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O rapper Kanye West está a passar por uma onda de cancelamentos que podem colocar em causa o concerto previsto no Algarve, no dia 7 de de agosto deste ano.
Impedido de entrar no Reino Unido
As autoridades britânicas anunciaram a impedição de Kanye West entrar no país no início do mês. Em causa especulam-se que estejam declarações antissemitas e outros atos polémicos do cantor.
O anúncio foi feito por um porta-voz do Ministério do Interior do Reino Unido, que afirmou à BBC que os três concertos previstos de Kanye West “não seria úteis ao interesse público”. O anúncio do rapper como cabeça de cartaz do festival Wireless foi desde logo criticado por figuras importantes como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer: inclusive, o festival perdeu a Pepsi, a Diageo e o PayPal como patrocinadores.
Em resposta à decisão do governo, a organização do evento anunciou o cancelamento do concerto e prometeu o reembolso total dos bilhetes. No entanto, após inúmeras críticas, Melvin Benn garantiu que o festival se realizaria, acrescentando: “Perdoar e dar uma segunda oportunidade às pessoas é cada vez mais uma virtude que se tem perdido neste mundo dividido”.
Desde 2022 que o rapper norte-americano tem tecido inúmeros comentários de teor antissemita: um dos exemplos baseia-se na venda de uma t-shirt com uma cruz suástica. Lançou ainda uma música intitulada “Heil Hitler”, expressão que significa “Viva Hitler” e que era a saudação oficial e obrigatória durante o regime nazista na Alemanha.
No início deste ano, tentou redimir-se, pedindo desculpas publicamente pelas declarações antissemitas e “comportamento errático”. “Disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Não quero a vossa simpatia, mas espero que me possam perdoar”, escreveu ao The Wall Street Journal.
Concerto adiado em Marselha “por vontade própria”
Mais tarde, o rapper identificado como “Ye” anunciou nas suas redes sociais o adiamento do concerto previsto para o dia 11 de junho em Marselha, França. Também o autarca da cidade, Benoît Payan, tinha dito que o artista não era bem-vindo na cidade devido aos seus comentários antissemitas. Garantiu ainda que não iria permitir que a sua cidade acolhesse um artista que “promove o ódio e o nazismo descarado”.
O rapper, no entanto, garantiu tratar-se de uma decisão pessoal, rejeitando sugestões de que teria tido influência das palavras do autarca. “Após muta reflexão e consideração, decidi, por minha exclusiva vontade, adiar o meu conselho em Marselha, França, até novo aviso”, escreveu.
Pouco depois reconheceu ser preciso “tempo para compreender a sinceridade do seu compromisso em corrigir os erros”. Afirmou ainda assumir total responsabilidade, mas rejeita por os fãs “no meio disso”.
Concerto cancelado na Polónia
Desta vez foi o concerto no estádio de Chorzow, na Polónia, que foi cancelado. A informação veio dos responsáveis do estádio, logo após as declarações do governo a opor-se à vinda do rapper norte-americano ao país. O concerto estava previsto para o dia 19 de junho.
“(O concerto) não terá lugar por razões de ordem jurídica e administrativa”, pode ler-se no comunicado emitido pelo gerente do estádio.
Foi a ministra da Cultura Marta Cienkowska que se opôs veemente à realização do concerto, por considerar que “as ações amplamente comentadas de Kanye West, relacionadas com a sua promoção do nazismo, estão em manifesta contradição com a razão de Estado polaco”, citada pela AFP, apelando ainda à organização do evento para “não colocarem o espaço público à disposição dos promotores de uma ideologia criminosa”.
Citada pela agência polaca PAP, a ministra lamentou ainda que “não imagina que na Polónia, um país onde se assassinaram pessoas nos campos de extermínio nazis alemães, possamos organizar um concerto de um artista que declarada abertamente amar Hitler, que promove a ideologia nazi e ganha dinheiro t-shirts com a suástica”.
E em Portugal?
O concerto de Kanye West no Estádio do Algarve está marcado para o dia 7 de agosto e, por enquanto, ainda não foi desmarcado. Não está esgotado, mas já foram vendidos mais de metade dos bilhetes disponíveis.
As Câmaras Municipais de Faro e Loulé estão a acompanhar a situação, mas não há uma decisão “pelo menos, para já”.
“Se colocar isto nas mãos das câmaras e tomar uma decisão, os presidentes das autarquias irão reunir e tomar uma decisão”, aponto Vítor Filipe, chefe de gabinete do presidente de Faro, em declarações à Blitz.
O gabinete do Ministro da Administração Interna adiantou ainda que “está a acompanhar a situação”. “Se for feita alguma avaliação de risco pelas autoridades competentes que concluam que, de facto, a vinda e o concerto desta artista constituem um perigo ou uma ameaça a nível nacional, aí sim, terão de ser tomadas medidas em conformidade”.