André Ventura afirmou esta segunda-feira que ficaria “honrado” se viesse a contar com o apoio de Pedro Passos Coelho na corrida a Belém, embora rejeite a ideia de ser apresentado como herdeiro político do antigo primeiro-ministro. O líder do Chega diz que a sua legitimidade vem “do povo português” e não de figuras do passado recente da política.
À margem de uma arruada em Sines, no distrito de Setúbal, o candidato presidencial reconheceu que Passos Coelho já afastou a hipótese de tomar posição nestas eleições, mas admitiu que um eventual apoio seria bem-vindo. “Se o doutor Pedro Passos Coelho estivesse aqui agora, ao meu lado, ficava honrado com isso”, afirmou aos jornalistas.
Ventura deixou claro, porém, que faz uma distinção política entre antigos líderes. Questionado sobre a hipótese de surgir acompanhado por António Costa, respondeu sem rodeios que “corria com ele”, declaração que mereceu aplausos dos apoiantes que o acompanhavam na iniciativa de campanha.
Confrontado com as palavras de Cotrim Figueiredo, que disse representar o espírito reformista de Sá Carneiro e a coragem política de Passos Coelho, o líder do Chega desvalorizou. Para Ventura, “se o espírito de Sá Carneiro estivesse com 10% nas sondagens era uma coisa muito má para Portugal”, acrescentando que “ninguém acredita nisso”.
Sobre a classificação de herdeiro de Passos Coelho, atribuída por Catarina Martins a vários candidatos, André Ventura assumiu que prefere essa leitura à de ser associado aos últimos governos socialistas. “Antes ser herdeiro do doutor Pedro Passos Coelho do que herdeiro da geringonça, herdeiro do caos na saúde, herdeiro do caos na imigração”, afirmou, acusando ainda Catarina Martins de representar “um Governo que caiu por um escândalo de corrupção”.
Apesar disso, fez questão de afastar o rótulo. “Não sou herdeiro de Passos Coelho. Sou herdeiro do povo português”, sublinhou, acrescentando que respeita o percurso e as posições do antigo primeiro-ministro.
Ventura admitiu ainda que, numa eventual segunda volta das presidenciais, acredita que Pedro Passos Coelho acabará por assumir uma posição pública e disse estar convicto de que o ex-líder do PSD o preferiria a outros candidatos como Marques Mendes, Gouveia e Melo ou António José Seguro.
Questionado sobre a ausência, até agora, de um apoio claro de Passos Coelho, o candidato do Chega respondeu que não se sente desiludido. “O apoio que eu quero é o dos portugueses”, afirmou.
Numa referência indireta a declarações recentes de Henrique Gouveia e Melo, André Ventura reforçou a mesma linha de discurso, sublinhando que também a sua comissão de honra não é feita de nomes sonantes, mas sim “das ruas do país inteiro”.