O tema de Os Azeitonas, em que Miguel Araújo canta Anda comigo ver os aviões/Levantar voo/A rasgar as nuvens/Rasgar o céu, faz todo o sentido, neste fim de semana, com o Air Invictus. Os céus do Porto, Gaia, Maia e Matosinhos vão estar diferentes, com um dos maiores eventos aeronáuticos da Europa, que tem a particularidade de ser... gratuito. «Os processos de autorização para realizar um evento desta dimensão são complexos e, nas últimas semanas, sofreram alguns ajustamentos decorrentes de alterações operacionais de última hora, nomeadamente relacionadas com pilotos participantes. A organização continua a trabalhar em estreita articulação com todas as entidades, mantendo como prioridade absoluta a segurança do evento», explicou Luís Castro, organizador do Air Invictus.
Mais do que um espetáculo aéreo, o Air Invictus apresenta-se como uma iniciativa dedicada à promoção da cultura aeronáutica e aeroespacial e envolve quatro municípios. O evento tem 15 pontos de interesse distribuídos pelas quatro cidades e oferece um programa variado ao público, que não vai querer perder nada deste espetáculo. A organização espera, por isso, ter cerca de um milhão de pessoas a assistir.
Vão ser três dias repletos de animação, e o ponto forte são as Air Race, corridas com aviões realizadas por sete pilotos do antigo circuito Red Bull Air Race, que mostram as suas habilidades e a capacidade das aeronaves sobre o Douro. As corridas realizam-se num traçado delimitado por boias entre as pontes da Arrábida e Dom Luís I. O público pode assistir a partir de diversos pontos da zona ribeirinha, sendo a ribeira do Cais de Gaia, Jardim do Morro, Serra do Pilar, Afurada, Passeio Alegre e margens do Douro os locais privilegiados para acompanhar as corridas.
Martin Sonka (Zivko Edge 540), vencedor do Red Bull Air Race em 2017, é um dos principais pilotos presentes neste evento, juntamente com outros nomes de peso, como o seu compatriota Petr Kopfstein (Zivko Edge 540), os franceses François Le Vot (Mudri Cap 231), Daniel Genevey (Extra 330 SC) e Nicolas Ivanoff (Edge 450) e o espanhol Juan Velarde (Zivko Edge 540). Destaque também para o italiano Dario Costa (Zivko Edge 540), referência da aviação desportiva e autor de vários recordes do mundo do Guinness. Todos os pilotos competem num sistema cronometrado em slots individuais. As qualificações realizam-se no sábado e as finais estão marcadas para domingo.
Além das corridas, vão existir outros momentos plenos de adrenalina, com o desempenho de pilotos especialistas em acrobacias aéreas com aviões preparados para o feito, como o P51 Mustang, Sukhoi SU 26M, Extra 330 NG, Citabria e Cessna 337 Skymaster. Luís Garção, uma referência da aviação acrobática em Portugal, vai participar com o Extra 330 LT.
A Força Aérea Portuguesa (FAP) realiza um espetáculo no qual serão exibidas as capacidades operacionais e tecnologia de ponta dos seus aviões. Nessas demonstrações vão participar o F-16, caça supersónico que voa acima dos 15.000 metros, realiza manobras até 9G e atinge uma velocidade máxima de 2.450 km/h (Mach 2). Os outros aviões são os KC-390 C-295 e os Super Tucanos. A FAP promove também batismos de voo no avião KC390, apenas para escolas inscritas.
O programa inclui demonstrações e competições de drones. O Air Drone envolve um voo coordenado com 3.050 drones, que vai iluminar os céus do Porto e Gaia para tentar bater um recorde europeu.
Já com os pés bem assentes na terra, o público pode assistir à Air Lab, uma feira da indústria da defesa, na Alfândega do Porto, que tem uma exposição de aeronaves, incluindo os Warbirds, aviões históricos da Segunda Guerra Mundial. Esta feira conta com delegações internacionais, equipas militares, fabricantes aeronáuticos, empresas tecnológicas e pilotos de vários países. Vão realizar-se ainda exibições de aeromodelismo, festivais de música, batalhas de DJ´s durante todo o evento e um Bike Tour entre as três cidades.
O Air Invictus tem igualmente um foco na sustentabilidade. Toda a pegada de CO2 será posteriormente neutralizada com a reflorestação e compra de créditos de carbono, processo da responsabilidade da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e da Shiftify Estratégias de Sustentabilidade. Além disso, foi criado um manual de boas práticas para ser seguido pela organização, fornecedores, parceiros e restantes entidades participantes de modo a mitigar a pegada de carbono. «A sustentabilidade é um ponto central da nossa atuação e, por isso, reunimos os parceiros certos para alcançar um objetivo ambicioso que pode fazer história no panorama dos grandes eventos internacionais realizados em Portugal que é a compensação a 100% da pegada de carbono», afirmou Luís Castro.