segunda-feira, 09 fev. 2026

EUA prometem dois mil milhões de dólares à ONU para ajuda humanitária, muito abaixo do financiamento tradicional

O valor agora anunciado prevê a criação de um fundo centralizado, a partir do qual os recursos serão distribuídos por agências e prioridades específicas
EUA prometem dois mil milhões de dólares à ONU para ajuda humanitária, muito abaixo do financiamento tradicional

Os EUA anunciaram dois mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros) para ajuda humanitária no âmbito das Nações Unidas, um valor muito inferior ao financiamento tradicional norte-americano destinado a programas apoiados pela ONU.

Apesar de representar apenas uma fração das contribuições anteriores, o Governo norte-americano considera que a verba é generosa e suficiente para manter os EUA como o maior doador humanitário do mundo. Nos últimos anos, o financiamento humanitário dos EUA para programas ligados à ONU atingiu cerca de 17 mil milhões de dólares anuais (14,5 mil milhões de euros).

As autoridades norte-americanas indicam que entre oito e dez mil milhões de dólares desse montante correspondiam a contribuições voluntárias, além de milhares de milhões pagos anualmente em taxas associadas à participação do país na organização internacional.

O valor agora anunciado prevê a criação de um fundo centralizado, a partir do qual os recursos serão distribuídos por agências e prioridades específicas. Esta abordagem responde às exigências dos EUA por mudanças estruturais profundas na forma como a ONU gere e distribui a ajuda humanitária.

Críticos da decisão alertam que os cortes no apoio norte-americano foram mal planeados, tendo contribuído para agravar crises humanitárias, condenando milhões de pessoas à fome, à deslocação forçada ou à propagação de doenças, além de prejudicarem a imagem internacional dos EUA.

A medida surge no final de um ano particularmente difícil para várias agências das Nações Unidas, incluindo aquelas que trabalham com refugiados, migração e ajuda alimentar. A Administração do Presidente Donald Trump reduziu drasticamente a ajuda externa, forçando estas organizações a cortar despesas, projetos no terreno e milhares de postos de trabalho.

Outros doadores ocidentais tradicionais seguiram a mesma tendência, reduzindo igualmente as suas contribuições.

Os EUA assinaram um acordo preliminar com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), dirigido por Tom Fletcher, antigo diplomata britânico. O objetivo é transformar o OCHA num canal central de distribuição da ajuda norte-americana e de outros países, substituindo o atual modelo de múltiplas contribuições dispersas.

Washington pretende ver “uma autoridade de liderança mais consolidada” nos sistemas de distribuição de ajuda da ONU, explicou à agência Associated Press um alto responsável do Departamento de Estado, sob condição de anonimato.

“Esta reestruturação humanitária nas Nações Unidas deverá proporcionar mais ajuda com menos dinheiro dos contribuintes — oferecendo uma assistência mais focada e orientada para os resultados, alinhada com a política externa dos EUA”, afirmou o embaixador norte-americano nas Nações Unidas, Michael Waltz.

O plano de reforma prevê a criação de fundos direcionados para crises ou países específicos. Numa fase inicial, serão abrangidos 17 Estados, entre os quais Bangladesh, República Democrática do Congo, Haiti, Síria e Ucrânia.