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"Michael" é o novo sucesso de bilheteira em homenagem ao rei da pop, Michael Jackson. Estreou em Portugal a 22 de abril, mas a uma escala global quebrou um recorde de estreias em cinebiografias musicais.
Quem o anunciou foi a Associated Press, que compara o novo filme biográfico, protagonizado por Jaafar Jackson, com outras biografias de sucesso como "Straight Outta Compton", sobre o grupo de hip hop N.W.A, e "Bohemian Rapsody", sobre o icónico Freddie Mercury. Em termos de vendas internacionais, "Michael" arrecadou mais de 120 milhões de dólares (mais de 100 milhões de euros), garantindo uma estreia global de 217 milhões (184 milhões de euros), estabelecendo um novo recorde num filme biográfico musical.
Nas semanas antes da estreia, as estimativas apontavam para um lucro de pouco mais de 50 milhões de dólares (mais de 42 milhões de euros), com um desempenho muito acima do esperado. "Desde o início, todos os sinais eram de que algo assim era possível", confessou Adam Fogelson, presidente da Lionsgate, citado pela Associated Press.
"Michael" foi considerado uma aposta arriscada por parte da Lionsgate, uma vez que retrata uma personagem controversa. Desde a sua morte, em 2009, a reputação de Michael Jackson tem sido manchada por denúncias de abusos sexuais de menores, inclusive daquela que considerava a sua "segunda família". Ainda era vivo quando foi absolvido o único julgamento a que foi sujeito, em 2005.
Alguns membros da família de Jackson rejeitaram aparecer no filme por não concordarem com a sua realização. Janet Jackson, irmã mais nova do rei da pop, opôs-se ao filme e não aparece nele. Já Paris Jackson, filha de Michael, descreveu o filme como "terra de fantasia".
No entanto, o protagonista é também familiar de Michael: o seu sobrinho fez o casting para interpretar o papel do tio e acabou por ser o escolhido. Tem recebido vários elogios pela forma como adotou a postura de Michael no filme, o que o torna mais real.
Há ainda mais uma polémica referida pela Associated Press, que revelou que, após o final das filmagens, a produção percebeu que focava um dos atos do filme nas acusações de Jordan Chandler, com 13 anos na altura, a quem Michael Jackson teve de pagar 23 milhões de dólares (mais de 19 milhões de euros) num acordo - acordo esse que proíbia a menção de Chandler em qualquer filme feito sobre o cantor pop.
Neste contexto, uma parte do filme teve de ser retirada, e as refilmagens tiveram um custo de 50 milhões de dólares (mais de 42 milhões de euros).
"Eu discordaria da ideia de que nós, como estúdio ou cineastas, estávamos a correr em pânico", disse Fogelson. "Foi definitivamente uma circunstância única e desafiadora de descobrir como superar. Mas criou uma oportunidade de contar mais história do que qualquer filme poderia contar", garantiu à AP.
As críticas negativas focam-se no facto de o filme "ignorar aspetos menos convenientes" da vida do rei da pop. No entanto, o entusiasmo do público para assistir contrariou essa perspetiva.
Apesar das críticas, o sucesso do novo filme, que já pode ser visto em Portugal, é inegável.