terça-feira, 16 jun. 2026

96º edição da Feira do livro de lisboa: o mesmo conceito com muitas novidades  

Este ano, pela primeira vez, os visitantes podem desfrutar de momentos de cinema ao ar livre – aos sábados –, e de leituras silenciosas, onde escutam diferentes sequências de obras literárias. 
96º edição da Feira do livro de lisboa: o mesmo conceito com muitas novidades  

Há dois dias que o Parque Eduardo VII se transformou numa enorme biblioteca ao ar livre. A Feira do Livro de Lisboa (FLL) abriu no dia 27 de maio e estender-se-á até 14 de junho, com mais de 2000 eventos programados e novidades «imersivas», como leitura silenciosa com auscultadores e cinema. 

Nesta 96º edição da FLL foram mantidos os 350 pavilhões e cerca de 900 chancelas editoriais, «num modelo que privilegia a fluidez do percurso no recinto», revelou a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), que organiza o evento, em comunicado. No entanto, este ano, a Feira conta com cinco novos participantes em representação das várias chancelas. De acordo com a APEL, estão programados 2200 eventos, um número que irá crescer ao longo dos dias, entre sessões de autógrafos, apresentações de livros, debates, atividades para famílias e encontros com autores nacionais e internacionais. 

«A crescente presença de escritores estrangeiros reforça a dimensão global da Feira do Livro de Lisboa enquanto evento de referência no setor editorial», escreveu a organização, sublinhando que o objetivo passa por reforçar o certame como «o maior acontecimento cultural do país» e «melhorar o conforto dos visitantes». «Queremos que a Feira continue a afirmar-se não apenas pela dimensão, mas sobretudo pela qualidade da experiência que proporciona. Esta reorganização do espaço foi pensada para tornar o percurso mais lógico, confortável e intuitivo, aproximando ainda mais os leitores dos livros, dos autores e da própria cidade», explicou o presidente da APEL, Miguel Pauseiro.

Cinema ao ar livre, leitura silenciosa e música

Nesta edição os visitantes podem desfrutar de sessões de cinema aos sábados à noite, em parceria com a Cine Society, numa iniciativa chamada «Cine Sábado», que acontece no relvado central. Serão exibidos filmes como Clube dos Poetas Mortos, no dia 30 de maio, Jurassic Park, a 6 de junho, e Orgulho e Preconceito, no dia 13 do próximo mês. 

Há ainda, também pela primeira vez, experiências de leitura silenciosa, com as «silent reading parties», que decorrem diariamente com auscultadores e curadoria literária da Tale House. Segundo o comunicado, «esta tendência internacional de leitura pública silenciosa que transforma a leitura numa experiência simultaneamente individual e coletiva», convida os visitantes a «ler e relaxar, enquanto escutam diferentes sequências de obras literárias». «Pensada como uma experiência imersiva e inclusiva, esta iniciativa poderá também representar uma alternativa para pessoas com necessidades específicas, oferecendo uma forma diferenciada de aceder à leitura», detalhou a APEL.

Como já é hábito, nas noites de sexta-feira, há música no ciclo «Sextas Há Música». Os primeiros a atuar foram os Éme. Segue-se Emmy Curl, no dia 5 de junho, no Auditório Norte. 

Ao mesmo tempo, a programação infantil continua com a «Hora do Conto». Há sessões de histórias, oficinas criativas inspiradas em livros, espetáculo de histórias cantadas, principalmente aos fins de semana. No dia 30 de maio, haverá uma Festa da Criança, organizada pela Bertrand. Há ainda workshops para todas as idades que vão de oficinas de expressão plástica e escrita, até atividades de conexões kármicas.

Hora H e sustentabilidade 

A «Hora H» já é tradição no evento. Considerado um dos momentos mais esperados pelos visitantes, a iniciativa traz descontos de 50 % em livros publicados há mais de dois anos. Decorre na última hora da feira, entre as 21 e as 22 horas, de segunda a quinta-feira, com exceção das vésperas de feriado, que é das 22 às 23 horas. Feriados: 04 e 10 de junho, não há Hora H.  

Este ano, a sustentabilidade volta a ganhar destaque. A iniciativa «Vamos plantar livros», prevê um aumento de 25% face à edição anterior, com a plantação estimada de 8750 árvores em 2026. Segundo o site da FLL, o projeto «Dá a Mão à Floresta» estará presente para festejar o Dia da Criança no dia 31 de maio, promovendo atividades pensadas para os mais novos e algumas surpresas. E no dia 6 de junho, celebra-se o Dia Mundial do Ambiente, com o projeto Biodiversidade.com.pt, reforçando a importância da preservação da floresta e dos recursos naturais, com jogos e atividades.

Outra novidade é a renovação do Espaço dos Pequenos Editores, que recebe um investimento para quatro anos, traduzindo «o compromisso da APEL com a diversidade editorial e com a valorização de projetos que procuram afirmar-se no mercado editorial», explica o mesmo comunicado. De acordo com a APEL, este espaço foi reforçado pela importância que tem tido na promoção da diversidade editorial e no apoio a novos projetos, tendo funcionado ao longo dos anos, «como porta de entrada para muitos editores», que hoje ocupam espaços de maior dimensão na Feira. «Ao renovar este espaço, a APEL procura criar melhores condições de visibilidade, conforto e participação, reconhecendo que a vitalidade do setor do livro depende também da capacidade de acolher novas vozes, novos catálogos e novas formas de editar», adiantou.