Um busto de Mário Soares encomendado pela Assembleia da República ao escultor Manuel Rosa vai custar cerca de 30 mil euros, mais IVA, e em princípio ficará instalado nos Passos Perdidos, junto à Sala das Sessões. O artista, que se tornou conhecido por trabalhos em calcário, ainda não definiu o material em que irá trabalhar, o que indica que a conclusão da obra não está para breve.
«Foi enviado à AR o orçamento que acompanha a proposta apresentada pelo escultor Manuel Rosa, para a conceção do busto de Mário Soares, com o valor de 25 mil euros, a que acrescerá o trabalho de passagem do busto em gesso para o material definitivo, com um custo que poderá variar entre cinco mil e sete mil euros», informou o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, na conferência de líderes de 20 de maio, cuja ata foi publicada no início desta semana.
O busto vai juntar-se a dezenas de outros que integram o património do Palácio de São Bento. Por comparação, em 1997, a então jovem escultora Carla Gonçalves fez para a AR um busto em bronze de Francisco Sá-Carneiro que custou 470 mil escudos, o que à época equivalia a oito salários mínimos.
A obra que representa Soares surge no contexto das comemorações do centenário do antigo Presidente da República, iniciadas em 2024. A maioria dos partidos concordou com a homenagem, decidida há mais de um ano, antes ainda do fim da anterior legislatura.
A escolha do artista deve-se à família Soares, previamente consultada pela AR.
Manuel Rosa nasceu em Beja em 1953 e é considerado um dos principais escultores portugueses das últimas décadas. A sua obra Homenagem a D. João II, de 1998, é bastante conhecida dos lisboetas por se localizar numa rotunda à entrada do Parque das Nações, na zona conhecida como Expo Sul. Rosa estudou na Escola Superior de Belas-Artes e foi aluno e colaborador de José Cutileiro. Está representado em várias coleções privadas e públicas, como Serralves, Gulbenkian, EDP, PLMJ ou Coleção de Arte Contemporânea do Estado.