Com duas mil toneladas, 50 metros de comprimento, 60 bocas de fogo e capacidade para transportar mil homens, os galeões de Manila eram os mais temidos e imponentes navios do império espanhol, cruzando o Pacífico entre Luzon (atual Manila) e Acapulco (México). Muitos foram abandonados ou desmantelados, outros repousam no fundo do oceano; mas agora há um que pode ser visitado. Trata-se do Espiritu Santo, uma réplica à escala real de um navio construído em Cavite em 1603. Entre o seu baptismo e o ano de 1618 percorreu inúmeras vezes a rota descoberta por Andres de Urdaneta em 1565, uma alternativa à rota do Atlântico, que à época era dominada por portugueses e holandeses.
Florestas inteiras foram abatidas para construir estes gigantes dos mares. Partiam do México carregados de prata, que depois era trocada no Oriente por bens de luxo como panos de seda, jade e peças de porcelana. A ida levava três meses; o regresso podia demorar um ano. E as riquezas obtidas - com destino aos cofres de Espanha, naturalmente - cobravam um alto preço: a taxa de mortalidade entre as tripulações chegava a atingir os 30%. Além das doenças, havia as tempestades, os naufrágios e os ataques de piratas. Nos 250 anos que durou este comércio, os galeões de Manila realizaram perto de 800 viagens.
O novo museu - que abre as portas este 1.º de maio - inclui também exemplares de menor porte representativos das embarcações autóctones que enxameavam o mar das Filipinas. Nenhum deles tem a espetacularidade do Espiritu Santo.
Curiosamente, mais de quatro séculos depois de este galeão ter feito a sua viagem inaugural, as Filipinas mantêm a sua vocação marítima. Estima-se que cerca de 30% de todas as tripulações de navios sejam ainda hoje compostas por filipinos, que constituem a nacionalidade dominante em petroleiros, cargueiros e cruzeiros de turismo.