segunda-feira, 09 fev. 2026

EUA atacam Venezuela e Trump anuncia captura de Nicolás Maduro

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou nas redes sociais que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país
EUA atacam Venezuela e Trump anuncia captura de Nicolás Maduro

Os EUA lançaram na madrugada deste sábado, 3 de janeiro, um ataque militar em larga escala contra a Venezuela, tendo como alvo bases militares em Caracas e outros estados do país. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou nas redes sociais que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país por via aérea numa operação realizada em conjunto com as forças de segurança dos EUA.

"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea", escreveu Trump na Truth Social, prometendo divulgar mais detalhes numa conferência de imprensa agendada para as 11h00 (hora local, 16h00 em Lisboa) em Mar-a-Lago.

Pelo menos sete explosões foram ouvidas em Caracas por volta das 2h00 da manhã (hora local), com relatos de aeronaves militares a sobrevoar a capital em baixa altitude. As explosões em Caracas aconteceram em menos de 30 minutos, deixando parte da cidade sem eletricidade, particularmente nas proximidades da base aérea de La Carlota e do complexo militar Fuerte Tiuna, o maior do país. Os ataques atingiram também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, segundo as agências internacionais.

Venezuela denuncia "gravíssima agressão militar" e declara estado de emergência

O governo venezuelano rejeitou formalmente o que classificou como uma "gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos" e decretou estado de emergência em todo o território. "A República Bolivariana da Venezuela rejeita, condena e denuncia perante a comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana nas áreas civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira", Caracas em comunicado oficial.

Até ao momento, a Venezuela não confirmou a captura de Maduro nem esclareceu o seu paradeiro. O governo convocou todas as forças políticas e sociais a ativarem os seus planos de mobilização e passou para "luta armada". Caracas invocou o artigo 51 da Carta da ONU, reservando-se o direito à legítima defesa, e acusou Washington de pretender "apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente o seu petróleo e minerais".

Contexto: escalada de cinco meses e Operation Southern Spear

A ação militar deste sábado representa o culminar de uma escalada de tensões que dura há cinco meses. Desde setembro de 2024, os EUA têm realizado ataques militares contra embarcações no Mar das Caraíbas e no Pacífico oriental, justificando as operações como parte de uma campanha contra o narcotráfico. Washington afirma ter destruído pelo menos 35 barcos e causado mais de uma centena de mortos nestas operações. Trump classificou os cartéis de droga latino-americanos como organizações terroristas e declarou-lhes um "conflito armado directo", usando esse enquadramento para justificar as operações militares em águas internacionais.

A escalada intensificou-se em dezembro com apreensões e sequestros de petroleiros , e o reforço de sanções contra empresas petrolíferas. Trump defendeu-se das críticas alegando que estas operações não configuram um envolvimento militar tradicional que exija aprovação do Congresso. Em agosto de 2024, os EUA elevaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações sobre Maduro, acusando-o de chefiar uma rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega categoricamente.

Reações internacionais e alertas fronteiriços

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, condenou imediatamente os ataques e activou o alerta fronteiriço. "Neste momento, bombardeiam Caracas. Alerta a todo o mundo, atacaram a Venezuela. Bombardearam com mísseis. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas) devem se reunir imediatamente", escreveu Petro na rede social X. Cuba também condenou veementemente a operação militar, com o ditador Miguel Díaz-Canel a manifestar solidariedade com Caracas. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão apelou ao Conselho de Segurança da ONU que "aja imediatamente para deter a agressão ilegal" e responsabilize os culpados.

A ONU havia advertido que as operações militares dos EUA nas Caraíbas violam o direito internacional. Nos EUA, a controvérsia jurídica sobre a realização de ataques militares sem autorização do Congresso mantém-se acesa. A situação continua em desenvolvimento, com unidades da Guarda Nacional mobilizadas por toda Caracas e buscas em residências de suspeitos de colaboração com forças norte-americanas.