terça-feira, 10 fev. 2026

Bloco de cimento foi a arma do crime que chocou a Amadora. Patroa fez-se passar pela vítima em mensagens de telemóvel

Ministério Público revela pormenores do homicídio de uma empregada doméstica brasileira. Arguida usou um ardil para levar a vítima a um local ermo e tentou atrasar o alerta ao simular uma viagem ao Algarve.
Bloco de cimento foi a arma do crime que chocou a Amadora. Patroa fez-se passar pela vítima em mensagens de telemóvel

Um bloco de cimento terá sido usado como arma no homicídio qualificado que chocou dois países, Portugal e Brasil há umas semanas. De acordo com um comunicado do Ministério Público, divulgado esta segunda-feira, uma mulher de 43 anos está indiciada por ter atraído a sua empregada doméstica para um local isolado, onde a matou, e por se ter feito passar pela vítima através do telemóvel, numa tentativa de ocultar o desaparecimento.

Segundo o Ministério Público, a arguida foi apresentada a primeiro interrogatório judicial após detenção fora de flagrante delito, estando indiciada pela prática de “um crime de homicídio qualificado, um crime de profanação de cadáver, um crime de detenção de arma proibida e um crime de falsidade informática”.

A vítima, Lucinete Freitas, de nacionalidade brasileira, trabalhava como empregada doméstica da arguida e como babysitter do filho desta. A relação entre ambas era descrita como marcada por “alguma conflituosidade”, um elemento que está a ser avaliado no âmbito da investigação.

Segundo a investigação das autoridades, a arguida, no dia 5 de dezembro de 2025,  recorreu a um ardil para levar a vítima a ir ter com ela. “Sob o pretexto de levar a vítima a casa”, conduziu-a até “a um local ermo”, onde a atacou de forma violenta, lê-se no comunicado do Ministério Público, que adianta que a agressão fatal foi feita “na cabeça com um bloco de cimento”.

A mulher terá tentado depois ocultar o corpo. De acordo com a mesma nota, “após confirmar que a vítima se encontrava morta, a arguida colocou entulho sobre o corpo daquela, de forma a encobrir o mesmo, e ausentou-se do local”.

Um dos aspetos mais relevantes do caso está relacionado com a tentativa da suspeita em enganar os familiares da vítima e as autoridades. O Ministério Público adianta que a arguida “utilizou o telemóvel da vítima, fazendo-se passar pela mesma”, enviando mensagens em que afirmava “ter ido para o Algarve com uma amiga”, com o objetivo de “adiar a participação do seu desaparecimento”.

Na sequência do interrogatório judicial realizado a 20 de dezembro de 2025, foi aplicada à arguida a medida de coação mais gravosa, prisão preventiva.

A investigação continua a decorrer sob a direção do DIAP do Núcleo da Amadora.

https://sol.sapo.pt/2025/12/20/ama-brasileira-morta-na-amadora-suspeita-e-a-propria-patroa-e-crime-tera-sido-motivado-por-conflito-conjugal/