagem, Justin Bieber continuou a surpreender ao pesquisar um "cover" da música "With You" de Chris Brown, que publicou naquela plataforma em 2008. Este foi um dos momentos mais emocionantes do concerto, onde Justin Bieber cantou a olhar diretamente para o ecrã gigante com a sua imagem quando tinha 14 anos.

Continuou com os vídeos mais amadores e antigos, incluindo um outro "cover", da música "So Sick" de Ne-Yo, que gravou em 2007. "19 anos. É uma loucura", afirmou.

No segundo fim de semana, manteve os covers, cantando uma música de Justin Timberlake.

Os êxitos não ficaram por aí (apesar de problemas no Wi-fi): "Sorry", "I Need You" e "I'm The One" voltaram a por a multidão aos saltos naquele que foi o maior concerto de Justin Bieber desde o cancelamento da "Justice Tour", em 2022, devido a uma paralisia facial após ter sido diagnosticado com síndrome de Ramsay Hunt.

As atuações seguiram-se de vídeos icónicos seus, como quando bateu contra uma porta e foi filmado por paparazzis em adolescente, ou quando caiu do palco durante um concerto. Foi neste último momento que os fãs começaram a entoar a música "Fall" de Bieber, que os acompanhou, emocionado. Mostrou ainda o vídeo que fez os seus fãs questionar o seu estado mental, após ter uma discussão com um paparazzi. "Não estás a perceber, eu estou a tratar dos meus assuntos", grita no vídeo.

A partir daqui, o concerto continuou, com músicas mais recentes e com a participação de Dijon, Tems, Wizkid e o guitarrista Mark Knopfler (MK) no primeiro fim de semana e de SZA, Big Sean e Sexyy Red.

As críticas à "monotonia"

O concerto de Justin Bieber no Coachella contrastou com o do dia anterior, de Sabrina Carpenter, que preencheu o palco de cor, acessórios e efeitos especiais, além de vários dançarinos que a acompanham.

"Foi uma das piores atuações do Coachella", "A performance de Justin Bieber foi desrespeituosa e previsível, infelizmente" e "O Justin Bieber fez a performance mais aborrecida de sempre, aceitem-no", são exemplos dos milhares de comentários a criticarem o espetáculo.

No entanto, os fãs do cantor garantem que esta foi uma performance "genial" e que foi uma viagem no tempo que Bieber fez com quem o apoiou desde o início da carreira que, conforme o próprio já revelou, não foi fácil enquanto adolescente.

Mas... afinal o Youtube foi "a única hipótese"

Todos esperavam ansiosamente pelo regresso de Justin Bieber. As previsões dos fãs não deixavam de incluir um regresso nostálgico, com as músicas que marcaram gerações: e Justin Bieber não queria desiludir. No entanto, o Youtube era a única forma de o fazer, já que vendeu todo o seu reportório musical em dezembro de 2022.

O artista canadiano terá vendido os direitos da sua música à Hipgnosis Songs Capital por mais de 200 milhões de dólares (cerca de 170 milhões de euros), o que explica o porquê do foco em cantar na totalidade as músicas dos álbuns lançados após 2022, mas não as mais antigas.

Fontes próximas do artista terão explicado ao Daily Mail que, apesar da fortuna que angariou desde o início da carreira, em 2022 Bieber estava a passar por uma "fase difícil" que o levou a vender os direitos das suas músicas.

Neste sentido, se os fãs queriam ouvir as músicas que marcaram a sua adolescência, esta era a única hipótese.

De qualquer forma, Justin Bieber subiu para primeiro lugar no ranking de artistas mais bem pagos de sempre no festival Coachella, tendo recebido 10 milhões de dólares (mais de 8 milhões de euros) para atuar no festival que atrai mais de 100 mil pessoas por dia.

[texto editado por Joana Ludovice de Andrade]