terça-feira, 10 fev. 2026

Um bom ano, o velho

Mesmo com a guerra e apesar de termos passado por uma crise política e por uma greve (pouco) geral em dezembro, 2025 foi um ano menos mau para Portugal

Cá me parece, e cada vez mais, que Luís Montenegro e António Costa – ao contrário do que o Presidente Marcelo descreveu naquele célebre jantar com a imprensa estrangeira já vai para dois anos – não são assim tão diferentes. Bem ao invés, o atual inquilino de S. Bento tem muito mais em comum com o seu antecessor naquela Residência Oficial do que com qualquer outro dos ex-primeiros-ministros dos últimos 50 anos de democracia, incluindo todos os que, como ele, eram também líderes do PSD. Vale a pena nomeá-los – Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão, Aníbal Cavaco Silva, José Manuel Durão Barroso e Pedro Passos Coelho – para se perceber que com quem Luís Montenegro tem mais semelhanças, na verdade, é mesmo com... António Costa.

Ouvida a mensagem de Natal do primeiro-ministro aos portugueses, na quinta-feira da semana passada, não pode deixar de apontar-se-lhe aquele otimismo que Costa sempre alvitrou tratar-se de uma caraterística intrínseca sua e que Marcelo chegou a dizer ser até irritante no chefe de governo socialista com quem era feliz e não sabia.

Aliás, com as devidas salvaguardas mas à luz do que entretanto se passou, também bem pode dizer-se que ambos – leia-se: Montenegro e Costa – acabaram por receber uma boa e antecipada prenda de Natal do Ministério Público, um neste ano findo de 2025 e o outro naquele de 2023 em que, à conta de um parágrafo e de 75 mil euros em dinheiro vivo, ganhou pretexto para abandonar uma nau com maioria absoluta mas à deriva e apanhar um avião com rumo a Bruxelas e à presidência do Conselho Europeu.

Só isso, ou mesmo só por isso, já poderia compreender-se o porquê do otimismo de António Costa, quando na verdade, beneficiando de condições ímpares e de absoluta paz social, conduziu o país e o Estado, em todas as suas funções, a uma desgraça total.

Do Serviço Nacional de Saúde à Justiça, da Habitação ao Ensino, da imigração descontrolada ao aumento da criminalidade violenta e grave e à perceção de uma crescente insegurança, salvaram-se apenas as contas públicas, ainda que mercê de cativações e de desinvestimento público, com todos aqueles óbvios e consequentes prejuízos.

Esperemos que essa venha a ser a principal diferença entre a ação governativa de António Costa e a de Luís Montenegro.Se os prestigiados The Economist e Finantial Times puseram Portugal nos píncaros com a distinção da economia nacional – respetivamente, como ‘Economia do Ano’ e com uma menção honrosa –, há que confiar que 2025, afinal, não foi tão mau como a convocação de uma greve geral para o mês de dezembro poderia fazer crer.

Até porque o ano findo, por todos os indicadores considerados pela The Economist, e pela adesão tão pouco expressiva dos trabalhadores do setor privado à famigerada greve geral, dão sustentação ao otimismo e positivismo subjacentes à mensagem natalícia de Luís Montenegro. 

Cumpra o Governo a ambição pedida ao país de não se vergar à ‘mentalidade do deixa andar’ e, antes, seguir a ‘mentalidade de Cristiano Ronaldo’, para ‘elevar a fasquia e fixar novas ambições’. 

Sim, como disse Montenegro, o caminho passa por produzir e crescer mais do que os outros países da OCDE e da UE, para convergir, combater a pobreza e investir na melhoria do ensino, da habitação, da justiça, da saúde... 

Ora, só um Governo reformista e empreendedor poderá fomentar esse crescimento económico, esse aumento da produtividade, essa criação de riqueza e um novo patamar de rendimentos, com aumento de salários e redução de impostos. 

Se assim for, este novo ano confirmará que o ano velho não foi afinal mesmo nada mau e alimentará a esperança nos anos vindouros.

De outro modo, estamos condenados. 

Assim sendo, o melhor é alinhar pelo otimismo reinante. E acreditar que ainda podemos chegar lá. Tenha o País um próspero Ano Novo!