terça-feira, 10 fev. 2026

A Semana

Os participantes da flotilha, entre eles Mariana Mortágua, são aliados de facto do Hamas

19 de dezembro

A ressaca do Conselho Europeu

O último Conselho Europeu tratou de dois temas centrais. A questão principal foi a ajuda financeira da União Europeia à Ucrânia. Os países europeus perceberam que o uso dos ativos russos congelados na Europa seria muito complicado do ponto de vista jurídico. Decidiram, assim, levantar dívida comum, 90 mil milhões de euros para ajudar a Ucrânia durante os próximos dois anos. Fizeram muito bem. O apoio à Ucrânia é fundamental para a segurança europeia. 

Além disso, a União Europeia retirou os activos financeiros russos da lista das sanções. Serão um trunfo para as futuras negociações com a Rússia; quando Putin quiser mesmo negociar. 

A segunda questão do Conselho Europeu foi o tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Aqui os países europeus não estiveram bem e adiaram (mais uma vez) a aprovação. O voto italiano a favor era indispensável, mas Meloni decidiu que necessitava de tempo. Comprometeu-se a votar a favor em meados de Janeiro, e disse isso a Lula num telefonema entre os dois. Vamos ver se assim será.

20 a 23 de dezembro

Balanço da primeira fase da campanha para as eleições presidenciais
Os debates foram, acima de tudo, cansativos. Houve demasiados debates e, em 30 minutos, não é possível discutir temas importantes com a profundidade devida. Foram sobretudo shows televisivos. Como se esperava, André Ventura foi o melhor porque gosta e sabe debater em televisão. Em debates curtos, onde contam os sound bites, Ventura é quase imbatível. 

Cotrim também esteve bem. Sabe debater, pensa bem, tem presença e carisma. Mas há sempre uma certa frustração com Cotrim. Parece sempre que poderia ter feito melhor. 

Marques Mendes e António José Seguro foram o que se esperava: profissionais, certinhos e maçadores. Podemos assistir a vinte debates dos dois, e nunca ficamos com uma frase marcante na cabeça. Estarem os dois em debates, ou outros políticos do PSD e do PS, com a mesma preparação, seria mais ou menos a mesma coisa.   

Gouveia e Melo mostrou que não tem experiência de debates televisivos. No último, com Marques Mendes, já esteve melhor, mas nos outros esteve fraco. Mostrou, no entanto, que é um homem sério e bem-intencionado. E, na política externa, importante para um Presidente da República, é o mais bem preparado de todos os candidatos.

Quanto a António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto, não estão a participar em eleições presidenciais. Estão numa luta entre os três para ver quem não fica em último. É uma questão entre as esquerdas radicais que, francamente, não me interessa.

24 e 25 de dezembro

Natal

Os melhores dias do ano. Estamos com a família, com as pessoas de quem mais gostamos e que mais gostam de nós. E comemos e bebemos bem. É maravilhoso.

26 e 27 de dezembro

As negociações de paz para a Ucrânia

Como já é habitual, antes de ir aos Estados Unidos, Zelensky coordenou a sua posição com os líderes europeus. Bem sei que a Europa tem muitas fraquezas e problemas, mas estou convencido que os historiadores no futuro irão salientar e elogiar a unidade europeia e o apoio que deram à Ucrânia na guerra mais difícil da sua curta história e com o Presidente americano menos sensível à aliança com os europeus, e simultaneamente o mais próximo de sempre da Rússia. 

No dia 28, Trump e Zelensky encontraram-se na Florida para continuar as negociações de paz. Não há dúvida que a relação entre os dois melhorou bastante desde o primeiro encontro em Fevereiro na Casa Branca. Foi interessante verificar que Vance não esteve nas negociações e que Rubio estava ao lado de Trump. São boas notícias para a Ucrânia. 

Trump e Zelensky também falaram de progressos significativos. No entanto, o que conta é onde não há entendimentos. Quando Trump afirma que há acordo em «90% das questões», está a dizer que não há em 10%. Os 10% é que interessam. Aí estão os verdadeiros problemas. Continua a não haver acordo nas questões territoriais nem nas garantias de segurança para a Ucrânia. Ou seja, ainda se está longe da paz.

29 de dezembro

As mentiras de Putin e do Hamas

Putin recorreu a mais uma mentira para impedir um acordo de paz. Desta vez, disse a Trump que a Ucrânia tinha atacado «uma das suas casas» em Moscovo. Obviamente, os ucranianos tinham que ser suicidas para fazer um ataque desse tipo nesta fase das negociações de paz. 

Putin mostrou, mais uma vez, que é o maior problema para a paz. Não são as questões territoriais nem as garantias de segurança para a Ucrânia. A guerra na Ucrânia só acaba quando Putin quiser, ou quando a economia russa já não aguentar o esforço militar. A economia na Rússia está a piorar, mas Putin não se importa de impor um sofrimento duradouro à população russa, tal como lhe é indiferente enviar os jovens russos para a morte nos campos de batalha. A guerra vai continuar porque Putin não quer parar. É muito simples e dramático.

O organizador da flotilha para Gaza, Mohamed Hannoun, foi detido em Itália sob suspeita de ter desviado 8 milhões de euros de donativos para o Hamas. Europeus de boa vontade deram 8 milhões de euros para a população de Gaza. Hannoun deu esse dinheiro ao Hamas para comprar armas de modo a manter o domínio totalitário sobre Gaza e, no futuro, continuar a fazer ataques terroristas. Os participantes da flotilha, entre eles Mariana Mortágua, são aliados de facto do Hamas. 

29 de dezembro

Taiwan 

A China está a fazer exercícios militares ao largo de Taiwan. Aparentemente, são os maiores exercícios militares chineses de sempre junto a Taiwan. Por seu lado, o Governo japonês anunciou o maior orçamento de defesa desde a Segunda Guerra Mundial, 58 mil milhões de dólares. A corrida aos armamentos na região vai intensificar-se em 2026. Não vale a pena ter ilusões.

Aliás, convém recordar que a Guerra Fria não acabou na Ásia, ao contrário do que aconteceu na Europa. A China continua com um regime comunista e as Coreias mantém-se divididas. Na Ásia, a guerra fria esteve congelada, mas está a regressar. A grande dúvida é saber se os Estados Unidos continuam a fazer parte dela, ou se Taiwan, o Japão, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Austrália irão enfrentar a China sem o apoio dos americanos.  

Há anos que a maioria dos analistas afirma que os Estados Unidos se vão virar para a Ásia e o Pacífico e abandonar a Europa. Mas Trump tem desafiado essa visão. Tem estado muito mais empenhado na Europa do que na Ásia. Até sem querer, Trump desafia grande parte das análises.  

31 de dezembro

Boas entradas em 2026 para todos os leitores