O ator francês e norte-americano Timothée Chalamet pode ter deixado de ser um dos favoritos de hollywood com a quantidade de críticas que choveram nos últimos dias.
Tudo por uma simples frase: "Eu não quero estar a trabalhar em ballet ou ópera ou outras coisas que sejam do género 'ei, mantém isto vivo', apesar de já ninguém querer saber disto".
Chalamet disse esta frase entre risos em fevereiro, quando conversava com o também ator Matthew McConaughey na Universidade do Texas. O diálogo centrava-se nos esforços para preservar o cinema.
O ator com quem conversava, figura icónica do filme Interstellar, começou por manter um semblante fechado ao ouvir as afirmações de Chalamet, e este rapidamente tentou remediar: "com todo o respeito por todas as pessoas do ballet e da ópera". E ainda acrescentou "acabei de perder 14 cêntimos em visualizações", sugerindo que as visualizações de pessoas das áreas referidas têm pouco impacto.
É de notar que Timothée Chalamet é fiho de uma professora de ballet e neto de uma antiga bailarina profissional.
As críticas não perdoaram e já se fala até em perder o óscar de Melhor Ator Principal, ao qual era o favorito, com o papel de Marty Mauser, um jogador de ténis de mesa, no filme Marty Supreme.
As críticas por todo o mundo
As respostas ao ator fizeram-se ouvir, não só por parte de pessoas ligadas às artes referidas, mas por quem admirava o ator e viu uma "recaída" nele. "Impressionante como Timothée Chalamet passou de ser o jovem ator de Hollywood mais empolgante para ser uma das figuras mais arrogantes e antipáticas", escrevem numa das críticas.
Também várias instituições ligadas às artes decidiram usar as declarações do ator para se fazerem ouvir e contrariarem o que este tentava dizer. A Royal Opera House, em Londres, não tardou em reagir. "Todas as noites, na Royal Opera House, milhares de pessoas reúnem-se pelo ballet e pela ópera. Pela música, pela narrativa. Pela experiência mágica da performance ao vivo. Se quiseres reconsiderar, Chalamet, as nossas portas estão abertas”, escreveram
"O quê? O Timothée Chalamet não quer trabalhar connosco? O que devemos fazer, para manter “esta coisa” viva? Ninguém que saber?", escreveu o Teatro São Carlos, num vídeo com várias compilações de excertos de espetáculos. "Estamos vivos e bem, porque muita gente se importa”, termina o vídeo, com um excerto de ovações de pé da plateia.
Ainda em Portugal, a RTP Palco, plataforma digital gratuita da RTP dedicada às artes performativas, usou também as declarações polémicas, com vários excertos de espetáculo de ballet e ópera com a frase "nós queremos saber". Na publicação escreveram "Não sejas como o Timothée Chalamet quando a RTP Palco existe".
Também óperas de renome, como a Metropolitan Opera, em Nova Iorque, a Ópera de Zurique, a Ópera de Viena, o Teatro Real, em Madrid, e a Ópera de Paris seguiram a tendência. Recorde-se que o ator tem nacionalidade francesa e que, na Ópera de Paris, as declarações foram usadas de forma curiosa. O vídeo que acompanha as declarações do ator mostra uma ópera em exibição até 20 de março que inclui ténis de mesa (o desporto da personagem que poderá dar a Chalamet um Óscar). "Plot twist: o pingue-pongue também existe na ópera", escreveram.
Houve até instituições que aproveitaram a polémica como publicidade. A Ópera de Seattle, nos Estados Unidos, lançou um código de desconto com o primeiro nome do ator para um desconto de 14% na obra Carmen, de Georges Bizet.
Os comentários inundam também estas publicações, criticando o ator e exaltando a arte. "O que o leva a crer que conseguiria trabalhar em ballet ou ópera?" ou "A ópera continuará a ser estudada, cantada e amada muito depois de ele ser esquecido", são exemplos. Além destes, a manifestação do desejo que Timothée não vença óscar de Melhor Ator Principal é também bastante vincada nos comentários.
A cerimónia dos Óscares irá acontecer na noite do próximo domingo. O ator norte-americano e francês já esteve nomeado duas vezes para o mesmo prémio, pelo papel em "Chama-me pelo teu nome", em 2018, e em "Um Completo Desconhecido", a biografia de Bod Dylan, em 2025.