terça-feira, 10 fev. 2026

Trump e Zelensky dizem estar “muito perto” de acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia

O presidente norte-americano admitiu também a possibilidade de uma reunião trilateral com Vladimir Putin, “no momento certo”
Trump e Zelensky dizem estar “muito perto” de acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, estiveram reunidos durante cerca de duas horas, este domingo, em Mar-a-Lago, na Florida, e garantiram estar “muito perto” de um entendimento para pôr fim à agressão russa em território ucraniano.

Falando aos jornalistas no final do encontro, Donald Trump afirmou que os principais pontos discutidos já foram transmitidos a vários líderes europeus, incluindo os chefes de Estado ou de Governo de França, Finlândia, Polónia, Noruega, Itália, Reino Unido e Alemanha, bem como ao secretário-geral da NATO e à presidente da Comissão Europeia.

“Tivemos uma grande conversa com eles depois de falarmos. A nossa reunião foi excelente, cobrimos — alguém dirá 95% — não sei que percentagem, mas fizemos grandes progressos para terminar com esta guerra”, declarou Trump, classificando-a como “provavelmente a maior desde a Segunda Guerra Mundial”.

O presidente norte-americano sublinhou que “não é um processo que se conclua num dia”, mas que foram abordados “quase todos os assuntos”. Já Volodymyr Zelensky agradeceu o acolhimento e o papel desempenhado por Washington nas últimas semanas, confirmando que foi discutido um plano de paz estruturado.

“O plano de paz está 100% acordado, as garantias de segurança estão praticamente acordadas, a dimensão militar está 100% garantida, o plano de prosperidade está a ser finalizado e acordámos que a principal chave para a paz são as garantias de segurança” da Ucrânia, afirmou o presidente ucraniano.

Donald Trump garantiu que irá voltar a falar com o presidente russo, Vladimir Putin, para lhe transmitir os pontos discutidos com Zelensky. Do lado russo, o enviado especial Kirill Dmitriev reagiu dizendo que o mundo “aprecia” os esforços diplomáticos da Casa Branca. “O mundo inteiro aprecia os esforços de paz do presidente Trump e de sua equipa”, afirmou.

Numa segunda intervenção pública, Trump reforçou que as negociações “estão a dar frutos” e que as partes estão “mais perto” de alcançar um acordo. Zelensky adiantou, por sua vez, que está previsto um novo encontro “nas próximas semanas”.

“Abordámos muitos pontos. Creio que estamos a chegar lá, talvez muito perto”, disse Trump, em conferência de imprensa. Após a reunião, ambos consideraram “apropriado” envolver os principais aliados europeus. “São todos ótimos líderes e tivemos uma excelente conversa com eles”, sublinhou o presidente dos EUA.

Apesar dos avanços, Trump reconheceu que subsistem “questões espinhosas”, nomeadamente em relação aos territórios que a Rússia diz ter tomado ou sobre os quais mantém pretensões. Zelensky confirmou que o plano de 20 pontos está “90% fechado” e que as garantias de segurança entre Washington e Kyiv estão “100% acordadas”.

Sobre o Donbass, o presidente ucraniano afirmou: “A nossa posição é muito clara. É por isso que o presidente Trump disse que esta é uma questão muito difícil.” Acrescentou que a Ucrânia tem “uma posição diferente da Rússia” e que é necessário “respeitar a lei e o povo” ucraniano, bem como o território sob controlo de Kyiv.

O presidente norte-americano admitiu também a possibilidade de uma reunião trilateral com Vladimir Putin, “no momento certo”. “[Putin] quer que isso aconteça. Disse-me isso com muita convicção, e acredito nele”, garantiu.

Trump acrescentou que a Rússia estará a cooperar com a Ucrânia para reabrir a central nuclear de Zaporíjia, sob controlo russo desde o início da guerra, e que Moscovo ajudará na reconstrução do país. “A Rússia quer ver a Ucrânia ser bem sucedida”, disse, acrescentando que Putin fornecerá “energia, eletricidade e outras coisas a preços muito baixos”.

Recorde-se que a primeira versão do plano de paz, divulgada há mais de um mês pela Casa Branca, incluía 28 pontos e contemplava várias exigências russas, como cedências territoriais e a renúncia de Kyiv à adesão à NATO.

A versão revista, com 20 pontos, propõe agora o congelamento das linhas da frente, sem uma solução imediata para as disputas territoriais.