sexta-feira, 12 jun. 2026

Elisa Ochoa. Ar, água, terra e fogo

Nesta exposição inaugurada a 8 de maio, na Galeria António Prates, em Lisboa, a artista trabalha os quatro elementos da terra através de várias técnicas e suportes, alertando para a sua importância.
Elisa Ochoa. Ar, água, terra e fogo

Iniciou a sua atividade artística profissional em 2008, com uma estreia expositiva em Lisboa. Formou-se em Filosofia, na capital, e fez o mestrado em Estética e Filosofia da Arte. Em 2000 foi morar para Nova Iorque, cidade onde passou nove anos. No princípio, o seu trabalho estava mais ligado à parte teórica, de reflexão. «O que é a arte? Porque é que existe? Como é que nós podemos identificar o mundo da arte em nós mesmos e nas nossas relações?». Esse era o seu ponto de partida para, no fundo, «desenvolver os seus gostos pessoais». A sua ideia era ser artista performativa para trabalhar não só na parte do teatro e cinema, como também na parte da intervenção, do corpo e da dança. «Era isso que eu queria fazer e ainda o fiz durante uns cinco anos, mas depois acabei por ir, inevitavelmente, navegando pela pintura e pelo desenho no corpo, que eram coisas que me fascinavam», conta Elsa Ochoa à VERSA, acrescentando que também teve algumas influências e inspirações de amigos, namorados e do seu próprio pai. «Lidei muito com artistas, com espaços e ambientes culturais. Acho que isso me moldou também», continua.

Da teoria à prática

As artes clássicas surgiram em Nova Iorque, quando começou a fazer cursos continuados e pós-laborais, na New School, «que é a base das artes visuais». «Fiz pequenos workshops, pequenos cursos e comecei a sentir a necessidade de me expressar plasticamente». Mais uma vez, tudo relacionado um pouco com a filosofia. «Ou seja, a filosofia e a forma de pensar o real nunca estava dissociada da minha pintura. A minha expressão plástica sempre se relacionou com os meus pensamentos e com as minhas ideias», revela.

Acabou por mudar muito em termos técnicos e estéticos. «Estive em Nova Iorque de 2000 a 2009. Quando vim para Lisboa fui tirar outro mestrado em Museologia e Museografia, porque era fascinada por artes e queria perseguir o mundo dos museus (...) Depois fui estagiar para a Gulbenkian, era bolseira de investigação. Tive aí um cheirinho do que é ser museóloga e não adorei particularmente porque era um mundo muito fechado, não me dava a liberdade que queria», admite. Resolveu então continuar a pintar, ao mesmo tempo que começou a fazer curadoria de arte contemporânea por si própria. «Comecei a ser uma curadora freelance e a fazer programações culturais, trabalhei com o consulado em Barcelona, com a embaixada em Madrid, com o Camões em diferentes sítios. Comecei a fazer aqui uma mudança de interesses artísticos: ‘O que é que eu me proponho a pintar? O que é que é interessante para mim agora desenvolver?’, interroguei. Mantive a minha atividade como artista plástica, utilizando maioritariamente a pintura e o desenho, mas comecei a fazer instalações, a utilizar fotografia, fiz alguns vídeos…», lembra a artista.

Entretanto voltou-se para o mundo natural. «Tenho um fascínio enorme pela natureza. Esse bichinho já vinha um pouco de trás, porque a minha tese de mestrado em Museologia foi sobre a Serra da Arrábida. Englobava todo o património natural e antropológico», explica.

Os quatro elementos

Nesta nova exposição, Ar, Água, Terra, Fogo, patente na Galeria António Prates desde esta sexta-feira, 8 de maio, a artista resolveu trabalhar o tema dos quatro elementos da terra. Nunca o tinha feito e a oportunidade surgiu depois do Centro Português de Serigrafia a ter convidado para fazer umas gravuras que tinham precisamente esse tema. «Isto tem muito a ver também com a minha imaginação, atenção, não é só com aquilo que eu tenho lido. Estes elementos existem desde que a terra existe. Eles estão cá sempre. Há uma certa invisibilidade intemporal, mas nós sentimos essa invisibilidade quando há cheias, quando há grandes derrocadas, quando há secas», conta. «Todas essas alterações climáticas que nós sentimos, que afetam a nossa vida radicalmente, estão relacionadas com estes quatro elementos. O fogo, os incêndios; a terra, a seca; o ar, as alterações climáticas; a água, a poluição dos mares, o facto de não sabermos se vamos ter água potável daqui a 25 anos… Todas estas questões, tão prementes na nossa atualidade, têm muito a ver com aquilo que sempre foi a origem do mundo. Isto interessava-me muito. Então comecei a desenvolver algumas peças, algumas esculturas, algumas pinturas em aguarela», afirma. Elisa Ochoa trabalha muito em aguarela, com recortes e colagens, utilizando também néons. «Utilizo uma série de técnicas e suportes para desenvolver precisamente os quatro elementos. De que forma posso expressar estas quatro entidades da natureza, do nosso planeta Terra, de forma plástica e a partir de que movimentos? Quais são os movimentos do ar, da água, da terra, do fogo? Desenvolvi diversas séries de trabalhos com diferentes técnicas e suportes, precisamente para dar essa pluralidade, porque são quatro elementos diferentes, que se interconectam e que se interligam e coexistem», assegura.