terça-feira, 10 fev. 2026

Tribunal francês condena dez pessoas por ciberbullying contra Brigitte Macron

Duas mulheres — a ‘medium’ Amandine Roy e Natacha Rey, que se apresenta como “jornalista autodidata independente” — estiveram no centro do processo
Tribunal francês condena dez pessoas por ciberbullying contra Brigitte Macron

Dez pessoas foram condenadas esta segunda-feira por um tribunal de Paris por ciberbullying contra Brigitte Macron, na sequência da divulgação de alegações falsas segundo as quais a primeira-dama de França teria nascido homem, avança a BBC.

As penas aplicadas variam entre a frequência obrigatória de um curso de consciencialização sobre ciberbullying e até oito meses de prisão com pena suspensa.

Na leitura da decisão, o tribunal considerou provada a existência de comentários “particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos”, difundidos sobretudo nas redes sociais por influenciadores e outros utilizadores, que colocavam em causa a identidade de género da mulher do presidente francês.

Os arguidos — oito homens e duas mulheres, com idades entre os 41 e os 65 anos — associavam ainda a diferença de idades de 24 anos entre Brigitte e Emmanuel Macron a alegadas práticas de pedofilia.

Segundo a Associated Press, os juízes sublinharam que os réus publicaram “inúmeros comentários maliciosos” com o objetivo de “prejudicar deliberadamente a autora da ação”.

As penas aplicadas incluem prisões suspensas entre quatro e oito meses, tendo um dos arguidos sido apenas obrigado a frequentar ações de formação sobre cyberbullying. Segundo o Le Figaro, um promotor imobiliário foi condenado a seis meses de prisão efetiva por ter faltado às audiências do julgamento, enquanto outros réus ficaram impedidos de aceder às contas nas redes sociais usadas para disseminar os ataques.

De acordo com a AFP, os rumores começaram a circular em França após a eleição de Emmanuel Macron, em 2017, alegando falsamente que Brigitte Macron, nascida Trogneux, nunca existiu e que o seu irmão, Jean-Michel, teria assumido essa identidade após uma transição de género, .

Duas mulheres — a ‘medium’ Amandine Roy e Natacha Rey, que se apresenta como “jornalista autodidata independente” — estiveram no centro do processo, tendo a primeira sido considerada uma das principais promotoras da campanha e condenada a seis meses de pena suspensa.

Em reação aos ataques, Emmanuel Macron denunciou os “ataques machistas e sexistas” dirigidos a “uma mulher poderosa” que o acompanha. “O pior são as informações falsas e os cenários inventados, com as pessoas a acabarem por acreditar neles e a perturbar-nos, mesmo na nossa intimidade”, disse o presidente francês.

Brigitte Macron, que apresentou queixa por assédio em agosto de 2024, afirmou numa entrevista ao canal TF1 que avançou com o processo judicial para “dar o exemplo” no combate ao assédio online.

Durante o julgamento, a defesa alegou que se tratava apenas de “humor” protegido pela liberdade de expressão, argumento rejeitado pelo tribunal. Tiphaine Auzière, filha de Brigitte Macron, descreveu um “impacto psicológico devastador” sobre a mãe, referindo “uma degradação da saúde e das condições de vida” desde o início da disseminação dos rumores.

A agência Reuters avança que este processo em França poderá ser apenas o primeiro de vários. Os Macron estão também envolvidos num processo judicial nos EUA por difamação contra a influencer de extrema-direita Candace Owens, responsável pela série Becoming Brigitte, que os visados classificam como uma “narrativa grotesca” e uma “campanha de humilhação global”.