Neste Natal, o Líder Supremo do Irão enviou uma saudação especial ao Papa lembrando que Jesus Cristo tem a mensagem para salvar a humanidade da ignorância e da opressão. Ele é o nosso guia, escreve Khamenei, uma luz em nome da justiça que nos guia até Deus.
Pode estranhar uma mensagem de um líder muçulmano falando de Jesus e apelando ao mundo para que escute o que ele veio dizer à terra. Talvez por isso tenha visto também muitos muçulmanos a celebrarem o Natal de forma normal, seguindo os mesmos princípios dos católicos.
Jesus é o penúltimo profeta do Islão, com a sua mensagem ser uma boa base dos princípios desta religião. Sim, é o mesmo Jesus de Nazaré. Sim, também no Islão se conta que ele é filho de Maria e de José e que nasceu em Belém. Sim, os muçulmanos celebram o seu nascimento e respeitam a sua mensagem. No Corão, Jesus é o profeta que anuncia a chegada de Maomé e aponta os princípios e um modo de vida que tem imensos pontos de contactos com a nossa Bíblia. Pode ser uma boa leitura de ano novo, o Corão e a Bíblia e com a ajuda de alguém com um bom entendimento da religião perceber que é muito mais aquilo que nos une do que o que nos separa. A ignorância, a intolerância crescente, tentou neste Natal criar uma narrativa de que os muçulmanos odeiam Jesus e que estariam a destruir todos os símbolos do Natal. Ninguém percebeu que também eles celebram este momento, embora de uma forma diferente?
Uma figura como o Líder Supremo do Irão fazer um gesto de paz e de respeito dirigindo uma mensagem ao Papa tem um significado tremendo, num mundo cheio de ódio e onde tudo serve para se lançar mais uma guerra. Percebemos os sinais de Israel e dos judeus numa aproximação aos cristãos, neste momento e conhecemos a necessidade de diálogo entre as religiões monoteístas numa tentativa diplomática de se lançarem bases de paz, onde a religião nunca seja invocada para se abrir mTodos temos a ganhar se soubermos um pouco mais dos que professam outra fé, dos que chegam de outros cantos deste mundo onde cabemos todos, sem andarmos sempre a rezingar que esta é a minha terra e tu não cabes no meu quintalinho porque eu não queroais uma guerra.
Este Papa não rezou na Mesquita Azul em Istambul, mas foi lá e esteve ao lado dos que professam um Islão de Paz. Os encontros no Vaticano com líderes de outras religiões são frequentes, com um diálogo que ultrapassa largamente aquilo que podemos imaginar. Nas viagens deste e dos Papas anteriores esse diálogo ecuménico foi uma constante, lembrando que a mensagem de Jesus e dos outros profetas sempre foi de concórdia. Isso tem acontecido em Lisboa com frequentes visitas de políticos e de líderes religiosos à Grande Mesquita, e a presença do guia da comunidade muçulmana em imensas cerimónias com cristãos. A base desse entendimento será sempre o conhecimento. Todos temos a ganhar se soubermos um pouco mais dos que professam outra fé, dos que chegam de outros cantos deste mundo onde cabemos todos, sem andarmos sempre a rezingar que esta é a minha terra e tu não cabes no meu quintalinho porque eu não quero, mas não sei muito bem explicar isso. Ouvi numa rede social qualquer que tenho que odiar os estrangeiros e não sei pensar, apenas faço o que aqueles seres que andam sempre aos gritos no TikTok me mandam. Pensar, é só para eles. Eu, simples cidadão apenas tenho que tornar a minha vida num caldo de ódio, sem querer perceber nada, reagindo sempre da mesma forma que o ‘chefe’.
É um mundo estranho, que só a educação, o saber, o querer aprender com os outros poderá um dia mudar. Fechamos o ano numa tragédia anunciada para a democracia, como a conhecemos. O desafio está a chegar também a Portugal, que irá voltar já em janeiro. O problema maior da democracia é que ela permite que quem a quer destruir cresça dentro dela. Hoje, ainda temos a possibilidade de votar e de escolher, mas isto não é de todo um direito seguro. Depende apenas de cada um de nós o caminho onde nos vamos colocar, neste Mundo já tão cheios de tensões e de problemas.