O artista português José de Almada Negreiros (1893-1970) já integra oficialmente as coleções do museu espanhol Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid, com a obra La tragédia de Doña Ajada. Segundo fonte oficial da instituição, trata-se de um conjunto de desenhos de 1929 que formaram a «lanterna mágica» da obra A tragédia de Dona Ajada. Poema bufo sinistro para canto, recitação, lanterna mágica e grande orquestra, com música do compositor espanhol Salvador Bacarisse e poemas do também espanhol Manuel Abril.
O modernista português interagia frequentemente com o cinema e era particularmente fascinado pela animação. Chegou mesmo a trabalhar para o departamento de publicidade da Paramount Pictures, fazendo plaquetes e cartazes. Na capital espanhola - onde viveu entre 1927 e 1932 –, fez gessos em baixo-relevo para a remodelação do Cine San Carlos e colaborou com várias instituições e artistas espanhóis. «Deixou obra em vários lugares da capital, além de colaborações na imprensa e projetos cenográficos», disse o ministro da Cultura de Espanha, Ernest Urtasun, em outubro de 2024 no primeiro dia de exposição no Rainha Sofia do quadro Autorretrato num grupo, do artista português. O quadro esteve exposto no museu espanhol durante meses, no âmbito da 22.ª edição do programa Cultura Portugal, ao lado de nomes como Salvador Dalí e Pablo Picasso.
Recorde-se que La tragédia de Doña Ajada foi uma das 249 obras de 42 artistas doadas no ano passado ao Rainha Sofia, num valor que ascende cerca de três milhões de euros. Escreve o diário espanhol ABC, que a sequência de desenhos foi doada pela família do compositor Salvador Bacarisse Chinoria. De acordo com um comunicado divulgado esta semana, no ano passado, a instituição incorporou nas suas coleções 404 obras novas de 130 artistas, num valor de 10,6 milhões de euros.