Bar aberto no aeroporto

Há quase quatro anos, o SEF dava conta de filas de cinco horas em alguns períodos. Hoje há mais passageiros e as boxes são as mesmas?

A falta de memória é terrível e proporciona momentos, diria, hilariantes, pelo menos para quem está de fora. O caso das longas filas de passageiros extracomunitários no aeroporto de Lisboa é um bom exemplo da falta de memória. E aqui entra a parte divertida do problema, se excluirmos os ‘desgraçados’ que têm de esperar mais de cinco horas para passar a fronteira, além da péssima imagem para o país, e o respetivo rombo no turismo.

Andando pelos diferentes órgãos de comunicação social e redes sociais, ora lê-se que a PSP é constituída por uns nabos e que os doutores do SEF é que percebiam da poda; que foi este Governo o responsável pelo caos provocado pelo fim do SEF; não faltando dezenas de teorias para o que se está a passar. Eu gostava de saber, mesmo com a melhor equipa do mundo, quantos passageiros podem ser ‘fiscalizados’ por hora nas atuais condições, nas boxes e nas e-gates que, segundo informa essa entidade absoluta chamada Inteligência Artificial, «são portas eletrónicas automatizadas de controlo de fronteiras que usam tecnologia biométrica (como reconhecimento facial e de impressão digital) para agilizar a passagem de viajantes em aeroportos e fronteiras».

Mas vamos então à memória. 13 de junho de 2022, a Lusa noticiava: «SEF justifica atrasos no aeroporto de Lisboa com “pico de passageiros nas chegadas”». Bem, mas como era o SEF que estava nas boxes e nas e-gates, calculei que o tempo de espera não ultrapassasse os 30 minutos, que são mais ou menos os objetivos atuais do Governo. Mas não, a notícia era esclarecedora: «O esclarecimento do SEF surge depois de vários relatos sobre atrasos no controlo de fronteiras do aeroporto de Lisboa durante este domingo, tendo as filas chegado a ultrapassar as CINCO HORAS de espera. A situação, acrescenta a nota enviada, “acabou por ficar regularizada só a meio da tarde” de domingo».

Continuemos no que se passava no passado. A 27 de maio de 2017, o CMdava conta de que «a falta de 200 inspetores no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras está a ter repercussões severas na segurança e na economia portuguesa – afetando o turismo, face à demora na emissão de documentos nos aeroportos, por exemplo –, frisou na sexta-feira Acácio Pereira, presidente do Sindicato da Carreira de Investigação do SEF».

Podia continuar a ir buscar queixas de passageiros portugueses que tiveram que esperar mais de duas horas para sair do aeroporto, vindos de Paris, por exemplo.

Como também podia ir buscar os números de passageiros que entraram em Portugal pelo aeroporto Humberto Delgado. Em 2022, já depois do adeus à covid, foram controlados 28 milhões de pessoas, um aumento de 184% face a 2021. Só que, atualmente, esse número ultrapassa os 35 milhões de passageiros. E aí repito a questão: Quantas pessoas podem ser ‘fiscalizadas’ numa hora no aeroporto de Lisboa? É ou não verdade que só se consegue, em média, ‘carimbar’ 1300 pessoas por hora, quando em alguns períodos do dia, entram quase três mil passageiros em 60 minutos?

O que fica em causa com isto tudo? Além de um rombo terrível no turismo, e para o ano é suposto abrirem mais quatro mil camas hoteleiras em Lisboa, há um problema gravíssimo na segurança do país, pois ao prescindir-se de uma vistoria mais rigorosa dos cidadãos fora do espaço Schengen, está a contribuir-se para o aumento de tráfico de seres humanos, pois as equipas que estavam na retaguarda a observar os ‘esclavagistas’ com os seus ‘escravos’, no momento de passarem o controlo não vão ao seu lado, por exemplo, ou do aumento da criminalidade em geral, pois as máfias, e não só, adoram os paraísos. E qual é a culpa do Governo? Não ter percebido a tempo que era preciso aumentar a PSP e obrigar a ANA a disponibilizar mais espaço para as boxes e as e-gates. E que fique claro, que, como é óbvio, o fim do SEF foi um erro monumental do Governo de António Costa, que anda por Bruxelas a espalhar não se sabe muito bem o quê, isto para ser simpático, já que estamos no ano novo. Destruir um serviço que tinha anos de experiência porque uns sádicos mataram um cidadão, só é possível conceber à luz da política de cancelamento da geringonça. 

Já agora, toda esta trapalhada serviu para mostrar como o novo aeroporto é tão indispensável. Mas se olharmos para as teorias da conspiração, diremos que alguém poderá estar a fazer de propósito... 

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