quinta-feira, 12 fev. 2026

Há 500 anos a tramarmos o Brasil

Por isso, até Lula da Silva culpou o atraso da educação no Brasil por os portugueses terem criado tardiamente universidades durante a colonização. Porque duzentos anos de independência mal dá para criar duas escolas primárias e uma creche

A desgraça do Brasil começou há 525 anos quando Pedro Álvares Cabral descobriu aquela terra. Estavam lá os índios tão sossegados, degustando goiabas, saguis e outros índios, e vieram os portugueses pôr fim àquele paraíso canibal. O desembarque dos portugueses foi como uma maldição bíblica. Miscigenaram-se com as índias, trouxeram escravos africanos, lutaram contra holandeses e franceses para defender o território e expandiram as fronteiras do Brasil criando o maior e mais rico país da América do Sul. Sem os portugueses, não teria havido uma sociedade multirracial e o território ter-se-ia fragmentado em pequenos países – decerto melhor governados e com chefs especialistas em carne humana.

Naturalmente, o Brasil culpa Portugal por ser um país falhado.

O primeiro a demonstrar a culpa de Portugal no falhanço do Brasil foi o historiador Sérgio Buarque de Holanda no livro Raízes do Brasil. A herança portuguesa – o homem cordial que não separa o público do privado – explica a corrupção e o atraso brasileiro. Que os emigrantes portugueses do início do século XX, cordiais ou não, tenham tido sucesso onde os brasileiros fracassaram, isso não é explicado. Retratados no subtil humor brasileiro como burros, estes portugueses conseguiram, afinal, o que a maioria dos brasileiros, das goiabas e dos saguis não conseguiu: enriquecer. Para explicar esta contradição de neurónios nada melhor do que um filósofo brasileiro chamado Scolari: 

«E o burro sou eu?». 

Burro ou inteligente, Portugal será eternamente culpado pela desgraça do Brasil. Por isso, até Lula da Silva culpou o atraso da educação no Brasil por os portugueses terem criado tardiamente universidades durante a colonização. Porque duzentos anos de independência mal dá para criar duas escolas primárias e uma creche.

O clímax desta suruba de dedo acusatório é atingido por uma senhora inteligentíssima chamada Eliane Brum. No catálogo de uma exposição chamada Complexo Brasil confirma que até os portugueses atuais são responsáveis pela desgraça do Brasil. Num texto de grande elevação, diz que tudo começou com «pénis sifilíticos» a entrar em «vaginas originárias» cujo resultado «foi construir ruínas». Na sua opinião, o Brasil é um monte de entulho. Assim sendo, pode-se concluir que a própria formação moral de Brum é uma ruína, de onde catou erudição terceiro-mundista e ódio aos portugueses. Mas ela não tem culpa de fazer parte do entulho. Num país engravidado com pilinhas sifilíticas é natural que haja tanta corrupção, roubalheira, violência, dois Presidentes presos, o Programa do Ratinho, milagres evangélicos, baile funk e Eliane Brum. 

Mas, calma Dona Eliane, pois o Brasil não é assim tão mau. Tem goiabas, saguis, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho – o top da Mafia mundial. Pudera, são um produto genuinamente brasileiro sem influência portuguesa.