terça-feira, 10 fev. 2026

Crescimento da economia portuguesa deverá abrandar até 2027

Previsões da Allianz Trade apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% em 2025 e 2026, abrandando para 1,6% em 2027.
Crescimento da economia portuguesa deverá abrandar até 2027

A economia portuguesa deverá continuar a crescer acima da média da Zona Euro nos próximos anos, embora a um ritmo mais moderado. As previsões da Allianz Trade apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% em 2025 e 2026, abrandando para 1,6% em 2027, num contexto de normalização económica e menor impulso externo.

Depois de um crescimento de 2,1% em 2024, a atividade económica deverá manter uma trajetória estável no curto prazo. A seguradora estima um crescimento trimestral de cerca de 0,5% no final de 2025 e de 0,4% no início de 2026, refletindo uma economia mais equilibrada, já sem os fatores excecionais do período pós-pandemia, como os estímulos orçamentais e a forte recuperação do turismo.

O desempenho da economia portuguesa deverá continuar a ser sustentado sobretudo pela procura interna, apoiada por um mercado de trabalho resiliente e por uma inflação mais controlada. Ainda assim, a Allianz Trade alerta que o menor dinamismo da economia europeia e a fragmentação do comércio internacional limitam uma aceleração mais significativa do crescimento.

Zona Euro cresce a ritmos desiguais

Na Zona Euro, a Allianz Trade antecipa um crescimento de 1,1% em 2026, após 1,4% em 2025, num cenário de recuperação gradual e desigual entre países. A Alemanha deverá crescer cerca de 0,9% em 2026, beneficiando de estímulos fiscais, enquanto a França deverá registar um crescimento próximo de 1,1%, apoiado por um novo ciclo de investimento. Espanha deverá manter um crescimento acima da média europeia, sustentado pelo setor dos serviços.

Economia mundial mantém-se resiliente

A nível global, a economia mundial deverá crescer 2,9% em 2026 e 2,8% em 2027, impulsionada sobretudo pelos Estados Unidos e pela China. Nos EUA, o crescimento deverá atingir 2,5% em 2026, apoiado pelo investimento em inteligência artificial e pelo consumo privado, embora a inflação acima do objetivo da Reserva Federal limite novos cortes nas taxas de juro. Na China, o crescimento continuará a ser sustentado pelas exportações, apesar dos desafios estruturais no consumo interno.

Inflação converge e insolvências estabilizam

Ainda no que diz respeito a Portugal, a inflação deverá descer de 2,4% em 2024 para 2,3% em 2025 e convergir para 2,0% em 2026, em linha com o objetivo do Banco Central Europeu, antes de uma ligeira subida para 2,1% em 2027. Este cenário cria um contexto mais previsível para famílias e empresas, apesar dos riscos geopolíticos e energéticos.

O número de insolvências deverá manter-se relativamente estável, com uma média anual de cerca de 2,2 mil empresas entre 2025 e 2027, abaixo dos níveis registados em 2024. Ainda assim, a Allianz Trade sublinha a necessidade de prudência, num contexto internacional marcado por custos de financiamento mais elevados e maior incerteza económica.